Fontes para a inovação
De onde surgem as inovações?
flexM4I > abordagens e práticas > Fontes para a inovação (versão 1.0)
Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected])
Conteúdo desta página
- 1 Introdução
- 2 Dicas de como ler na flexM4i
- 3 Artefatos iniciais da inovação - resumo
- 4 Só conhecer as fontes não é suficiente
- 5 Possíveis fontes de informações e inspiração para inovação
- 5.1 Estratégias, previsões, tendências e processo de discovery
- 5.2 Patentes, novos conhecimentos, publicações, regulamentações, eventos, feiras e networking
- 5.3 Business Intelligence and Analytics, inteligência artificial generativa e novas abordagens
- 5.4 Pedidos sob encomenda e editais
- 5.5 Benchmarking, vendas, clientes, SAC, mudanças e choques
- 5.6 Situação atual da empresa e suas ofertas
- 5.7 Design e solução de problemas
- 5.8 Pessoas com repertório e capacidade cognitiva
- 5.9 Intraempreendedorismo, gestão de ideias e P&D
- 5.10 Modelos de referência, BOKs, padrões, normas e ecossistemas
- 5.11 A empresa segundo von Hippel
- 6 Seções complementares
- 7 Referências
Introdução
Esta seção é o segundo detalhamento da seção sobre os “Artefatos iniciais da inovação”, cujo resumo mostramos a seguir. Após apresentar as motivações da inovação, apresentamos aqui possíveis fontes que as empresas podem explorar para obter o que intitulamos de entradas (inputs) para a inovação (a próxima seção da série).
Há muitas publicações que apresentam o processo de inovação a partir de uma ideia, o que é possível em alguns segmentos quando uma pessoa realmente conhece com profundidade um problema a ser resolvido. Essa pessoa muito capacitada formula uma ideia, cria um MVP, testa, pivota ou persiste no desenvolvimento, após aprender em cada ciclo. Este processo é conhecido como o ciclo construir-medir-aprender da abordagem Lean Startup (Ries, 2011).
Porém, nem sempre se consegue ser essa pessoa capacitada. Por este motivo, algumas empresas integram o design thinking com o lean startup para gerar boas ideias. As empresas precisam conhecer outras fontes de informações e inspiração com o objetivo de aumentar sua chance de obter ótimas ideias. Além disso, como apresentamos na terceira seção desta série, a ideia é uma generalização de diversos artefatos, que podem evoluir a partir do que for extraído das fontes listadas nesta seção.
As empresas precisam conhecer outras fontes de informações e inspiração com o objetivo de aumentar sua chance de obter ótimas ideias.
Dessas fontes podem ser extraídas o que denominamos de possíveis entradas (inputs) para inovação, tais como, fraquezas, ameaças, problemas, dores, ganhos, necessidades, desejos, insights, ideias, oportunidades, desafios e até conceitos e requisitos para o desenvolvimento de um novo produto ou serviço.
As possíveis alternativas de onde surge uma inovação podem compor um checklist para que você avalie se na sua empresa essas fontes estejam sendo consideradas. Pode haver fontes de inovação que passam despercebidas e que poderiam alavancar a capabilidade inovadora da sua empresa. Ou melhor, sua empresa poderia identificar fontes de inovação que não estão sendo exploradas.
Dicas de como ler na flexM4i
A teoria e prática da inovação são complexas com diversas perspectivas. Por este motivo, os conteúdos da flexM4I estão interligados em uma rede de hiperlinks, que “poluem” as páginas da flexM4i.
Não espere realizar uma leitura linear. Já vá treinando o pensamento integrativo ao navegar pela flexM4i. Assim, você adquire uma visão sistêmica necessária para entender a complexidade da inovação.
- Se a seção atual for a principal (inicial) para a sua leitura, leia até o final e depois retorne para explorar os links. Verifique se no final desta seção há uma síntese dos links para você explorar posteriormente.
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Alternativas de leitura:
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Veja a definição de pensamento integrativo no glossário da flexM4i. |
Artefatos iniciais da inovação - resumo
A próxima figura ilustra os tipos de artefatos iniciais da inovação, que tratamos na flexM4i.
