Exemplos de sistemas produto-serviço (PSS)

Introdução

Esta seção é um detalhamento da seção principal sobre PSS.

Inicialmente, apresentamos dois conceitos básicos, extraídos de outras seções da flexM4i:

Apresentamos também um tópico com outras denominações para PSS.

Em seguida, listamos alguns exemplos de PSS. Apresentamos somente um recorte muito pequeno de alguns exemplos para ilustrar a diversidade.

Se você possuir mais exemplos com referências, envie para o email [email protected], que iremos divulgar seu nome como contribuinte da flexM4i.

Conceitos básicos

Esses conceitos são cópias do que foi publicado na seção principal sobre servitização.

O que é um PSS?

A flexM4i possui uma seção específica sobre PSS, mas vamos explicar o significado do termo PSS ( sistema produto-serviço) em cima de um exemplo ilustrado na próxima figura.

Figura 337: exemplo de um PSS de um fabricante de automóveis com alguns dos elementos do negócio

Muitos imaginam que um PSS é composto apenas pelo produto e pelos serviços. Para prover os serviços, existe muita coisa por trás: os processos, os recursos necessários (máquinas, equipamentos de fabricação, infraestrutura de informática e comunicação, canais, tecnologias etc.), as pessoas que vão realizar as atividades dos processos, os parceiros do ecossistema para prestação de serviços e oferta de produtos complementares, o fabricante do produto etc. Às vezes, o próprio usuário (cliente) faz parte do sistema, quando ele contribuir com a co-criação de valor.

Ou seja, os elementos de negócio caracterizam as capabilidades e são componentes de um modelo de negócio.

Conheça os tipos de PSS, que se dividem em PSS orientado ao produto, ao uso e ao resultado.

Nas empresas orientadas a produtos, alguns desses processos ocorrem de forma ad-hoc, ou seja, ocorre uma vez quando o produto é entregue ou quando as empresas são acionadas pelos clientes (para manutenção, por exemplo). No caso do PSS, esses processos estão constantemente associados à oferta e com canais diretos de comunicação com os clientes, seja por meio do monitoramento da operação ou acionamento de manutenção preditiva ou outras ações de maneira proativa.

Essa visão ampla de PSS (“o sistema de oferta de serviços associado a um produto”) apoia a afirmação de que o “resultado” da servitização é um PSS, confirmando o que alguns autores dizem.

Consideramos que hoje existem termos mais práticos para se usar (“alguma coisa as a service”, como você pode ver na descrição da abordagem sobre PSS), que substitui o termo PSS, apesar de possuir o mesmo significado.

Alguns pesquisadores em servitização adotam o termo produto “servitizado”. No nosso entendimento, este termo é sinônimo de PSS. Não podemos esquecer que a servitização é um processo de transformação da empresa, que resulta no SISTEMA produto-serviço, como indicamos acima. Portanto, consideramos importante utilizar o termo sistema ou utilizar a “funcionalidade as a service”, como nos exemplos de mobility as a service, equipment as a service, como mostramos no tópico “Outros termos que representam um PSS” da seção sobre PSS.

Consideramos, ainda, que a servitização é um caso específico de inovação do modelo de negócio (BMI - business model innovation), pois na maioria das vezes, prover serviços envolve uma mudança do modelo de negócio.

Leia mais sobre isso no tópico “Servitização e inovação do modelo de negócio” da seção “Servitização e abordagens relacionadas”.

PSS como resultado da servitização e os tipos de PSS

Alguns autores afirmam que o resultado da servitização é um PSS. Na maior parte das vezes, ao final dessa transformação, é o que ocorre: a empresa torna-se uma provedora de PSS. Veja na definição de servitização, que ela também pode resultar na oferta de serviços “puros” como engenharia, software, simulação, ou análise de dados, sem necessariamente envolver um produto físico.

Mas o resultado da servitização é muito mais do que oferecer serviços puros ou um PSS.

O resultado da servitização é a empresa ser capaz de prover serviços.

