Processo de empreendedorismo independente da flexM4i
flexM4I > abordagens e práticas > Processo de empreendedorismo independente da flexM4i (versão 3.4)
Autoria: Henrique Rozenfeld([email protected])
Introdução
Este processo é composto pelas etapas para se desenvolver uma startup. Ele é parte da abordagem de empreendedorismo independente que inclui outros aspectos do empreendedorismo.
Como destacamos na seção sobre empreendedorismo independente, …
… aplicar um processo pode ajudar a construir sua startup, mas não é de longe o único caminho. Possuir as características do(a) empreendedor(a) e seguir as Dicas para empreendedores(as) são essenciais para você empreender.
Das 17 dicas apresentadas, gostaríamos de repetir uma que consideramos estratégica para os(as) empreendedores(as)
“Dica 8: Consiga uma mentoria, alguém com experiência que possa resolver suas dúvidas específicas nas várias questões relacionadas com seu empreendimento (tecnológicas, organizacionais, de marketing, fiscais, financeiras, jurídicas etc.) e guiar você (e seus sócios) nas fases de um empreendimento”
| Recomendamos que você leia antes a abordagem de empreendedorismo independente antes de conhecer o processo descrito nesta seção. |
Seções da flexM4i relacionadas com inovação corporativa & empreendedorismo
Na próxima figura você pode localizar a seção atual. Baixe aqui o mapa de conteúdo em A3 com os links das seções ou acesse os links depois da figura.
Figura 799 - Seções da flexM4i relacionadas com inovação corporativa & empreendedorismo (clique na figura para abrir em outra aba e para poder acessar os links das seções)
ABORDAGENS
- Articulação entre abordagens relacionadas com a inovação corporativa e empreendedorismo
- Gestão da inovação
- Empreendedorismo
- Empreendedorismo independente
- Inovação corporativa, empreendedorismo corporativo e intraempreendedorismo
- Ecossistema de inovação e de empreendedorismo
- Inovação aberta
- Hélice tríplice
PRÁTICAS (ordem alfabética)
- Alianças estratégicas
- Análise de investimento (em desenvolvimento)
- “Área” de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
- Business plan (plano de negócios)
- Contratação de serviços de inovação
- Corporate venture building (CVB)
- Corporate venture capital (CVC)
- Desafios e prêmios
- “Espaço” de inovação
- Fusões e aquisições (M&A)
- Gestão de ideias (em desenvolvimento)
- Hackathons
- Hub de inovação
- Incubadora e aceleradora (independente)
- Incubadora e aceleradora corporativa
- Joint Venture
- Licenciamento de propriedade intelectual
- Modalidades de fomento da inovação & empreendedorismo
- Networking
- Processo de empreendedorismo independente
- “Setor” de Inovação
- Transferência de tecnologia
- Venture Capital (VC)
- Venture Building (VB)
Origem do processo de empreendedorismo da flexM4i
Recomendamos este tópico somente para os leitores das trilhas de treinamento e avançada.
O “processo” de empreendedorismo da flexM4I é uma síntese de vários processos relacionados com inovação e empreendedorismo.
Não vamos listar todas as fontes que utilizamos para chegar neste processo.
Na figura abaixo ilustramos 4 referências, entre outras, que foram utilizadas. Na última linha da tabela estão as “ fases macro” do ciclo de vida de um empreendimento. As etapas do “processo” de empreendedorismo da flexM4I estão distribuídas por essas fases. Na visão geral do “processo” apresentamos as etapas (próximo tópico).
Figura 783: referências selecionadas que foram utilizadas para determinar as “fases macro” do ciclo de vida de uma startup (clique na figura para aumentar)
Apesar de as “fases macro” do ciclo de vida de um startup estarem colocadas de forma sequencial, pode haver superposição entre elas, além das superposições que procuramos representar.
As cores das fases representam fases com escopos semelhantes. Não iremos entrar em detalhes sobre isso.
Processo empreendedor Dornelas (2018)
O primeiro processo, representado na primeira linha da figura, foi proposto por Dornelas (2018), que é um dos processos mais citados no Brasil. Este processo é semelhante ao processo de Hisrich et al. (2017). Este processo traz etapas bem pragmáticas para criação de empreendimentos.
Este link apresenta um resumo das etapas do processo do Dornelas com base em uma versão mais antiga do livro do autor.
Design thinking
Na figura anterior (783) está representado de forma simplificada o processo dos dois diamantes de design thinking, que é um processo genérico. A próxima figura ilustra esse processo.

Figura 282: O processo de “diamante duplo” do design thinking
Fonte: adaptado de Stickdorn and Schneider (2011) e https://www.designcouncil.org.uk/news-opinion/what-framework-innovation-design-councils-evolved-double-diamond
Os principais atividades desse processo são:
- Definir o desafio
- Compreender os usuários e o espaço do problema (descobrir, empatia e imersão)
- Definir o problema
- Ideação (criar, desenvolver)
- Prototipar, testar e entregar
| Você pode conhecer uma descrição mais detalhada deste processo neste link da seção sobre design thinking. |
Design thinking é uma abordagem centrada no usuário com o objetivo de alcançar a inovação, que dá origem a várias metodologias / processos de design thinking e não está relacionada unicamente com o empreendedorismo. Os processos de design thinking propõem a aplicação de métodos e ferramentas de inovação. Algumas metodologias “prescrevem” uma sequência de sua aplicação desses métodos e ferramentas.
No entanto, alguns usuários consideram que o design thinking substitui um processo de inovação ou mesmo de empreendedorismo. A figura 783 mostra que o escopo do design thinking não cobre todas as atividades do processo de empreendedorismo. O foco da aplicação do design thinking é nas fases iniciais de entendimento profundo do cliente, proposição de ideias (ideação) e testes. Ou seja, é equivalente às etapas de identificação (e validação) de oportunidades, desafios e ideias.
Não cobre as etapas de desenvolver o plano de negócios, captação de recursos, desenvolvimento (design detalhado), novos testes com base em protótipos funcionais, expansão, prover e capturar valor (operação da solução).
Lean Startup
A abordagem de Lean Startup é um bestseller para empreendedores. Assim como o design thinking, o lean startup está focado na comprovação das hipótese de valor (market fit). Além disso, o lean startup comprova (ou não) as hipóteses de mercado (escalabilidade).
Repare no detalhe da flecha pontilhada, que liga a ideação do design thinking com o lean startup. Normalmente, o lean startup já inicia com uma ideia. A sua aplicação conjunta com o design thinking traz grandes benefícios para se obter ideias com maior possibilidade de sucesso.
O lean startup também é equivalente às etapas de identificação (e validação) de oportunidades, desafios e ideias
Lógica da inovação da flexM4I
O capítulo “lógica da inovação” da flexM4I propõem um framework de categorias de processos de inovação, do qual retiramos algumas categorias que podem ser aplicadas no caso de empreendedorismo
“Fases macro” do ciclo de vida de uma startup
Baseados nas quatro referências anteriores e em outras referências analisadas, incluindo processos de consultorias em empreendedorismo, definimos as “fases macro” do ciclo de vida de um startup, que orienta as etapas do “processo” de empreendedorismo da flexM4I.
| Definimos aqui fases como algo mais abrangente que etapas dos processo de empreendedorismo independente. As fases estão relacionadas com o ciclo de vida de uma startup e as etapas a um conjunto de atividades relacionadas que são realizadas dentro das fases. Foram utilizadas as fases de difusão da inovação apresentadas no tópico “Curva S: entendendo os estágios de evolução e difusão da inovação”. As fases são:
Essas fases não são sequenciais e se superpõem. As etapas do processo de empreendedorismo independente são mostradas no próximo tópico “visão geral”. |
Essas “fases macro” são as mesmas que foram adotadas na apresentação das modalidades de fomento para do empreendedorismo.
Visão geral do “processo” de empreendedorismo
Este processo deve ser encarado como uma referência geral que precisa ser adaptado para cada caso, dependendo dos fatores contextuais dos empreendedores e sua maturidade com relação à gestão da inovação e empreendedorifsmo.
| Veja no tópico “Metodologias e processos de empreendedorismo” da seção “empreendedorismo independente” que existem alternativas à proposta deste processos de empreendedorismo e que cada caso é um caso. |
Este processo é voltado para o empreendedorismo independente, mas muitas etapas também podem ser utilizadas na criação de startups em ambiente corporativo. Os maiores diferenciais nesses casos são:
- a existência do ambiente corporativo que traz vantagens e desvantagens (“anticorpos contra a inovação) discutidas nas abordagens de intraempreendedorismo e corporate venturing
- a captação de recursos financeiros que pode ser muito variável, conforme discutimos na seção “modalidades de fomento para do empreendedorismo”.