Figura 1318: artefatos iniciais da inovação (clique na figura para baixar o pdf com os links para as seções correspondentes)
Essa figura ilustra:
- Motivações da Inovação: A inovação pode ser impulsionada por diferentes motivações, como manter a competitividade e lucratividade, cumprir o propósito organizacional e se adaptar a mudanças externas.
- Fontes para a Inovação: As inovações surgem de diversas fontes, incluindo servitização (como um exemplo de uma nova abordagem de negócio), processo de discovery, novas tecnologias, mudanças regulatórias, benchmarking, análise de tendências e feedbacks de clientes.
- Entradas (Inputs) da Inovação: A partir das fontes, extraímos os inputs da inovação, como fraquezas, ameaças, problemas, dores, ganhos, necessidades e desejos. Esses inputs são sintetizados em ideias, oportunidades e desafios, permitindo organizar e priorizar as iniciativas inovadoras. Alguns inputs também podem retroalimentar as motivações.
- Evolução para Conceitos e Requisitos: Os artefatos iniciais (ideias, oportunidades e desafios) evoluem para conceitos, requisitos e visões de produtos/serviços ou projetos. Essa é a base para as fases de detalhamento, principalmente em inovações de produtos físicos. Em inovações incrementais, os inputs podem já conter conceitos definidos, requisitos claros e até uma visão estruturada, antecipando etapas do processo de inovação.
- Processo Iterativo e Não Linear: A flecha na base da figura representa a evolução da inovação, que contém ciclo iterativos e adaptativos, que envolvem algumas categorias de processos de inovação (veja a figura)
Um descrição um pouco mais detalhada desta figura está na seção “Artefatos Iniciais da Inovação”, que introduz as três seções relacionadas com os artefatos iniciais. |
Só conhecer as fontes não é suficiente
No próximo tópico listamos possíveis fontes para a inovação. No entanto, para que uma fonte possa ser efetivamente explorada, é necessário desenvolver capabilidades específicas que permitam transformar informações e insights em ações concretas. Essas capabilidades vão além da simples disponibilidade de recursos ou ferramentas, abrangendo competências organizacionais, processos bem definidos e uma cultura propícia à inovação.
Para explorar cada fonte de forma eficaz, considere os seguintes elementos essenciais:
- Definir Processos Estruturados: Em alguns casos, é necessário estabelecer processos claros, especialmente para coletar, analisar e transformar informações provenientes das fontes de inovação em ideias ou oportunidades viáveis.
- Adotar Metodologias, Métodos e Ferramentas: Utilize abordagens sistemáticas como Design Thinking, Lean Startup ou Business Model Canvas. Ferramentas como checklists, questionários e modelos de níveis de prontidão (Technology Readiness Level – TRL) podem apoiar a avaliação crítica das informações obtidas.
- Desenvolver Competências e Repertório nas Pessoas: As pessoas são, ao mesmo tempo, uma fonte de inovação e o meio pelo qual a inovação acontece. É fundamental investir em formação contínua e proporcionar repertório diversificado aos colaboradores, estimulando a criatividade e a capacidade analítica.
- Fomentar uma Cultura de Inovação: A cultura organizacional deve incentivar a experimentação, tolerar falhas controladas e valorizar a contribuição de todos os níveis da organização para o processo de inovação.
- Promover o Intraempreendedorismo: Iniciativas de intraempreendedorismo, como programas de inovação interna, podem ser usadas para transformar ideias em projetos concretos, gerando inovação de dentro para fora da organização.
- Explorar Modelos de Referência: Utilize modelos de referência consagrados no mercado para estruturar a abordagem da inovação. Esses modelos podem oferecer diretrizes claras e exemplos práticos de como utilizar as fontes de inovação de forma estratégica.
- Acompanhar Novas Tendências Organizacionais e Abordagens: Esteja atento a novas metodologias, práticas e modelos organizacionais que possam ampliar as possibilidades de uso das fontes de inovação, mantendo a empresa na vanguarda do mercado.