Uma capabilidade resulta da combinação articulada de recursos, competências, processos, estrutura, tecnologias, cultura e relacionamentos, permitindo à empresa executar, sustentar e evoluir atividades críticas para sua estratégia.

Então, a servitização desenha e implementa os elementos de negócio que compõem um novo modelo de negócio, que pode somente adicionar serviços ou resultar em um PSS.

Aqui é importante conhecer os conceitos de capabilidades ordinárias e capabilidades dinâmicas

Considerando os três tipos de PSS, segundo a classificação clássica de Tukker (2004), somente adicionar serviços a produtos existentes é oferecer um PSS orientado ao produto. Segue abaixo a tipologia de PSS da flexM4i, que é embasada na de Tukker (2004).

Figura 1407: visão geral da tipologia de PSS da flexM4i
Fonte: adaptada de Tukker (2004) e de outros autores

PSS orientado ao produto

O cliente compra o ativo e mantém a posse. O provedor oferece serviços complementares que aumentam o valor de uso do produto, como manutenção, fornecimento de peças sobressalentes, esquemas de financiamento, acordos de recompra ao fim da vida útil, além de consultoria e assessoria para otimizar a aplicação do produto.
Exemplos típicos: fabricante de máquinas que vende o equipamento e oferece pacote de manutenção; fornecedor de impressoras que vende o produto e fornece consultoria para melhorar o desempenho e a gestão de impressão para um grande número de usuários.

PSS orientado ao uso

O cliente não adquire o produto, mas paga pelo uso do ativo conforme o tempo ou o acesso concedido. O provedor mantém a posse e a responsabilidade pela disponibilidade do equipamento, enquanto o cliente o utiliza dentro de um período ou pacote contratado.
Exemplos típicos: aluguel de ferramentas por hora ou por dia, car sharing com tarifa por tempo de utilização, assinatura de equipamentos de ginástica ou de impressoras com limite de horas de uso.

PSS orientado ao resultado (outcome-based)

O cliente paga pela saída funcional entregue — o fim —, como desempenho ou benefício obtido, e não pelo acesso ou tempo de uso do ativo — o meio.
Exemplo típico: Pay-per-lux da Philips, que oferece iluminação de ambientes. A Philips é responsável por todo o serviço de iluminação, desde o design da solução, equipamentos, instalação, manutenção, e atualizações durante a oferta do serviço. O cliente paga uma taxa de contratação do serviço e por lumens que recebe na iluminação de seus ambientes.

Conheça a descrição detalhada desta tipologia na seção “Tipologia de PSS da flexM4i”.

Incorporar a mentalidade e cultura orientada a serviços é um dos principais resultados da servitização.

Como ilustra a próxima figura, a servitização transforma uma empresa orientada à venda de produtos em uma empresa orientada à prover serviços, por meio da gestão de mudanças e da inovação do modelo de negócios.

Figura 339b: PSS como um dos resultados mais comuns de um processo de servitização, cujo foco é criar / mudar os principais elementos de negócio, criar novas capabilidades incorporadas em um novo modelo de negócio

A figura acima 339b representa o segundo caminho da servitização, que é o mais comum dos dois apresentados na figura 339a, que ilustra a definição de PSS. Conforme citado naquele tópico, este segundo caminho possui 3 alternativas:
- 2.1. a oferta de serviços complementares aos produtos existentes e já comercializados, sem transformação significativa do modelo de negócio;
- 2.2. a implementação de um novo modelo de negócio integrado, utilizando produtos existentes;
- 2.3. a implementação de um novo modelo de negócio integrado, mas com o desenvolvimento concomitante de um produto

 

Outros termos que representam um PSS

Mesmo antes da formalização do termo na literatura, muitas organizações vêm adotando a abordagem de PSS sem usar este termo. O PSS tem sua origem no mercado, não no campo acadêmico. Da mesma forma, vários termos têm sido empregados na literatura para se referir a PSS, como é ilustrado na figura abaixo. Como podemos observar, a quantidade de termos utilizados para descrever PSS é expressiva. Porém, outros termos estão despontando na prática.