Na próxima figura ilustramos as principais das etapas de empreendedorismo do “processo” de empreendedorismo da flexM4I, que estão distribuídas pelas “fases macro” típicas do ciclo de vida de uma startup.

Figura 781: principais etapas de empreendedorismo.
A condição para a condução deste “processo” são as pessoas, ou seja, o(a) empreendedor(a), que deveriam possuir as características listadas na seção “empreendedorismo independente”. Essa é a razão pela qual eles estão destacados na figura. Além disso, atente às dicas indicadas na mesma seção.
Nos próximos tópicos apresentamos uma descrição sucinta das principais etapas com exemplos de alguns métodos que podem ser aplicados.
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Embora a seguir as etapas sejam descritas de forma sequencial para facilitar o entendimento do processo, é importante destacar que duas delas — “gestão do ecossistema” e “experimentar, avaliar, selecionar, pivotar e aprender” — são, na verdade, atividades transversais, que devem ocorrer em paralelo ao longo de todo o processo. Como pode ser visto na figura anterior, essas duas áreas envolvem e atravessam todas as demais fases. Desde o início, a startup deve buscar conexões no ecossistema para obter apoio, mentoria, parcerias e recursos. Da mesma forma, qualquer decisão, ideia ou solução deve ser continuamente experimentada e validada, permitindo ajustes ou mudanças de rumo com base no aprendizado. |
Propósito e estratégias
Tudo se inicia com um propósito dos fundadores de uma startup. Mesmo que não estejam formalizadas, os fundadores geralmente já têm em mente uma estratégia.
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Em empresas estabelecidas, leia sobre propósito, posicionamento estratégico e objetivos da inovação no capítulo “Estratégia, objetivos e indicadores”. Em startups, leia sobre o significado de propósito. |
Contexto, dores, problemas, oportunidades, desafio e ideias
Tendo o propósito em mente, os empreendedores podem observar no contexto:
- quais dores ou problemas que eles querem resolver ou;
- quais oportunidades que surgem, que eles querem aproveitar ou
- quais os desafios a serem vencidos ou se
- já podem começar com uma ideia.
A análise do contexto (formal ou informal) envolve conhecer as situação atual e tendências do mercado (segmentos, clientes e concorrentes) e da tecnologia. Além disso, os empreendedores podem ter insights sobre o futuro.
No fundo, o mais importante é as startups resolverem os problema ou as dores dos clientes
Clientes ou stakeholders?
O cliente é um dos tipos de stakeholder — e, em geral, o mais importante, pois é a razão de ser de uma empresa.. Em empresas comerciais, as receitas vêm dos clientes, que “possuem várias faces”.
Porém, temos que considerar outros stakeholders, que também trazem requisitos que a empresa deve considerar, como:
- sócios: têm requisitos financeiros, entre outros;
- agências reguladoras: estabelecem requisitos que devem ser atendidos para aprovar o negócio;
- colaboradores: possuem requisitos motivacionais e emocionais para se tornarem engajado e, assim, contribuir com a inovação.
| Leia o tópico “Inovação, valor, stakeholders e faces dos clientes” da seção “Conceitos básicos de inovação e definição” da flexM4i. |
Market-pull combinado com o technology-push (se for o caso)
O paradigma por trás do raciocínio na criação da maior parte das startups é o do market-pull, ou seja, a origem da startup vem do mercado, com base no entendimento dos clientes.
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Na inovação market-pull (puxada pelo mercado), o desenvolvimento inicia com uma oportunidade de mercado e a empresa procura utilizar tecnologias disponíveis para satisfazer as necessidades do mercado (Ulrich et al., 2020). Também conhecida como demand-pull. É quando se pretende criar soluções para problemas, dores, requisitos dos stakeholders. |
No paradigma de technology-push, aproveitar as oportunidades apresentadas por novas tecnologias pode ser o ponto de partida de uma startup. Mas, em seguida, será necessário identificar uma aplicação que possa se tornar um negócio viável e escalável.
No contexto da transformação digital, ocorre uma combinação entre technology-push e market pull.
Origem e fontes de inovação
Há muitas fontes de inspiração para a inovação. Na seção “Fontes para a inovação”, a flexM4i apresenta um panorama dessas fontes, ilustrada na próxima figura.

Figura 84: fontes de oportunidades, desafios e ideias para inovação.
Apesar dessas fontes serem listadas para empresas existentes, uma startup também pode considerá-las para obter uma ideia para desenvolvimento de um negócio de risco (startup).
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Em empresas estabelecidas Na seção “Rastrear, monitorar e analisar o contexto” são indicadas práticas mais usuais para empresas existentes, mas que empreendedores podem utilizar para obter insights e depois identificar oportunidades, desafios e ideias. |
Em empresas nascentes, startups “autônomas”, sem vínculo com corporações, não existe o direcionamento das estratégias corporativas. O pressuposto é que os empreendedores independentes conhecem o contexto onde eles desejam atual.
Exemplos de métodos e ferramentas (práticas) para aplicar nesta etapa
Além das práticas citadas no quadro anterior, podem ainda ser usado os seguintes métodos e ferramentas:
- Métodos de marketing para segmentação de mercado (veja o capítulo marketing e inovação; veja na Wikipédia sobre segmentação de mercado).
- O método job-to-be-done para definir qual a tarefa (job) que o seu produto ou serviço deve fazer para os seus clientes. Aqui você encontra uma explicação mais completa sobre este método.
- O “lado direito” do método de Value Proposition Design (apresentado no próximo tópico – Proposição de valor).
- Métodos de design thinking (espaço do problema – fase de entendimento e definição do problema).
Apresentamos a seguir uma visão geral dos métodos de design thinking para entendimento do problema do cliente.
Entendimento do cliente - design thinking
Já apresentamos anteriormente o processo genérico de design thinking, que foi utilizado para a compilação deste processo de empreendedorismo independente da flexM4i. Repetimos a seguir a figura para destacar a fase de entendimento dos clientes. Esse entendimento ocorre no “espaço do problema”.

Figura 282: O processo de “diamante duplo” do design thinking
Fonte: adaptado de Stickdorn and Schneider (2011) e https://www.designcouncil.org.uk/news-opinion/what-framework-innovation-design-councils-evolved-double-diamond
É no espaço do problema que você levanta as dores e oportunidades do ponto de vista do cliente (considerando os stakeholders) em um processo divergente. Depois de levantar muitas alternativas, você sintetiza, em um processo convergente, o que você vai considerar em um ponto de vista.
Ponto de vista é o momento de transição entre o espaço do problema e o espaço da solução. Após compreender os usuários e definir o problema, o ponto de vista sintetiza essa compreensão em uma perspectiva clara e focada, que guiará a geração de soluções. Ele representa o enquadramento do desafio a partir da ótica do usuário, servindo como base para ideação. Um ponto de vista bem formulado conecta as necessidades identificadas com os insights mais relevantes, orientando a equipe a criar soluções que façam sentido para as pessoas envolvidas.
| Leia mais na flexM4i: – o que é o espaço do problema – o que é o espaço da solução – uma descrição sucinta do processo genérico de design thinking |
A próxima figura ilustra os métodos e ferramentas que podem ser utilizados no espaço do problema.

Figura 922: exemplos de métodos e ferramentas utilizadas para entendimento do problema dos clientes e convergência para obtenção do ponto de vista.
Observe que na figura anterior, que o método job-to-be-done é colocado neste contexto, mas que algumas startups utilizam como o único método para representar um entendimento de quais “tarefas” o produto ou oferta devem realizar para o cliente.
Veja que no final, podemos sintetizar o ponto de vista nos artefatos do lado direito do método de Value Proposition Design (descrito na próxima etapa), que é denominado pelos autores de “perfil do cliente”.
Proposição de valor
Esta etapa se sobrepõe com a anterior, principalmente com relação a ideias, e com as próximas duas (modelo de negócio e business plan). Portanto, elas podem ser realizadas em paralelo.