- Adotar Ferramentas Computacionais Apropriadas: As tecnologias digitais podem facilitar o uso das fontes de inovação, desde a coleta e análise de dados até a prototipagem e simulação de soluções.
A flexM4i traz seções que tratam da maior parte das abordagens e práticas listadas nesses tópicos. Ao citar uma fonte, indicamos (quando existir) uma seção específica da flexM4i, onde você pode se aprofundar e conhecer quais as condições para explorar a fonte. Outras fontes você deve explorar buscando informações em outros lugares.
Importante: Esta lista não esgota as capabilidades necessárias para explorar todas as fontes de inovação. Ao identificar uma fonte que sua empresa não considera atualmente, busque aprofundar o entendimento sobre ela, avaliando as condições e os requisitos necessários para aproveitá-la de forma eficaz. |
Possíveis fontes de informações e inspiração para inovação
Apresentaremos a seguir uma lista de fontes de informação e inspiração para inovação, que se sobrepõem e possuem níveis de abstração, abrangência e detalhamento diferentes.
Algumas dessas fontes vieram de três publicações, que indicaremos com os seguintes números entre parênteses:
(*1) Drucker (2014)
(*2) Tidd; Bessant (2021)
(*3) von Hippel (1988) atualizada pela publicação de Philipson (2020)
Consulte as referências para acessar os títulos dessas publicações. Quando não houver essas indicações, a fonte de inovação foi baseada na experiência do autor desta seção. |
A próxima figura ilustra possíveis origens / fontes de inovação.
Figura 84: fontes de oportunidades, desafios e ideias para inovação.
Parte das informações indicadas na figura acima resultam dos processos de rastrear, monitorar e analisar o contexto (uma das categorias de processo da lógica da inovação).
Os links das descrições apresentadas a seguir indicam leituras adicionais publicadas na flexM4I. Recomendamos que você deixe esta página sempre aberta e abra o link em outra aba ou página, quando desejar obter informações adicionais. |
Como a figura anterior é muito carregada de elementos, vamos dividir sua apresentação por partes.
Estratégias, previsões, tendências e processo de discovery
- Estratégias (caminho top-down), que, quando tiverem sido definidas, podem ser derivadas na análise de forças, fraquezas, oportunidades, ameaças, problemas, dores etc., resultantes da análise da situação atual e futura do contexto. As estratégias devem ser alinhadas com a execução de estratégias e com as iniciativas bottom-up de intraempreendedorismo. Explorar as demais fontes de inovação listadas a seguir podem ter sido derivadas de estratégias de inovação;
- Previsões (foresights) e tendências (que podem ser utilizadas no contexto do planejamento estratégico): Identificar direções em que o mercado ou a tecnologia estão se movendo pode ser uma fonte de inovação, à medida que as empresas procuram antecipar ou liderar mudanças.
- Processo de descoberta (discovery): Algumas empresas estabelecem este processo para uma busca focada em novos negócios, inovações disruptivas, mais radicais ou estratégicas. As propostas resultantes deste processo podem entrar no planejamento da inovação quando as ideias estão embrionárias ou mesmo depois das primeiras validações das hipóteses de valor e/ou de mercado.
Patentes, novos conhecimentos, publicações, regulamentações, eventos, feiras e networking
- Patentes, licenciamento de propriedade intelectual – IP : Proteção de invenções e criações originais que permite a comercialização segura de novas tecnologias e modelos de negócio, incentivando o investimento em inovação. Além disso, a busca por patentes e o conhecimento das submissões já realizadas trazem oportunidades e ideias para inovações (sem incorrer nos erros que outras pessoas já cometeram no passado);
- Novos conhecimentos (*1, *2): invenções, descobertas científicas, novos materiais, tecnologia, modelos de negócio, conceitos, paradigmas, abordagens e práticas (metodologias, processos, métodos e ferramentas);
- Publicações profissionais e científicas: Fontes de informação que divulgam pesquisas e descobertas recentes, oferecendo insights que podem ser aplicados para fomentar a inovação em várias áreas;
- Regulamentações (*2): Leis e diretrizes governamentais que podem incentivar a inovação ao definir padrões e requisitos novos, ou restringir certas práticas, motivando o desenvolvimento de alternativas mais eficazes ou sustentáveis;
- Eventos: congressos, reuniões, seminários, webinars: Fontes de aprendizado, inspiração e networking;
- Feiras, congressos e exposições: Eventos onde empresas e profissionais se reúnem para apresentar novos produtos e tecnologias, oferecendo oportunidades para networking, aprendizado sobre tendências de mercado e inspiração para inovações;
- Networking (institucional ou pessoal): É uma forma de compartilhamento de conhecimentos e aprendizado. Normalmente, melhora o repertório dos colaboradores, que por sua vez resulta em uma maior capabilidade inovadora da empresa. Além disso, permite a criação colaborativa de novos conhecimentos e artefatos. Além das feiras, congressos e exposições mencionadas no item anterior, o networking pode envolver: participação em associações, comitês, comunidades de prática e redes de inovação.