Na prática, um dos termos mais utilizados para representar o PSS é “alguma coisa” as a service (everything as a service). Faça uma busca na internet com os seguintes termos e veja os resultados:

  • product as a service (PaaS)
  • mobility as a service (Maas)
  • software as a service (SaaS)
  • equipment as a service (EaaS)
  • lighting as a service (LaaS)

No entanto, a área de TI “tomou para si” o termo “everything as a service”, com a sigla XaaS. Na maior parte das publicações na web, este termo agrega vários serviços da área de TI: Cloud as a Service (CaaS); Software as a Service (SaaS); Infrastructure as a Service (IaaS) etc. As aplicações de TI estão migrando para a plataforma em nuvem (cloud) por meio do princípio do SOA - service oriented architecture. Assim, em um futuro próximo a “as a Service” será o paradigma da área de IT  (Duan et al., 2016).

Ao mesmo tempo, começamos a observar a utilização do termo XaaS em outras áreas que conhecíamos com PSS. A empresa SYSTEMIQ voltada para acelerar a mudança sistêmica para um mundo sustentável (https://www.systemiq.earth/), lancou uma publicação em que indica o XaaS como um movimento para que as empresas possam prosperar na era das mudanças climáticas e digitalização com foco na economia circular. Eles indicam que a digitalização traz oportunidades sem precedentes de se desmaterializar os modelos de negócio. Os modelos XaaS combinam a criação de valor e competitividade com sustentabilidade. A ideia é dar acesso ao invés de propriedade. Vender utilidade e serviços ao invés de produtos. Os modelos XaaS possibilitam que se maximize o valor dos recursos durante todo o ciclo de vida.

Para leitores das trilhas de treinamento e avançada

Seguem alguns termos equivalentes ao PSS para você realizar buscas de referências bibliográficas:

  • Oferta integrada de produto e serviço
  • Produto como um serviço
  • Oferta integrada de produto e serviço
  • Produto como um serviço
  • Modelo de acesso e desempenho (access and performance model)
  • Oferta híbrida
  • Oferta integrada a serviços
  • Orientação a serviços
  • Produtos estendidos
  • Produtos híbridos
  • Produtos funcionais
  • Produtos relacionados a serviços
  • Serviços integrados
  • Pacote de ofertas de valor (value bundle)

Lista de exemplos

A seguir, são apresentados alguns exemplos de casos reais de PSS existentes no mercado brasileiro e global.

Cada exemplo possui uma descrição sucinta e links para consultas adicionais. Alguns links remetem para o repositório de casos de inovação da flexM4i. Se você clicar neste link, será direcionado para o repositório de casos de inovação, já filtrado para os casos de PSS com descrições mais detalhadas.

Água pura - Brastemp

A Brastemp, fabricante brasileira de eletrodomésticos, oferece um serviço de assinatura de uso dos purificadores de água. As assinaturas variam de acordo com o tipo de purificador e suas funcionalidades. As assinaturas não fornecem apenas um purificador de água com classificações de filtragem, mas comodidade e segurança por meio do fornecimento de água limpa.

A grande vantagem é que o cliente não precisa mais se preocupar com a manutenção do equipamento e/ou com a aquisição de um novo. Inclui serviços online, em um programa de relacionamento para os assinantes.

O programa de relacionamento é conhecido como “Mais que água” e oferece conteúdos voltados para a saúde da família. Por meio do programa, o cliente tem acesso a uma rede de parceiros e descontos e os demais serviços de agendamento de manutenção, assistência técnica e central de atendimento para assuntos financeiros.

Atenção, a Whirlpool, controladora da Brastemp, vendeu esse negócio em 2024 para a Culligan. Leia mais na descrição completa deste caso (link acima). 

Link: https://flexmethod4innovation.com/caso/agua-pura-brastemp/ 

AIRPlan da Atlas Copco

Contrato de serviços de fornecimento de ar, “air as a service”.

A Atlas Copco transformou a venda de compressores industriais em um utilitário. Com o AIRPlan, a empresa assume a responsabilidade total pela instalação, manutenção e atualização tecnológica. O cliente não imobiliza capital comprando a máquina; ele paga pelo volume de ar comprimido consumido, garantindo eficiência energética e risco zero de paradas.