Segundo uma das definições do nosso glossário, “A proposição de valor refere-se à combinação de produtos e serviços oferecidos e representa o valor para o cliente pelo qual ele está disposto a pagar” (RESTA et al., 2017).
| Veja nos comentários do verbete de proposição de valor do glossário, a ambiguidade deste termo. |
Alternativas para determinar a proposição de valor
Existem alguns caminhos para se chegar na proposição de valor, que dependem da etapa anterior:
- Se os empreendedores já aplicaram os métodos de entendimento, mostrados na etapa anterior, ele pode partir para a ideação e testes, usando as seguintes alternativas:
- aplicar o “diamante” da direita da metodologia de design thinking
- desenvolver o “lado esquerdo” do método de Value Proposition Design (explicado a seguir)
- Se os empreendedores ainda não tiveram uma ideia, mas somente identificaram dores, problemas, oportunidades ou desafios, eles devem aplicar práticas de design thinking (por exemplo) para entender a situação com maior profundidade e obter ideias iniciais para resolver os problemas e/ou oportunidades identificadas. Ou seja, será necessário aplicar os dois “diamantes” da metodologia de design thinking.
- Se os empreendedores já começarem com uma ideia em mente, eles podem partir para o ciclo do Lean Startup (por exemplo) e, assim, construir um MVP (Produto Mínimo Viável), medir (por meio de testes), aprender e pivotar ou perseverar. Ou seja, uma primeira versão da proposição de valor já existe, que vai sendo aperfeiçoada.
Exemplos de métodos e ferramentas (práticas) para aplicar nesta etapa (em desenvolvimento)
- Métodos de design thinking (espaço do solução – fase de ideação, criação e testes das soluções) – esses métodos ainda estão sendo inseridos no repositório de práticas da flexM4i
- O processo de desenvolvimento de clientes.
- O método de lean startup, do livro “a startup enxuta” Ries, 2011. Este livro ficou em 1o lugar na nossa ponderação de 121 livros sobre empreendedorismo. Veja o comentário acima sobre o lean startup.
- Prova de conceito (POC), MVP e protótipo
- Métodos de experimentação. Apesar de fazerem parte de métodos apresentados anteriormente (como os tipos de MVPs do lean startup), existem outros métodos prototipagem e testes que podem ser utilizados (veja o livro “Testing Business Ideas: A Field Guide for Rapid Experimentation”).
- O value proposition design (veja o livro “Value Proposition Design: Como construir propostas de valor inovadoras”) — como este método é o mais utilizado, apresentamos um resumo no próximo tópico, mas recomendamos que você acesse a publicação original citada.
Value Proposition Design (VPD)
Na etapa de Proposição de Valor, recomendamos o uso do Value Proposition Canvas, ilustrado na próxima figura.

Figura 1380: formulário para obter (design) a proposição de valor (value proposition design – VPD)
Fonte: adaptado de Osterwalder et al., 2014.
As principais atividades para o design da proposição de valor estão listadas a seguir.:
Mapear as Tarefas do Cliente
- Identificar claramente as tarefas funcionais, sociais e emocionais que o cliente precisa resolver.
- Entender o ambiente de uso e contexto em que essas tarefas ocorrem.
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Tarefas do cliente ou o Job-to-be-done? “Tarefas do Cliente” (Customer Jobs) no Value Proposition Canvas é diretamente inspirado no conceito de Job to Be Done (JTBD) — mas com uma diferença importante de escopo que vale destacar. Similaridade:
Integração das tarefas funcionais com o mapa da jornada As tarefas funcionais podem ser obtidas a partir do mapeamento da jornada do cliente. Isso é válido desde que o mapeamento da jornada seja orientado ao ponto de vista do cliente, e não apenas aos pontos de contato da empresa. Ao mapear a jornada, os jobs funcionais surgem naturalmente nas ações centrais do cliente — e com isso é possível extrair:
Veja também os elementos de valor, que podem complementar um checklist dos tipos de tarefas, que podem se tornar requisitos. Diferença em relação ao JTBD puro O Job to Be Done (JTBD), na abordagem original (de autores como Clayton Christensen e Anthony Ulwick), tende a abstrair o produto e foca mais profundamente na motivação subjacente ao comportamento do cliente — ou seja, o progresso que ele deseja realizar em sua vida.
Exemplo (JTBD clássico): “Quero manter uma alimentação mais saudável para ter energia e envelhecer com mais qualidade de vida. Já o Value Proposition Canvas aplica esse conceito de forma mais pragmática e voltada ao design de valor, identificando os jobs atuais, as dores enfrentadas e os ganhos desejados — todos relacionados diretamente com um produto ou serviço.
Exemplo (no Canvas): Tarefa funcional: “Preparar refeições saudáveis durante a semana.” |
Diagnóstico de Dores e Ganhos
- Para cada tarefa mapeada, listar os problemas, frustrações e obstáculos que o cliente enfrenta (dores).
- Identificar os benefícios, expectativas e desejos que o cliente busca (ganhos).
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Até aqui, a aplicação desse método equivale às atividades da etapa anterior de criar um ponto de vista das necessidades, requisitos, jobs dos clientes. A partir deste ponto, estamos desenvolvendo a proposição de valor. |
Definir Aliviadores de Dores (Pain Relievers)
- Formular como uma solução (ainda não existente) pode reduzir ou eliminar dores específicas.
Definir Criadores de Ganhos (Gain Creators)
- Estabelecer como uma solução (ainda não existente) pode gerar ou ampliar benefícios percebidos.
Conceber Produtos e Serviços
- Criar uma combinação coerente de produtos e serviços que incorporem os aliviadores e criadores mapeados.
Avaliar o Fit entre Proposição e Segmento
- Verificar se existe um alinhamento claro entre o que o cliente valoriza (jobs, pains, gains) e o que a proposta entrega (produtos, aliviadores e criadores).
- Estabelecer ajustes ou refinamentos para garantir que a proposta atenda profundamente às necessidades do segmento.
| Esta avaliação ainda é no plano conceitual, se há coerência entre as dores/ganhos do segmento e os aliviadores/criadores embutidos na proposta. Essa hipótese deve ser testada por meio de experimentos (MVPs, protótipos, entrevistas, etc.) em etapas posteriores. |
Ciclo do Lean Startup
Eric Reis simplificou as duas fases do processo de desenvolvimento de clientes com o ciclo construir - medir - aprender (próxima figura). Este ciclo é conhecido como “Build-Measure-Learn feedback loop". Apesar do Lean Startup ter um viés em soluções digitais, os termos que ele empregou tornaram-se comuns em inovação.

Figura 479: ciclo do lean startup de construir-medir-aprender e pivotar ou perseverar
Fonte: adaptado de Ries (2011)
A seguir, descrevemos esse ciclo resumidamente (e de forma muito simplificada):
- Parte de uma ideia com as hipóteses de valor (produto serviço) e de mercado.
- Muitos empreendedores já possuem (ou deveriam possuir) um conhecimento prévio da situação que eles pretendem melhorar, caso eles comecem com uma ideia.
| Partir diretamente de uma ideia é uma das vantagens e críticas do Lean Startup: - Vantagem: começa rápido, testando logo a ideia. Isso acelera os testes iniciais, mas pode ser arriscado se o empreendedor ainda não compreende bem o problema a resolver. - Crítica: se a ideia estiver imatura ou desconectada do problema real, o ciclo vira tentativa e erro cega. - Como proceder? Aplicar métodos de entendimento do cliente (seus problemas, dores e oportunidades), como os métodos da fase inicial do design thinking, pode evitar desperdícios e aumentar as chances de acerto.Porém, a aplicação desses métodos de entendimento demora e pode “atrasar” o início da aplicação do ciclo do Lean Startup.. |
- A ideia, que o(a) criador(a) de uma startup possui logo do início do desenvolvimento da startup, é uma visão de um produto ou serviço que deve resolver um problema específico ou aproveitar uma oportunidade de mercado / tecnologia com o objetivo de atender a um público-alvo / cliente / persona.
| Conceitos importantes aqui: - Ideia é uma generalização que pode possuir diversos níveis de abstração. - Hipótese de valor da oferta (produto e/ou serviços) - Hipótese de mercado (escalabilidade) - Product-marke |
- Construir rapidamente um MVP , um produto mínimo viável para ser testado / validado.
| Veja a discussão sobre MVP na seção “Prova de conceito, MVP e protótipo”. O conceito de MPV é explorado nessa seção, com exemplos. |
- Medir as hipóteses de valor e de mercado por meio de testes, que devem usar indicadores mensuráveis (propostas de KPIs iniciais para medir para a retenção de consumidores e geração de receitas. Quando se tornar um projeto de desenvolvimento, podemos definir resultados intermediários a serem obtidos pelo projeto, ou seja, os key results, da abordagem OKRs)
- Os dados resultantes dos testes servem de base para o aprendizado !!