Business Intelligence and Analytics, inteligência artificial generativa e novas abordagens
- Business Intelligence and Analytics (abrange diversos tipos de intelligence – vide seção correspondente no link): Uso de dados e análises avançadas para informar decisões estratégicas e inovadoras. Coleta dados por meio do monitoramento de redes sociais, patentes, operação e uso de soluções existentes (via IoT e nuvem), benchmarking, ecossistema, situação atual, tendências, futuro, monitoramento do mercado, clientes etc. A inteligência artificial generativa é uma das ferramentas com grande potencial neste contexto;
- Inteligência artificial generativa: Tecnologia que utiliza modelos de aprendizado de máquina para criar conteúdo novo e original, desde textos e imagens até música e código. Capaz de gerar inovações ao adaptar e combinar ideias existentes de maneiras únicas, inspirando novas abordagens e soluções em diversos campos;
Inteligência artificial generativa é o grande tema para a inovação atualmente (agosto, 2024). Uma das discussões é se está na fase inicial do hype cycle ou se é uma realidade. Como ainda não temos uma seção específica tratando deste tema, recomendamos as seguintes referências:
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- Novos conceitos e abordagens de inovação (para sua empresa): é um destaque sobre os novos conhecimentos mencionados anteriormente. Exemplos dessas abordagens:: ambidestria organizacional, transformação digital e indústria 4.0, servitização, inovação aberta, conexão com startups, ecossistemas de inovação, economia circular, ESG – governança ambiental, social e corporativa etc.;
- Pedidos sob encomenda: alguns clientes encomendam um desenvolvimento / uma inovação. Ou seja, eles fazem um pedido para que a nossa empresa desenvolva algo específico para as necessidades deles. Os requisitos desses clientes e sua realidade atual podem trazer insights para a determinação de novas oportunidades, desafios e ideias.
Pedidos sob encomenda e editais
- Pedidos sob encomenda: alguns clientes encomendam um desenvolvimento / uma inovação. Ou seja, eles fazem um pedido para que a nossa empresa desenvolva algo específico para as necessidades deles. Os requisitos desses clientes e sua realidade atual podem trazer insights para a determinação de novas oportunidades, desafios e ideias.
- Editais, especialmente os governamentais, representam fontes de oportunidades para a inovação. Esses documentos estabelecem demandas específicas e critérios detalhados para o desenvolvimento de soluções em resposta a necessidades públicas ou projetos de interesse social e econômico. Ao analisar os requisitos e objetivos dos editais, as empresas podem identificar novas oportunidades de negócio, explorar desafios técnicos e regulatórios e criar soluções alinhadas às tendências e prioridades do mercado. Além disso, participar de editais muitas vezes oferece acesso a recursos financeiros, parcerias estratégicas e visibilidade no setor, fortalecendo o potencial de inovação e crescimento organizacional.
Benchmarking, vendas, clientes, SAC, mudanças e choques
- Competidores e benchmarking (*2): que pode ocorrer tanto por meio da comparação com outras empresas do seu segmento (concorrentes) ou de outro setor que pode servir de inspiração e analogia, como pela “engenharia reversa” com base em uma solução existente (de um concorrente, por exemplo). Envolve a comparação de indicadores de desempenho de produtos, serviços, estratégias. Os catálogos, brochuras, relatórios, e ofertas (produtos e serviços) de outras empresas também podem servir de referência.