Com o AIRPlan, você não precisa comprar nenhum ativo. Todas as despesas com ar comprimido fazem parte de seus custos operacionais.  O AirPlan oferece a você a flexibilidade exclusiva de ter seu equipamento rapidamente ajustado às suas novas demandas, e isso é feito sem a necessidade de investimentos ou processos demorados de aprovação, aumentando, assim, a eficiência e economizando tempo e dinheiro.

Com o AIRPlan, não há custos de investimento no equipamento. Os custos do AIRPlan são previsíveis e transparentes, consistindo de um valor fixo, mais um valor variável cobrado com base nas horas de funcionamento real dos compressores. A manutenção e as atualizações regulares inclusas no AIR Plan ajudarão você a reduzir o tempo de inatividade e os custos com energia.

O AirPlan representa nosso compromisso de oferecer ar comprimido confiável e de alta qualidade, com mínimo de tempo de inatividade. A combinação de suporte completo, monitoramento do sistema, reparos proativos e assistência emergencial garante confiabilidade prolongada e máximo tempo de atividade.”

Fonte: https://www.atlascopco.com/pt-br/compressors/service/plans/airplan

Beepbeep

Um caso similar ao ShareNow e que já está em operação em São Paulo é a Beepbeep, uma startup paulista que oferece mobilidade sustentável por meio de carros 100% elétricos (atualmente, apenas carros Renault Zoe). Por meio de um aplicativo, o usuário pode encontrar e reservar um veículo.

Os veículos devem ser retirados e retornados às estações da empresa, as quais se encontram distribuídas pela cidade. Ao desbloquear o automóvel, o tempo de uso é computado. O pagamento pelo serviço é composto de uma taxa inicial somada a uma taxa adicional por minuto de uso.  Como é semelhante ao anterior, as vantagens são as mesmas.

Link: https://www.linkedin.com/company/beep-beep-car-sharing/

Cat Rental Store – Caterpillar (Equipamentos Pesados)

A Caterpillar opera a Cat Rental Store, onde o foco é a disponibilidade imediata de máquinas de construção e mineração. Mais do que um aluguel comum, o PSS aqui envolve suporte técnico especializado e ferramentas digitais de gestão de frota, permitindo que o cliente dimensione sua operação conforme a demanda do projeto sem carregar o custo de manutenção de ativos ociosos.

Leia mais em Cat Rental Store Brasil (site em português mas relacionado com o modelo global)

CAT Rental no Brasil: O Modelo via Revendedores

A Caterpillar opera com o CAT Rental de uma forma específica no Brasil: ela não aluga diretamente ao cliente final, mas sim através de sua rede de revendedores autorizados, que implementam o conceito da Cat Rental Store localmente.

No Brasil, os dois gigantes que operam esse modelo de PSS (Produto-Serviço) são a Sotreq (que cobre a maior parte do território nacional) e a Pesa (focada na região Sul).

Sotreq Aluguel (Cat Rental Store)

A Sotreq é o maior revendedor Caterpillar do Brasil. O serviço de locação deles é um exemplo clássico de PSS orientado ao uso. Eles oferecem não apenas a máquina, mas um pacote que inclui:

  • Monitoramento remoto: Uso de telemetria para prever falhas.
  • Manutenção inclusa: O cliente não se preocupa com peças ou mecânicos.
  • Flexibilidade de frota: O cliente escala a quantidade de máquinas conforme o contrato de obra avança.

Link: Sotreq Aluguel – Cat Rental Store

Pesa Locação

Focada nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a Pesa opera a marca Cat Rental Store para equipamentos de construção, mineração e geradores. O foco do serviço é a “disponibilidade mecânica”, onde o risco de quebra da máquina é transferido do cliente para a Pesa.

Link: Pesa Locação – Cat Rental Store

Ecobel

A Ecobel é uma empresa francesa que se dedica, desde 1983, a desenvolver soluções para o meio ambiente. A empresa desenvolveu duchas higiênicas para serem utilizadas em hospitais pelos pacientes. O modelo de negócio baseia-se na oferta das duchas como um serviço.