- Aprender, e a partir do aprendizado pode-se perseverar em mais um ciclo ou pivotar a ideia, criando uma nova proposta da inovação (validated learning).
| - Perseverar é refinar a ideia atual, seguir na mesma direção, ajustando detalhes em um outro ciclo de aprendizado. - Pivotar é mudar de rota com base no que se aprendeu — criar uma nova abordagem ou solução mais concreta (uma nova ideia) para resolver o mesmo problema ou atender melhor o cliente. Deve aprimorar o aprendizado e manter o foco no problema do cliente. |
Muitos princípios e práticas foram divulgados com essa abordagem, como o “salto de fé" no momento de definição da ideia, mecanismos de crescimento possíveis, MVP etc. Não é nosso objetivo realizar uma apresentação completa do lean startup aqui.
| O “salto de fé" é a aposta inicial em uma ideia ainda não validada, baseada em uma crença forte sobre o problema e a solução. É onde tudo começa, o ponto de partida antes dos testes. |
Os princípios e práticas do Lean Startup foram incorporados em muitos processos de inovação, mesmo em empresas estabelecidas.
Um dos exemplos de incorporação dos princípios do lean startup em uma proposta de inovação corporativa é o “Innovator 's method”.
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É o livro mais recomendado! Fizemos um levantamento de livros sobre empreendedorismo baseado nas recomendações de 20 sites e o livro Lean Startup recebeu a melhor pontuação. Se desejar visite a planilha que criamos neste link. Na planilha você pode selecionar um site que tenha a indicação e conferir uma pequena resenha sobre esses livros. Uma explicação mais completa sobre essa análise está na seção sobre “empreendedorismo”. |
No entanto, consideramos que o Lean Startup é uma abordagem ou metodologia de experimentação.
O Lean Startup não é suficiente para embasar o desenvolvimento de startups, mas trouxe princípios e práticas muito importantes.
Modelo de negócio
Existem muitas definições de modelo de negócio (veja no nosso glossário), que estão convergindo a um consenso. Vamos adotar uma bem simples e muito popular:
“O modelo de negócio descreve a lógica de como uma organização cria, entrega e captura valor”. (Osterwalder & Pigneur, 2010).
Apesar deste consenso, as propostas de templates de modelo de negócio propõem alguns componentes diferentes. Mas a parte central de todo modelo de negócio é a proposta de valor, obtida na etapa anterior.
Características de um modelo de negócio
O modelo de negócio de uma empresa é visto como um mediador de inovações, que não só vinculam produção e consumo, mas também consideram os stakeholders e suas expectativas (Boons & Lüdeke-Freund, 2013).
Mesmo que não esteja explícito e documentado, todo negócio emprega um modelo de negócio particular. No fundo, um modelo de negócio reflete as hipóteses sobre o que os clientes desejam (proposição de valor) e como a empresa pode se organizar para atender às necessidades dos clientes e receber por isso (Teece, 2010).
O modelo de negócio deve ser uma fonte de vantagem competitiva. Portanto, ele deve ser mais do que apenas uma boa maneira lógica de fazer negócios.
O modelo de negócio, no início do desenvolvimento de uma inovação, “reflete as hipóteses”. Então, ele deve ser aperfeiçoado durante o desenvolvimento para atender às necessidades específicas do cliente e ao mesmo tempo não ser imitável em certos aspectos, tais como (Teece, 2010):
- dificuldade de replicar pela complexidade dos processos ou propriedade intelectual;
- a estrutura organizacional e arranjos dos concorrentes limitam a implementação do modelo de negócio;
- o modelo de negócio que você está propondo pode criar um distúrbio ou desequilíbrio nas relações entre os concorrentes e seus clientes, fornecedores ou parceiros importantes.
Então, pense fora da caixa!!
O modelo de negócio pode fazer parte de um business plan (plano de negócios). Neste caso, ele se torna uma representação gráfica e resumida (de alto nível) dos principais componentes do business plan.
Exemplos de métodos e ferramentas (práticas) para aplicar nesta etapa
- José Dornelas, um dos autores brasileiros mais famosos sobre empreendedorismo, publicou um livro que associa o modelo CANVAS com o plano de negócios (Dornelas, 2020).
- No SEBRAE-PR você pode se cadastrar e usar gratuitamente um aplicativo para construir o modelo de negócio CANVAS interativamente – https://www.sebraepr.com.br/servicos/canvas/
- A metodologia “Hypothesis-Driven Development” para a gestão de produtos digitais, de autoria do Alexander Cowan, adota o modelo CANVAS e apresenta um passo a passo (em inglês) de como preencher o CANVAS. Ele oferece também templates para o preenchimento.
- O método de business model design CANVAS (veja o livro “Business Model Generation: A Handbook for Visionaries, Game Changers, and Challengers”)
- O método do Lean Canvas. Esse método usa um template semelhante ao do BMC (business model canvas), mas com significado diferentes. Ele é mais apropriado para o caso de startups nas fases iniciais (descrito mais adiante).
Business model CANVAS (BMC)
A descrição aqui é bem sucinta. Caso você deseje aplicar, deve procurar publicações mais detalhadas.
O Business Model Canvas (BMC) é o método mais conhecido e amplamente utilizado para representar graficamente um modelo de negócio. Foi proposto por Alexander Osterwalder e Yves Pigneur (2010) como uma ferramenta visual que descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por uma organização.
Ele é composto por nove componentes, organizados em torno da proposição de valor central. O lado direito do canvas foca no mercado e relacionamento com os clientes, enquanto o lado esquerdo mostra os elementos internos e operacionais da empresa. A base do canvas reúne os componentes financeiros: estrutura de custos e modelo de receitas.
O template do BMC está representado na próxima figura.

Figura 956: componentes do template do Business Model Canvas (BMC)
Fonte: adaptado de Osterwalder & Pigneur, (2010).
Ordem sugerida para descrever os nove componentes
- Segmento de clientes: define os diferentes grupos de pessoas ou organizações que a empresa pretende alcançar e atender. Identificar claramente os segmentos é essencial para desenvolver uma proposta de valor coerente com as necessidades e características de cada grupo.
- Proposta de valor: descreve o conjunto de produtos e serviços que geram valor para um segmento específico. Representa o motivo pelo qual os clientes escolhem aquela empresa em vez de outra, ao resolver um problema ou satisfazer uma necessidade.
- Canais de acesso: especifica como a empresa se comunica e entrega sua proposta de valor aos clientes. Pode incluir canais físicos ou digitais, diretos ou indiretos, e contempla todas as etapas: divulgação, venda, entrega e pós-venda.
- Relacionamento com clientes: descreve os tipos de relacionamento que a empresa estabelece com cada segmento de clientes. Pode variar de interações automatizadas a atendimento pessoal, com o objetivo de conquistar, reter e ampliar a base de clientes.
- Modelo de receitas: representa a forma como a empresa gera receita a partir de cada segmento de clientes. Inclui fontes de receita, mecanismos de precificação e formas de pagamento que sustentam a viabilidade do negócio.
- Recursos principais: identifica os ativos essenciais para que o modelo de negócio funcione. Podem ser físicos, humanos, intelectuais ou financeiros, e sustentam as atividades e a entrega da proposta de valor.
- Atividades principais: descreve as ações críticas que a empresa precisa executar para que o modelo de negócio funcione, como produção, desenvolvimento, resolução de problemas, manutenção de plataformas, entre outras.
- Parcerias principais: aponta os parceiros externos, fornecedores ou alianças estratégicas que contribuem com recursos ou executam atividades importantes para a operação do modelo de negócio, permitindo foco no core business e redução de riscos.
- Estrutura de custos: reúne todos os custos relevantes para operar o modelo de negócio. Está diretamente relacionada aos recursos, atividades e parcerias necessárias, podendo ser orientada por eficiência (custos baixos) ou diferenciação (valores agregados).
Embora a sequência apresentada — começando pelo segmento de clientes e seguindo até a estrutura de custos — seja recomendada por refletir um raciocínio orientado ao mercado, na prática existem variações na ordem de preenchimento, conforme o perfil e o contexto de quem aplica. É comum, por exemplo, que empreendedores que já tenham uma ideia inicial comecem diretamente pela proposta de valor e, só depois, busquem entender melhor o mercado e os clientes — o que representa, de certo modo, uma inversão da lógica centrada no cliente. Portanto, o canvas pode ser preenchido de forma iterativa, com idas e vindas entre os componentes, à medida que as hipóteses são formuladas, testadas e refinadas.