- Vendas: além dos pedidos sob encomenda, mencionados anteriormente, a área ou processo de vendas, que deve estar sempre em contato com os clientes, pode trazer insights de oportunidades, desafios e ideias;
- Clientes e usuários (*3): são uma grande fonte de obtenção de oportunidades, desafios e ideias. Eles podem: participar de co-desenvolvimento; tornarem-se lead users (*2,*3); avaliar nossa empresa, nossas ofertas e relacionamentos, por meio, por exemplo, do NPS; gerar feedback qualitativos mais amplos; participar de focus groups etc. Além disso, como citado acima em Business Intelligence and Analytics, o seu comportamento em redes sociais e em outros canais podem ser analisados para geração de novos insights. Um estudo mais aprofundado dos clientes e usuários é citado mais a frente, quando falamos de design;
- Serviço de atendimento ao cliente (SA) e assistência técnica: são canais adicionais para receber informações dos clientes e da operação dos produtos em campo. Se a operação estiver conectada por meio de IoT, no contexto da transformação digital e indústria 4.0, novamente o Business Intelligence and Analytics podem ser aplicados.
- Mudanças e choques: são eventos disruptivos ou transformações significativas que desafiam o status quo, criando necessidades emergentes e oportunidades de inovação em resposta a novas condições de mercado ou sociais, tais como, mudanças de mercado e de setores industriais (*1); mudanças demográficas (*1); mudança de costumes; mudança de percepção, disposição e significado (*1); choques: mudanças no mundo e na forma como nós pensamos sobre a realidade (*2); mudanças climáticas; etc. Eventos globais de impacto também podem trazer novas oportunidades, desafios e ideias de inovação, tais como, pandemias, crises econômicas, conflitos, eventos políticos significativos etc.
Situação atual da empresa e suas ofertas
As estratégias (descritas anteriormente) podem ser baseadas nas informações da situação atual (mercado, processos etc.) e suas ofertas (produtos e serviços). Além daquele momento, a situação atual deve ser analisada para:
- Conhecer o mercado (análise do mercado): estudo detalhado do ambiente de mercado que permite identificar oportunidades de inovação e lacunas no atendimento ao cliente (pode estar associado com o Business Intelligence and Analytics).
- Realizar uma análise crítica dos produtos, serviços e experiências atuais para identificar melhorias, inovações necessárias ou obtenção de novos insights para incrementar ou revolucionar as ofertas. A partir desta análise podemos identificar problemas, oportunidades e ideias na fase de uso (MOL – middle of life) e na fase de fim-de-vida (EOL), que podem resultar em novas práticas na fase de design (BOL – begin of life). Conheça os Rs da sustentabilidade;
- Levantar necessidades dos processos da própria empresa (*1, *2): Identificação de ineficiências ou desafios dentro dos processos internos da empresa que motivam a busca e a implementação de soluções inovadoras para otimizar a operação e aumentar a competitividade. Essas necessidades podem advir de limitações e problemas durante a fase de uso das ofertas devido aos processos operacionais de oferta de valor ou aos próprios processos de operação. Neste contexto, podem surgir oportunidades baseadas em falhas e ideias / desafios a partir da análise da causa raiz;
- Realizar diagnósticos específicos e pontuais para identificar oportunidades, desafios e ideias a partir de disfunções, problemas e dores da situação atual da empresa. Podem ser utilizadas ferramentas analíticas e metodologias, como questionários específicos e modelos de maturidade, para identificar problemas, disfunções e padrões que embasam e inspiram o desenvolvimento de soluções inovadoras;
- Análise de causa raiz (RCA): Conjunto de abordagens, métodos, ferramentas e técnicas utilizados para descobrir as causas raízes de eventos. Auxilia na identificação não apenas do o quê mas também do como e porquê um evento ocorreu. Tratando as causas raízes, evitamos que o evento ocorra novamente.