Com isso, pode-se prover maior segurança aos pacientes ao minimizar o risco por infecção bacteriana a partir de um produto modular e minimalista, que minimiza a área de reprodução de bactérias. Além disso, as duchas são ofertadas por menores custos, sendo ambientalmente amigáveis, o que facilita a rastreabilidade e a manutenção.

Veja mais detalhes em: https://flexmethod4innovation.com/casos-ecobel/

Hello Tractor - Trator como Serviço

Conhecida como o “Uber dos tratores”, a Hello Tractor opera principalmente na África e na Ásia. Ela conecta proprietários de tratores a pequenos agricultores por meio de um aplicativo. O pequeno agricultor, que não tem capital para comprar a máquina, contrata o serviço de mecanização por hectare ou hora. É um exemplo de PSS orientado a resultados que promove o desenvolvimento econômico e a segurança alimentar.

Leia mais em Hello Tractor Official Site

Hilti - Gestão de Frotas de Ferramentas (Tool Fleet Management)

A Hilti, multinacional de ferramentas para construção civil, oferece o modelo “Tool as a Service”. Em vez de as construtoras comprarem furadeiras e britadeiras, elas pagam uma taxa mensal pelo uso de uma frota personalizada. A Hilti cuida de toda a manutenção, reparos, cobertura contra roubo e substituição de ferramentas por modelos mais modernos após alguns anos. Isso reduz o tempo de inatividade nas obras e elimina o custo de imobilizado do cliente.

Leia mais em Hilti Tool Fleet Management

HP Instant Ink - Tinta como Serviço

Um exemplo clássico de PSS orientado ao uso no mercado B2C e de pequenos escritórios. O cliente não compra cartuchos de tinta; ele assina um plano baseado no número de páginas impressas por mês. A impressora (conectada à internet) avisa a HP quando o nível de tinta está baixo, e a empresa envia automaticamente novos cartuchos antes que o atual acabe, incluindo o envelope para logística reversa dos cartuchos vazios.

Leia mais em HP Instant Ink

Interface - EverGreen Lease (Carpet as a Service)

A Interface, fabricante global de carpetes modulares, oferece um modelo de leasing onde o cliente paga pelo “piso sempre bonito” em vez de comprar o carpete. A empresa monitora o desgaste e substitui apenas os módulos (placas) que estão gastos ou sujos, em vez de trocar o carpete da sala inteira. Os módulos retirados voltam para a fábrica para serem reciclados em novos produtos.

Leia mais em Interface Sustainability & Services

JBT Marel - centro de processamento de cítricos

A JBT Marel oferece, na área de processamento de cítricos e bebidas, uma combinação de sistemas, produtos e serviços voltada à transformação industrial da fruta. Sua oferta abrange etapas como recebimento e manuseio, extração e finishing, pasteurização e esterilização, enchimento, armazenamento, utilidades, automação e integração do processo. Em vez de destacar apenas uma máquina isolada, a empresa apresenta uma arquitetura de solução composta por equipamentos, módulos, skids e linhas integradas.

Nos produtos, destacam-se extratoras, sistemas de recuperação, equipamentos de finishing e famílias modulares como READYGo e MORE 4.0, que podem ser combinadas conforme a configuração da planta. Nas soluções, a empresa afirma oferecer desde máquinas standalone até linhas fully integrated, end-to-end, com opções modulares e configuráveis.

Nos serviços, a JBT Marel complementa os ativos físicos com manutenção preventiva, suporte técnico de campo, atendimento emergencial, suporte remoto, programas de manutenção como o PRoCARE e, em certos casos, leasing operacional de extratores industriais de alta capacidade

No Brasil, um grande produtor mundial de suco de laranja, a maior parte dos produtores usa a solução da JBT Marel como um sistema produto-serviço (PSS) orientado ao resultado. Ou seja, eles não compram o equipamento. Eles pagam por tonelada de laranja processada.