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Críticas ao Modelo CANVAS O método de design de modelo de negócio CANVAS é o mais famoso e difundido. Existem algumas críticas sobre este método, tais como, dificuldade de distinguir entre canais e relacionamento, uma vez que hoje, por exemplo, um atendimento personalizado pode ser considerado um canal ou um tipo de atendimento (existe uma publicação de uma pesquisa da Universidade de Twente, que mostra experimentos que corroboram essas limitações do modelo CANVAS (Coes, 2014). Outras limitações do CANVAS é que só tem uma dimensão para se registrar os canais com os clientes e não tem com outros stakeholders. Diversos outros trabalhos criticam o modelo CANVAS, mas mesmo assim ele ainda é muito utilizado. Seguem dois posts de críticas ao modelo CANVAS:
Vários autores propuseram CANVAS específicos para cada tipo de problema (lembrando que a tradução literal de CANVAS é uma tela de pintura em branco). Um exemplo é o Lean canvas, no qual os componentes parceiros, atividades (processos), recursos e relacionamentos foram respectivamente substituídos por problema, solução, métricas-chave e vantagem competitiva. Aqui tem uma outra fonte do mesmo tipo de CANVAS. |
Integração com o Value Proposition Design
Caso o empreendedor já tenha utilizado previamente o método Value Proposition Design (VPD), os resultados obtidos podem — e devem — ser integrados diretamente ao preenchimento do Business Model Canvas (BMC), como ilustra a próxima figura.

Figura 1381: ilustração do uso integrado do Business Model Canvas (BMC) com o Value Proposition Design
O perfil do cliente, resultante da análise das tarefas, dores e ganhos, deve ser incorporado ao componente Segmento de clientes do BMC. Ele descreve não apenas quem são os clientes, mas também o que esperam, o que os frustra e o que desejam alcançar, oferecendo uma visão mais rica para fundamentar os demais componentes do modelo de negócio.
Por sua vez, o mapa de valor, composto por produtos e serviços, aliviadores de dores e criadores de ganhos, corresponde diretamente ao componente Proposta de valor do BMC. Esse mapa sintetiza de que forma a oferta da startup responde às necessidades e expectativas do perfil de cliente identificado.
Ao integrar esses dois componentes — perfil do cliente e mapa de valor — ao Canvas, o empreendedor transforma os insights obtidos com o VPD em elementos estruturados do modelo de negócio, podendo então seguir com o preenchimento dos demais componentes de forma mais consistente e fundamentada.
Lean Canvas: uma alternativa adaptada para startups em fase inicial
O Lean Canvas foi desenvolvido por Ash Maurya como uma adaptação do conhecido Business Model Canvas de Alexander Osterwalder. A principal motivação de Maurya foi responder às limitações enfrentadas por startups em estágios iniciais, que frequentemente não dispõem de informações suficientes para preencher componentes relacionados a processos, recursos ou parcerias — típicos de modelos de negócios já operacionais.
Ao observar que muitas startups falhavam tentando estruturar seus modelos como se já estivessem em funcionamento, Maurya concebeu uma ferramenta orientada para o experimento. Ele parte do princípio de que uma startup é, essencialmente, uma hipótese de negócio a ser testada. O Lean Canvas, portanto, foca nos riscos e incertezas mais relevantes no início da jornada empreendedora.
As principais modificações introduzidas em relação ao modelo original incluem:
- Foco no problema: o Lean Canvas começa com a identificação clara dos problemas do cliente, reconhecendo que compreender profundamente essas dores é essencial antes mesmo de pensar em soluções ou estruturas organizacionais (embora alguns empreendedores optem por começar pelo segmento de clientes).
- Substituição de componentes operacionais: em vez de exigir definição precoce de parceiros-chave, atividades principais ou recursos críticos, o Lean Canvas introduz componentes como métricas-chave, vantagem injusta, problema e solução, mais condizentes com a realidade de uma startup em fase de descoberta.
- Estrutura enxuta e iterativa: a proposta é capturar, em uma única página, os elementos mais arriscados da ideia de negócio, o que possibilitará sua experimentação e ajuste com base em aprendizados constantes.
O Lean Canvas é especialmente útil nas fases iniciais, mesmo antes da elaboração de um plano de negócios. Ele funciona como uma ferramenta exploratória para que o time empreendedor teste hipóteses, aprenda com o mercado e adapte sua proposta de valor de forma rápida e fundamentada.
Em vez de descrever uma operação consolidada, como tende a acontecer no Business Model Canvas, o Lean Canvas propõe uma estrutura voltada ao aprendizado e à validação progressiva do modelo de negócio — característica essencial em ambientes de alta incerteza, como o das startups.
| Veja uma entrevista do autor do Lean Canvas (5:49), quando ele esteve no Brasil, contando quais foram as motivações para criar essa ferramenta e também quais as principais características dela. |
A próxima figura ilustra o template do Lean Canvas. Atente para numeração colocada. Essa é uma possibilidade de sequência de preenchimento dos componentes, mas há outras possibilidades, como descrevemos mais adiante.

Figura 1382: template do Lean Canvas
Sequência e descrição dos componentes
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A sequência que apresentamos abaixo foi baseada na explicação de preenchimento descrita no vídeo do autor da ferramenta. Mas curiosamente, a sequência de números que ele coloca em uma imagem do template no vídeo é diferente. Em especial, ele mostra que definir o modelo de receitas logo após a proposta de valor é importante, porque ele influencia a decisão de compra do cliente. Se houver dois produtos semelhantes na percepção do cliente, ele provavelmente irá selecionar o mais barato. No entanto, se um dos produtos possuir uma marca já conhecida pelo cliente, sua percepção e fidelidade influenciarão a escolha. Veja no YouTube, o autor do Lean Canvas explicar como preencher o formulário (22:59). |
- Segmento de clientes: Identifique os grupos de pessoas ou empresas que mais se beneficiariam da sua solução. Busque descrever personas com base em comportamentos, necessidades e dados demográficos. Lembre-se de que cada segmento pode demandar um canvas diferente.
| Aqui seria bom empregar uma combinação dos métodos: – Mapa de stakeholders para identificar quem deveria ser analisado para levantamento de requisitos ou para não esquecer stakeholders relevantes para a proposta e – Método Persona para caracterizar melhor e de forma mais focada quem são os clientes. |
- Problema: Liste os três principais problemas enfrentados por esse segmento. O objetivo é garantir que o problema realmente exista e seja relevante o suficiente para justificar uma solução. Inclua também as soluções alternativas já utilizadas por esses clientes, se existirem, obviamente. Depois você vai comparar a sua solução com essas alternativas para definir o diferencial da sua proposta (componente 9).
- Solução: Descreva as funcionalidades ou recursos essenciais da sua oferta, respondendo diretamente a cada um dos problemas listados. Foque em um conjunto mínimo de funcionalidades viáveis — alinhado ao conceito de MVP (Produto Mínimo Viável).
- Proposta de valor: Expresse, de forma clara e direta, o principal motivo pelo qual os clientes escolheriam sua solução em vez das alternativas. Sua proposta deve comunicar um benefício percebido e desejado pelo segmento-alvo.
- Modelo de receitas: Explique como sua empresa pretende gerar receita. Inclua formas de monetização, estrutura de preços e fontes de receita. Pergunte-se: “pelo que exatamente os clientes estão pagando?” As receitas podem caracterizar a sua proposta de valor e uma diferenciação perante outras ofertas dos concorrentes.
- Canais: Determine como você pretende alcançar e se comunicar com seus clientes. Inclua canais de aquisição, entrega e suporte, tanto físicos quanto digitais.
- Métricas-chave: Defina quais indicadores são cruciais para acompanhar o progresso e o desempenho do negócio. Elas devem refletir os comportamentos que impulsionam o crescimento ou validam suas hipóteses (ex. CAC — custo de aquisição de cliente; taxa de conversão — proporção de pessoas que realizam uma ação desejada, como comprar, se cadastrar ou clicar em um link, em relação ao total de visitantes ou usuários; churn — percentual de clientes que deixaram de usar o produto ou cancelaram o serviço em um determinado período).
- Modelo de custos: Liste os principais custos relacionados à operação e entrega da proposta de valor. Considere tanto custos fixos como variáveis, desde desenvolvimento até marketing e infraestrutura.
- Vantagem única (diferencial): Identifique o que torna seu negócio difícil de ser imitado ou superado. Pode ser uma tecnologia proprietária, uma comunidade exclusiva, uma parceria estratégica ou mesmo um insight único sobre o mercado. Este componente é muitas vezes difícil de definir inicialmente, mas essencial para consolidar uma posição defensável.
Categorização dos componentes com relação ao valor
Valor é a percepção que o cliente ou stakeholder tem dos benefícios obtidos com um produto ou serviço em comparação aos sacrifícios exigidos para acessá-lo — sendo que, em ofertas comerciais, o principal sacrifício costuma ser o preço pago.