Design e solução de problemas
- Design: é a maior fonte de novas ideias a partir do enfrentamento de desafios para identificação de oportunidades. Normalmente passa inicialmente pelo entendimento da situação atual e ideação em um segmento de mercado. O entendimento é baseado na coleta de informações detalhadas sobre usuários e contextos por meio, por exemplo, de observações, pesquisa etnográfica, entrevistas, pesquisa de mercado etc. A ideação faz uso de técnicas de criatividade e contempla a construção e teste de MVPs, POCs e protótipos para validar as hipóteses de valor e de mercado. Podem ser aplicados os métodos e ferramentas associadas à abordagem de design thinking. Além da análise profunda da situação atual durante o entendimento, as informações sobre as tendências e o futuro (foresight são utilizadas na ideação;
- Biomimética: é uma abordagem de aprender com a natureza e emular as formas naturais, os processos da natureza e os ecossistemas para criar soluções mais sustentáveis. Não se trata da apropriação de práticas da natureza e sim de usar a natureza como fonte de inspiração.
- Solução de problemas: os métodos e ferramentas anteriormente apresentados de análise da situação atual, levantamento de necessidades dos processos, diagnósticos, análise de causa raiz e design podem ser utilizados para a solução de problemas (recorde o tópico anterior sobre “Problemas e dores”).
Pessoas com repertório e capacidade cognitiva
Pessoas com repertório e capacidade cognitiva: são elas que identificam oportunidades, desafios e ideias para inovar. Como ilustrado na figura, acima do ícone que representa uma pessoa, inserimos os termos que representam momentos comuns de cognição durante a inovação: análises, contradições, interações, recombinação, insights e o acaso.
- Análises: juntamente com o analytics, as pessoas com repertório e capacidade cognitiva conseguem entender a situação atual, os clientes, mercado para identificar oportunidades, desafios e ideias. Essas pessoas devem conseguir trabalhar de forma colaborativa com sistemas de inteligência artificial generativa;
- Contradições (*1): É uma das formas de se encontrar novas soluções. Podem ser contradições e incongruências entre: a economia e um setor econômico; um setor econômico e nossas premissas sobre o ele; os esforços e ofertas de um setor econômico e os valores e expectativas de seus clientes; ritmo, dados, resultados e a lógica de um processo; soluções de engenharia; etc;
- Interações e colisões Interdisciplinares: A combinação de conhecimentos de diferentes disciplinas pode gerar novas ideias e conceitos, resultando em inovações que nenhuma única disciplina poderia produzir sozinha;
- Recombinação de ideias e aplicações existentes (*2): A combinação criativa de conceitos ou tecnologias já existentes para criar novas soluções ou produtos, explorando possibilidades que não foram previamente consideradas;
- Insights e inspirações (*2): São decorrentes das análises e contradições em momentos de clareza que surgem de observações ou aprendizados, muitas vezes resultantes de experiências interdisciplinares ou da interação com diferentes culturas e tecnologias, potencializando a geração de ideias inovadoras. Muitos insights podem ser obtidos a partir de dados (Business Intelligence and Analytics) depois de um “debate e discussões” com pares ou mesmo sistemas de integração artifical generativa (desde que alimentado com dados extensos e relevantes). Essas pessoas podem auxiliar a montar cenários futuristas da sociedade para se identificar oportunidades e desafios. Podem ser também insights de pessoas de hubs / centros de inovação que fazem parte do ecossistema da empresa;
- O acaso e ocorrências inesperadas: Momentos de descoberta não planejada que podem abrir caminhos para inovações revolucionárias, tais como, sucesso inesperado, falha inesperada, evento externo inesperado, acidentes, incidentes etc.