- Criação de valor: Problema, Segmento de clientes, Solução, Proposta de valor
Esses componentes estão relacionados ao processo de entender um público específico e propor uma solução relevante para seus problemas. Representam a base da criação de valor, ou seja, o motivo pelo qual o negócio existe e aquilo ele pretende oferecer ao mercado. - Entrega de valor: Canais
Este componente trata dos meios pelos quais a proposta de valor será efetivamente entregue ao cliente. Pode incluir canais de comunicação, distribuição, atendimento e suporte. Está diretamente ligado à forma como o cliente acessa e experiencia a solução proposta. - Mensuração do valor: Métricas-chave
Aqui são definidos os principais indicadores que permitem acompanhar a evolução e o desempenho do negócio. Essas métricas fornecem insumos objetivos para avaliar se o valor está sendo entregue como esperado e orientar ajustes necessários. - Defesa do valor: Vantagem única (diferencial)
Este componente diz respeito aos elementos que protegem o negócio da concorrência, como barreiras à imitação, diferenciais únicos, redes exclusivas ou propriedade intelectual. Será a sustentação da proposta de valor no médio e longo prazo. - Captura de valor: Modelo de receitas, Modelo de custos
Esses dois componentes representam a lógica financeira do negócio: como ele gera receita a partir da proposta de valor e quais são os custos associados à sua operação. Mesmo de forma simplificada, essa combinação é essencial para testar a viabilidade econômica da ideia.
Variações da sequência de preenchimento do Lean Canvas
Por onde começar
Na figura apresentada, os componentes Segmento de clientes e Problema aparecem numerados com “1(2?)” e “2(1?)”, respectivamente. Isso reflete a flexibilidade da ordem de preenchimento. Muitas pessoas preferem começar pelo Problema, principalmente quando já têm familiaridade com um determinado contexto e desejam estruturar sua ideia com base em dores percebidas. Nesse caso, o segmento de clientes pode ser descrito posteriormente, com base nos indivíduos ou grupos que vivenciam essas dores. Contudo, a sequência mais comum — e conceitualmente mais alinhada com abordagens baseadas em métodos de entendimento — é iniciar pelo Segmento de clientes, para então identificar seus problemas reais.
Em seguida inserir a proposta de valor?
Da mesma forma, há autores que recomendam preencher primeiro a Proposta de valor e só depois a Solução, tratando esta como um detalhamento daquela. No entanto, quando já se conhece os problemas do segmento, faz mais sentido registrar logo as soluções propostas, deixando a proposição de valor como uma síntese posterior que articula claramente o principal motivo pelo qual os clientes escolheriam a oferta.
O que vem primeiro: canais ou receitas?
Outro ponto importante é a relação entre Canais e Modelo de receitas. Embora o modelo de receitas normalmente venha após a proposta de valor, o tipo de canal utilizado pode influenciar diretamente a forma como o valor é entregue e, consequentemente, capturado. Em alguns casos, os canais são definidos primeiro, pois funcionam como uma extensão do produto e uma ponte com o cliente — especialmente quando o canal é parte essencial da experiência ou do diferencial competitivo.
Você não vai acertar no primeiro preenchimento
É importante destacar que o preenchimento do Lean Canvas é iterativo e preliminar. Não se espera que o primeiro preenchimento seja completo, exato ou definitivo. Pelo contrário: ele serve para criar rapidamente uma primeira visão integrada do negócio e, a partir disso, gerar aprendizados, ajustes e validações. A ênfase está na velocidade e clareza inicial, permitindo revisões contínuas conforme a evolução do entendimento sobre o mercado, o cliente e a própria solução..
“Modelo de custos” no Lean Canvas
O modelo de custos no Lean Canvas deve ser entendido como uma estimativa superficial e provisória. Isso porque, ao contrário de modelos mais completos como o Business Model Canvas, ele não inclui os componentes que permitiriam estimar com mais precisão os custos envolvidos, como parceiros-chave, recursos principais e atividades essenciais.
Esse nível de simplificação, no entanto, é proposital e está alinhado com o estágio inicial de desenvolvimento de uma startup. Quando ainda se estiver explorando a solução, com alto grau de incerteza, é natural que não se conheça com clareza os processos envolvidos nem os recursos e estruturas necessárias. Portanto, essa limitação não é uma falha do modelo, mas uma característica coerente com sua proposta.
O objetivo desse componente é apenas reservar um espaço para que, à medida que o entendimento sobre o negócio evolua, os custos possam ser revisados e refinados. Assim como o restante do Lean Canvas, ele serve como ponto de partida para experimentação e aprendizado — não como um plano financeiro detalhado.
Comparação entre os principais métodos e ferramentas das fases iniciais
Ao longo do processo de entendimento do cliente, definição da proposta de valor e estruturação preliminar do modelo de negócio, mencionamos cinco métodos e ferramentas que se destacam por sua utilidade em diferentes momentos e propósitos. A seguir, fazemos uma comparação entre eles, destacando seus focos principais e a forma como se complementam.
- Design Thinking: É uma abordagem centrada no ser humano que busca compreender profundamente os usuários, definir com clareza os problemas relevantes e gerar soluções criativas por meio da ideação, prototipação e testes. Seu processo é iterativo e exploratório, geralmente estruturado em fases como empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. O Design Thinking se destaca por anteceder outros métodos — como Lean Startup — ao atuar fortemente na fase de entendimento do problema e na geração de ideias, sendo especialmente útil quando ainda não se sabe qual solução desenvolver. Ele oferece uma base sólida para explorar oportunidades antes de entrar em processos de validação mais estruturados.
- Value Proposition Design (VPD): Focado na criação e refinamento da proposta de valor. Divide-se em dois lados — o perfil do cliente (tarefas, dores e ganhos) e o mapa de valor (aliviadores de dores, criadores de ganhos e oferta). É especialmente útil para garantir o alinhamento entre o que a empresa oferece e o que os clientes realmente valorizam. Parte do pressuposto de que o cliente já foi compreendido e busca traduzir esse entendimento em uma oferta coerente.
- Job-to-be-Done (JTBD): Método centrado na identificação das tarefas que os clientes desejam realizar, sejam elas funcionais, emocionais ou sociais. Ao contrário do VPD, não parte diretamente de uma solução, mas de um progresso desejado pelo cliente. Serve como base para investigar profundamente os motivos que levam uma pessoa a adotar (ou não) uma solução. É uma abordagem mais abstrata, útil para orientar decisões estratégicas antes da definição da oferta.
- Business Model Canvas (BMC): Modelo visual para descrever, analisar e comunicar a lógica de criação, entrega e captura de valor de uma organização. Organiza o modelo de negócio em nove componentes, com foco tanto no mercado quanto na estrutura interna da empresa. Sua principal limitação, quando aplicado a startups iniciais, é exigir definições que ainda não estão claras, como recursos, parceiros e atividades-chave.
- Lean Canvas: Adaptação do BMC para o contexto de startups, com foco em risco e aprendizado. Substitui os componentes internos por elementos mais condizentes com o estágio inicial, como problema, solução, métricas-chave e vantagem injusta. É uma ferramenta pragmática, usada para documentar hipóteses de negócio rapidamente, sem exigir detalhamento de processos ainda inexistentes.
- Lean Startup: Mais do que uma ferramenta, é uma abordagem de desenvolvimento baseada em ciclos iterativos de construir–medir–aprender. Propõe validar hipóteses por meio de experimentos e MVPs antes de investir em escala. Serve como uma estrutura de fundo para utilizar ferramentas como o Lean Canvas e o VPD em um processo contínuo de teste e ajuste. Na verdade, consideramos o Lean Startup como uma metodologia de experimentação, apesar de que a maior parte dos autores tratam como uma metodologia de desenvolvimento de startups. Isso é condizente com a realidade daquela construção de startups com velocidade a partir de uma ideia consolidada.
Quadro 1383: Comparação entre os conceitos (informações) constantes em cada método das fases iniciais do processo de empreendedorismo independente
| Atividade / conceito | DT | VPD | JTBD | BMC | LC | LS |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Explora profundamente o cliente | ✓ | ✓ | ✓ | |||
| Identifica problemas ou dores | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ||
| Inclui segmentos de clientes | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ||
| Explicita atividades de ideação | ✓ | |||||
| Apresenta solução (oferta) | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | |
| Foco na proposta de valor | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ||
| Foco na proposta de valor | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ||
| Inclui canais de entrega | ✓ | ✓ | ||||
| Descreve modelo de receitas | ✓ | ✓ | ||||
| Descreve estrutura de custos | ✓ | ✓ | ||||
| Define recursos, parceiros ou processos | ✓ | |||||
| Explícita a construção de um protótipo | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | |
| Propõe explicitamente testes | ✓ | ✓ | ✓ | |||
| Baseado em hipóteses iterativas | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | |
| Adequado para estágios iniciais | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
Legenda do quadro:
- DT: Design Thinking
- VPD: Value Proposition Design
- JTBD: Job to Be Done
- BMC: Business Model Canvas
- LC: Lean Canvas
- LS: Lean Startup
Business Plan (plano de negócios)
Utilizamos o termo em inglês, pois é muito utilizado e para se contrapor ao business case, cuja tradução literal “caso de negócio” não é muito utilizada. Utilize, no entanto, o termo mais alinhado com a cultura da sua empresa.
Segundo Dornelas (2018), “o plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócio que sustenta a empresa. Sua elaboração envolve um processo de aprendizagem e autoconhecimento e ainda permite ao empreendedor situar-se no seu ambiente de negócios”.
O plano de negócios pode ser baseado na projeção de um fluxo de caixa esperado, quando as características da inovação e do mercado forem conhecidas. No caso de inovações mais radicais associadas a muitas incertezas, a parte financeira do plano de negócios é baseada em suposições e testes realizados com o MVP.
| Conheça a seção específica sobre plano de negócios (business plan), onde esta etapa é detalhada. |
Em geral, um business plan pode ser usado para captação de recursos financeiros com o objetivo de dar continuidade ao negócio. Na seção sobre business plan são descritos outros objetivos.
Se as primeiras séries de investimento ocorrerem, o processo de desenvolvimento de um empreendedorismo tem continuidade. É quando se procura superar o vale da morte.
Plano de marketing
O plano de marketing faz parte da proposta da maioria dos templates de business plan, ou seja, é uma das seções do plano de negócios. Mas isso só faz sentido quando o negócio já estiver maduro o suficiente a ponto de já ter uma oferta bem determinada.
Muitas vezes, uma startup, que propõe uma inovação mais radical, não possui uma especificação detalhada dos seus produtos e serviços. A primeira versão do plano de negócios, então, não possui um plano de marketing detalhado. Ela apresenta somente uma ideia inicial ou até um primeiro MVP. Tudo depende do nível de evolução da startup.
Então, nos casos em que o business plan foi elaborado para alavancar os investimentos iniciais, ou seja, a especificação das ofertas já existe, é possível desenvolver plano de marketing detalhado, que pode conter:
- estratégias de precificação
- modelo de cobrança
- canais de relacionamento com os clientes (para divulgação e propaganda, atendimento pré vendas, vendas, entrega, atendimento, assistência técnica etc.)
Um plano de marketing e principalmente sua execução são primordiais para se superar o abismo da inovação, quando a empresa já tiver vendido suas ofertas para os primeiros adeptos (early adopters) e precisa atingir a maioria inicial de clientes (early majority) para conseguir escalar.
Veja que neste momento não estamos falando mais de um MVP e sim de ofertas que já estão sendo vendidas.
Uma possível estrutura de um plano de marketing é (Peçanha, 2021):
- Sumário executivo;
- Diagnóstico;
- Análise do ambiente;
- Concorrentes;
- Público-alvo e persona;
- Posicionamento;
- Objetivos;
- Metas e indicadores;
- Estratégias de marketing;
- Recursos e orçamento;
- Cronograma e responsáveis.
| Esta estrutura foi retirada da publicação do blog da rockcontent (Peçanha, 2021), que é uma das melhores fontes de informação sobre marketing em português com acesso gratuito. Recomendamos que você leia este post que mostra como obter este plano de marketing. |
Observe que existe uma certa superposição entre o conteúdo de um plano de marketing e um plano de negócios, principalmente nas seções iniciais dos dois. Isso significa que este plano de negócios pode ser incluído em uma nova versão do plano de negócios, quando as ofertas da empresa estiverem mais maduras.
Tanto o plano de negócios como o plano de marketing podem ser aperfeiçoados durante o desenvolvimento da inovação.
Um bom plano de marketing é essencial para embasar novas rodadas de captação de recursos.
| Outro aspecto do marketing é definir e registrar a marca da empresa ou associada a um negócio, que às vezes é negligenciado pelos empreendedores “de primeira viagem”. O registro da marca é um dos direitos da propriedade intelectual discutida na próxima etapa. |
Organização: pessoas, estrutura organizacional, questões jurídicas e propriedade intelectual
Após as primeiras rodadas de investimento, a startup deve crescer e aí é o momento de organizar a empresa para que possa crescer de forma harmônica. Mas, tente não incorrer no erro de burocratizar a empresa.
Adote as novas formas de organização para que a empresa continue ágil. Para isso, consulte as alternativas de “arquiteturas organizacionais” do capítulo “pessoas e organização”.
O mais importante é contratar pessoas com perfil empreendedor para trabalhar na empresa, com as características que listamos anteriormente. Logicamente, nem todos na empresa terão todas as características listadas. Aquelas características são uma referência para você adotar.
Conte com empresas de consultoria em gestão de pessoas para apoiar a contratação. Isso quando você já tiver capital suficiente para crescer.
Mas a organização não trata somente das questões de gestão de pessoas e estrutura organizacional
Questões jurídicas
Considerar as questões jurídicas é crucial para garantir uma evolução harmoniosa de novos negócios. Manter a startup sem pendências jurídicas é muito importante para as rodadas de investimentos, pois os investidores se tornarão sócios e não querem correr riscos.
O mesmo ocorre se a startup participar de um processo de M&A, fusão e aquisição, ou quando for lançar ações na bolsa de valores (IPO).
Os investidores farão um procedimento de due diligence, como explica o glossário da flexM4i: “Auditoria realizada antes de uma transação societária (como fusão, aquisição ou investimento) com o objetivo de verificar os aspectos jurídicos, contábeis, fiscais, operacionais e comerciais da empresa-alvo. Permite identificar riscos, responsabilidades e oportunidades, garantindo maior segurança na tomada de decisão”.
| Leia mais: – Existem muitos artigos na web sobre assessoria jurídica para startups. Em geral, são artigos publicados por prestadores de serviços. Escolhemos um deles para indicar a leitura, mas você pode encontrar outros: Como uma assessoria jurídica ajuda sua Startup? – Conheça a seção da flexM4i sobre Fusões e aquisições (M&A). |
Propriedade intelectual
A propriedade intelectual é um conceito, que geralmente é regulamentado por leis para garantir a proteção de produtos ou processos, tanto tangíveis como intangíveis. A propriedade intelectual deve ser obtida pelas startups para proteger suas inovações.
| Leia mais sobre este assunto na seção sobre a prática de licenciamento da propriedade intelectual |
Planejamento financeiro
Este é um assunto pouco tratado em algumas startups. Se a sua empresa já estiver neste ponto de evolução, ela pode ser considerada uma scale-up, apesar de que no mercado é comum ainda tratá-la como startup.
O planejamento financeiro estabelece um cronograma de desembolso de acordo com as estratégias e necessidades. Porém, é comum encontrar startups, que receberam investimentos e “torraram” o dinheiro, precisando sempre de mais investimentos para se manter.
Por isso, na fase ainda de crescimento, preocupe-se com a obtenção de alguma receita para provar a escalabilidade do negócio e controle a sua “burn rate” (a taxa de meses que você ainda tem pela frente para cobrir as suas despesas com o que você tem em caixa ). Sem essa prática, provavelmente você terá dificuldades em receber novas rodadas de investimento, o que pode comprometer o futuro da startup.
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Burn rate? Leia mais sobre “burn rate” neste link: https://nfe.io/blog/saas/burn-rate/ . O cálculo do burn rate deste link é limitado a um período. Se você extrapolar esse valor para um período maior, verá quantos meses você ainda pode “sobreviver” com essa taxa negativa. Este site indica algumas dicas para você diminuir o seu burn rate. Baixamos uma planilha muito simples do site: https://corporatefinanceinstitute.com/resources/templates/excel-modeling/burn-rate-template/ e colocamos aqui para você consultar e entender o conceito. |
Outras questões financeiras são importantes de serem consideradas para que a sua empresa não esteja com “esqueletos escondidos” na hora de um possível exit (venda). Por isso, sempre é aconselhável você contratar bons contadores e advogados que avaliam se existe algum problema fiscal ou trabalhista. Algo que investidores, em novas rodadas, vão avaliar para não correr o risco de assumirem um passivo com problemas.