Intraempreendedorismo, gestão de ideias e P&D
- Intraempreendedorismo: é uma condição para que surjam oportunidades, desafios e ideias em todos os níveis nas empresas estabelecidas (existentes). Ou seja, é a criação de um ambiente, no qual as pessoas se sintam à vontade para propor soluções. Essas soluções podem ser propostas por meio de um processo de gestão de ideias (próximo item);
- Processo de gestão de ideias (sugestões). Qualquer pessoa na empresa pode ter uma ideia. Hoje existem sistemas (Apps) que permitem que qualquer pessoa da empresa e do ecossistema faça sugestões, como se fosse a antiga “caixa de sugestões” (caminho bottom-up). Essas ideias são analisadas por um comitê (por exemplo) e passam por um escrutínio. Este processo também consolida ideias dos clientes. As ideias selecionadas são enviadas ao planejamento da inovação. O sucesso da prática de gestão de ideias depende de incentivos para a melhoria contínua e de um ambiente intraempreendedor. Apesar de indicarmos acima que ideias de intraempreendedorismo vêm da análise e insights de pessoas, nada impede que o caminho inicial dessa ideia seja por meio de um processo de gestão de ideias;
- Pesquisa & desenvolvimento (P&D): É a forma tradicional de se obter soluções inovadoras. Ainda é atual em algumas empresas, como discutimos na seção ““Área” de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)”. É quando se descobre novos conhecimentos e desenvolve tecnologias avançadas, essencial para a criação de soluções inovadoras e competitivas no mercado. Deve estar associado com a gestão da tecnologia. Hoje em dia, o P&D deve estar articulado com a gestão da inovação, considerando as fontes que listamos aqui.
Modelos de referência, BOKs, padrões, normas e ecossistemas
- Modelos de referência de processo e corpo de conhecimentos (BoK: body of knowledge): São referências para se definir um modelo de processo específico para uma empresa. As atividade desses modelos devem ser adaptadas para a realidade da sua empresa (tailoring) e proporcionam a disciplina nas fases de detalhamento da inovação. Em alguns setores, esses modelos são “prescritos” em padrões e normas (como o farmacêutico), que determinam principalmente as atividades de desenvolvimento que devem cumprir requisitos e regulamentações. Pode estimular a inovação ao exigir melhorias e a adesão a critérios de qualidade e segurança;
Leia mais na flexM4I: – alguns exemplos de modelos de referência no capítulo da lógica da inovação – exemplos de BOKs e normas |
- Ecossistema: A interação e colaboração entre diferentes atores e entidades, como empresas, startups, instituições acadêmicas e investidores, criam um ambiente propício para inovação e detecção de oportunidades, desafios e ideias por meio do compartilhamento de recursos, conhecimentos e tecnologias, assim como durante o desenvolvimento da inovação (veja o quadro a seguir).
Atores e atividades associadas ao ecossistema podem ser (entre outras):
Consulte o mapa das seções da flexM4i relacionadas com inovação corporativa & empreendedorismo para obter uma visão ampla de quais são as abordagens e práticas, que podem estar associadas com o ecossistema. |
A empresa segundo von Hippel
Von Hippel (*3) enfatiza que a própria empresa é uma fonte de inovações, citando os seguintes elementos, que estão distribuídos na lista anterior:
- estratégias e objetivos
- processo de gestão de ideias
- processo de descoberta (discovery)
- pessoal de vendas
- colaboradores e intraempreendedores
- caixa de sugestões – geralmente associado ao processo de gestão de ideias
- problemas identificados na gestão de indicadores
- problemas analisados com os métodos de análise de causa raiz
Muitas das fontes listadas também podem ser consideradas mecanismos para se inovar, como mostra a seção “Articulação entre abordagens de inovação corporativa e empreendedorismo”. |
Seções complementares
Antes desta seção você pode obter uma visão geral dos “Artefatos iniciais de inovação” e conhecer as “Motivações para inovação”.
Após a leitura desta seção recomendamos que você leia “Oportunidades, desafios e ideias como síntese das entradas para inovação”.
Referências
Drucker, P. (2014). Innovation and entrepreneurship: Practice and Principles. Butterworth-Heinemann
Philipson, S. (2020). Sources of innovation: Consequences for knowledge production and transfer. Journal of Innovation and Knowledge, 5(1), 50–58. https://doi.org/10.1016/j.jik.2019.01.002
Ries, E. (2011). The lean startup. New York: Crown Business.
Tidd, J.; Bessant, J. R. (2021) Managing innovation: integrating technological, market and organizational change. John Wiley & Sons
von Hippel, E. (1988). The sources of innovation. New York. Oxford University Press.