Aceleração, crescimento e expansão
Colocamos essas três etapas na figura, em cima da curva típica de crescimento das receitas, para representar uma possível evolução de um empreendimento.
Qual a diferença entre aceleração, crescimento e expansão?
Semanticamente esses três termos podem ser considerados sinônimos no contexto da evolução de uma startup. Fazemos uma pequena diferenciação somente para mostrar uma evolução. No entanto, não existe um consenso sobre essa diferenciação. Além disso, este entendimento muda conforme o autor.
- Aceleração: deve ocorrer logo após a formulação de uma ideia viável e, talvez, a existência de um MVP inicial. A aceleração tem o objetivo de preparar a empresa para receber os primeiros aportes de capital de risco. Ela culmina com um “demo day” para investidores.
- Crescimento: Ocorre logo após a aceleração. O objetivo é ultrapassar o “abismo da inovação”, como mostramos na etapa do plano de marketing.
- Expansão: Podemos considerar uma superposição entre a fase de crescimento e expansão e, como citamos, podem ser consideradas sinônimos. Porém, na flexM4I consideramos essa fase após ultrapassar o “abismo da inovação” e ganhar mercado até começar a atingir a fase de sustentação.
Saída (exit)
Exit é o objetivo de muitos fundadores e investidores em startups. O exit pode ocorrer por um processo de M&A ou um IPO (“Initial Public Offering” em português “Oferta Pública Inicial”) em uma bolsa de valores.
O exit é quando um dono de uma participação em uma startup tem a oportunidade de encontrar um comprador para a sua participação (ou para um percentual da participação) por uma quantia monetária.
Muitas vezes, uma grande empresa que vem trabalhando com uma startup considera que deve comprar a startup para que a concorrência não tenha acesso à tecnologia desenvolvida ou mesmo porque as soluções criadas em conjunto são estratégicas.
Veja que na figura colocamos uma flecha para representar o exit “após” a fase de crescimento. Mas na verdade, o exit pode ocorrer a qualquer momento na evolução da startup / scale up.
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Selecionamos alguns links para você ler mais sobre Exit: |
Sustentação e maturidade
Na fase de sustentação, o objetivo principal da empresa é buscar a excelência operacional do negócio para aumentar as margens por meio do aumento de produtividade ou diminuição dos custos. É quando são aplicadas técnicas lean e digitalização na manufatura e nas operações de outros processos de entrega de valor.
A fase de maturidade é quando já ocorre um decréscimo das vendas e as ofertas precisam ser substituídas e/ou atualizadas (nova geração).
| Leia mais na flexM4i “Curva S: entendendo os estágios de evolução e difusão da inovação“. |
Captação de recursos (ciclos de financiamento)
Observe na figura a seguir que há diversas alternativas para captação de recursos. Colocamos a mesma curva de evolução do negócio da figura 781 do início desta seção, que representa as fases do ciclo de vida de uma startup e as principais etapas de empreendedorismo.
Figura 784: fontes e ciclo de fomento de startups (clique na figura para aumentá-la em outra aba)
| Veja o tópico “Fontes de fomento para startups e empreendedorismo” para acessar a descrição dessa figura e os links para cada modalidade de investimento. |
Algumas fontes listadas vão além do financiamento e fornecem mentoria e, eventualmente, participam na gestão operacional da startup, como por exemplo, venture building (VB).
Experimentar, avaliar, selecionar, pivotar e aprender
Embora esteja representada como uma etapa posterior, esta atividade permeia todo o processo desde o início. Sempre que surgirem ideias e hipóteses, é essencial testá-las, aprender e ajustar o rumo conforme necessário.
Veja na figura 781, que repetimos a seguir, que essas 5 atividades estão associadas a uma área azul, que abrange todas as etapas descritas anteriormente.

Figura 781: fases do ciclo de vida de uma startup e principais etapas de empreendedorismo.
Isso foi feito para representar que o tempo todo, durante o desenvolvimento da startup, as ideias, especificações e soluções propostas são inicialmente hipóteses, que devem ser validadas.
A validação é realizada por meio de experimentos. Caso existam alternativas, uma ou mais devem ser selecionadas. Dependendo do resultado das experimentações, o time do empreendimento pode pivotar, ou seja, mudar o rumo do desenvolvimento (aperfeiçoar ou mesmo mudar). Se for validada, o desenvolvimento do empreendimento poderá continuar. Finalmente, destaca-se que, neste processo iterativo / cíclico, é essencial aprender sempre.
O ciclo apresentado é uma evolução dos conceitos do ciclo ideia – medir – testar do Lean Startup.
Mas o que é avaliado?
Dissemos que as hipóteses devem ser avaliadas. Listamos a seguir alguns exemplos de questões relacionadas com as hipóteses (não temos a pretensão de esgotar as possíveis hipóteses, que devem ser mais específicas e concretas caso a caso):
- As dores e problemas levantados são relevantes para os clientes?
- As oportunidades trazem um potencial de ganho e atende aos clientes?
- O desafio é relevante e conseguimos enfrentá-lo?
- As ideias são implementáveis, relevantes, resolvem os problemas e/ou atende às necessidades dos clientes?
- A proposição de valor resolve os problemas e desafios, aproveita as oportunidades, atende às necessidades dos clientes (possui market fit?) e de outros stakeholders?
- O modelo de negócio é implementável, garante escalabilidade dentro da janela de oportunidade mercadológica?
- O business plan é factível e traz valor para todos os stakeholders?
- O plano de marketing permite superar o abismo da inovação?
- A organização possui capabilidades para escalar?
- O planejamento financeiro mostra retorno e um fluxo de caixa compatível com as expectativas dos investidores?
Existem diversos métodos e tipos de POCs, MVPS e protótipos que são utilizados para responder a essas questões e comprovar as hipóteses de valor e mercado.
| Veja a seção “Experimentar, avaliar, selecionar, aprender e pivotar”do capítulo “lógica da inovação” |
Gestão do ecossistema
Assim como a experimentação, a gestão do ecossistema permeia todas as etapas do processo de empreendedorismo independente . Desde a incubação até a maturidade, a startup deve buscar apoio, conexões, recursos e aprendizado junto aos atores do ecossistema.
Repetimos novamente a figura 781 para ilustrar a abrangência da gestão do ecossistema.

Figura 781: fases do ciclo de vida de uma startup e principais etapas de empreendedorismo.
De uma forma simplificada, na perspectiva de uma startup, a gestão do ecossistema significa identificar atores importantes e conectar-se com esses atores segundo as diversas modalidades de conexão. Observe que a figura destaca a captação de recursos (etapa já apresentada). Porém, junto da captação de recursos ocorre o aprendizado que os empreendedores precisam obter relacionando-se com atores do ecossistema.
Geralmente, no início do seu ciclo de vida, uma startup pode não ter ainda a capacidade de se conectar. Essa é a razão pela qual uma startup nessa fase pode estar inserida em um programa de incubação ou aceleração, ou outros de corporate venturing..
Conforme a startup evolui, a gestão do ecossistema fica cada vez mais necessária.
Recomendamos que você revise as “Dicas para empreendedores(as)” que colocamos na seção sobre empreendedorismo independente.
Qualquer empresa hoje em dia precisa praticar a inovação aberta e estar inserida em um ecossistema. Um novo empreendimento tem de fazer proveitos dos atores que existem no ecossistema de inovação e de empreendedorismo.
Seja no início para conseguir um apoio básico e infraestrutura para trabalhar a ideia; uma mentoria para começar a evoluir; um investimento inicial para criar um MVP; uma mentoria mais abrangente para acelerar o empreendimento; novos ciclos de investimento; assessorias jurídicas e financeiras; mentorias em gestão; etc.
Além disso, podem existir atores que se tornam parceiros de tecnologia, operação e outros processos de negócio essenciais para o sucesso do empreendimento.
Listamos somente alguns exemplos da importância de se gerenciar um ecossistema para o desenvolvimento de um empreendimento.
Nas seguintes seções vamos listar os principais atores de um ecossistema:
- ecossistema de inovação e empreendedorismo
- inovação / empreendedorismo corporativo & intraempreendedorismo (se o propósito / estratégia da startup for prestar serviços e criar soluções para corporações)
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Veja a seção “Gerenciar ecossistema” da lógica da inovação para entender como as empresas estabelecidas tratam das startups. Conheça também a seção sobre “Conexão empresa-startups”, caso a sua startup pense em criar soluções para empresas estabelecidas. O conhecimento dessa seção vai possibilitar que você conheça como essas empresas atuam para desenvolver projetos em conjunto com startups. |
Referências
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