Eles oferecem soluções digitais integradas com o PSS para otimizar as capabilidades dos cequipamentos, usando infraestrutura digital apoiada por IA, aprendizado de máquina e analytics para manutenção preditiva.

A receita recorrente, envolvendo todos os equipamentos de processamento de alimentos (que inclui o processamento de suco de laranja) é de 49% (em 2024).

Assim, o valor entregue não está apenas na venda do equipamento, mas na capacidade contínua de processamento apoiada por ativos e serviços associados.

Antes o processamento de citros era um sistema turn-key integrado e hoje ele é “vendido”(ou alugado com base nos resultados de produção) com base na combinação de módulos flexíveis.

Leia mais em:

Acesse a descrição mais completa deste caso neste link do repositório de casos da flexM4i.

Neste link você pode baixar um catálogo antigo do centro de processamento de cítricos da empresa JBT, antes de ela se unir com a Marel.

Kaeser Compressores - Sigma Air Utility

A Kaeser oferece o ar comprimido como uma utilidade (como água ou energia). O cliente não compra o compressor; ele instala a estação de ar da Kaeser e paga apenas pelo metro cúbico de ar comprimido efetivamente consumido. A Kaeser assume todos os riscos operacionais, custos de manutenção e garante a eficiência energética do sistema.

Leia mais em: Kaeser Sigma Air Utility

KINTO - Toyota (A empresa de mobilidade)

A KINTO é um exemplo moderno de como uma montadora tradicional se transforma em uma empresa de serviços. Ela não é apenas um braço da Toyota; é uma joint venture entre a Toyota Financial Services e a Mitsui & Co., criada especificamente para gerir a transição do modelo de “posse” para o de “uso”. 

O Significado do Nome: A “Nuvem Voadora”

O nome vem de Kinto-un, a nuvem voadora do personagem japonês Goku (de Dragon Ball). A metáfora é perfeita para um PSS: um serviço que aparece sempre que você precisa, leva você aonde você quer de forma rápida e segura, e depois desaparece sem que você precise “estacionar” ou cuidar da nuvem.

A KINTO opera o que chamamos de Ecossistema de Mobilidade, dividido em três produtos principais que cobrem diferentes necessidades de PSS:

  1. KINTO Share (PSS Orientado ao Uso / Curto Prazo):
    • É o compartilhamento de carros por hora, dia ou semana via aplicativo.
    • Diferencial PSS: Diferente de uma locadora comum onde você aluga uma “categoria”, na KINTO você escolhe o modelo exato (ex: um Corolla Cross Híbrido). O foco aqui é a conveniência extrema e o acesso à tecnologia híbrida sem o custo de aquisição.
  2. KINTO One Personal (PSS Orientado ao Uso / Longo Prazo):
    • É a assinatura de veículos para pessoas físicas (12 a 48 meses).
    • O “Pulo do Gato” do PSS: O grande diferencial aqui é a flexibilidade de frota. Quem assina um Corolla, por exemplo, tem direito a usar outros modelos da marca (como uma Hilux ou uma SW4) por alguns dias no ano. Isso resolve o problema clássico do consumidor: “preciso de um sedan para a cidade, mas de uma picape para viajar uma vez por ano”. O PSS resolve a utilidade, não apenas a posse.
  3. KINTO One Fleet (PSS Orientado ao Resultado / Frotas):
    • Focado em empresas (terceirização de frota).
    • Diferencial PSS: Eles aplicam o TPS (Toyota Production System) na gestão da frota para eliminar desperdícios. Inclui manutenção preventiva na rede oficial, telemetria avançada e até opção de veículos blindados de fábrica.

Leia mais em: https://kintomobility.com.br/ 

Mercedes-Benz Locadora

A Mercedes-Benz Locadora é a empresa oficial da marca (braço do Banco Mercedes-Benz) que formaliza o modelo de “Caminhão como Serviço” para os modelos Actros, Axor e Atego no mercado nacional.

  • O PSS na prática: O contrato de locação é um pacote completo de disponibilidade. Além do veículo, o serviço inclui o Plano de Manutenção Completa (que cobre desde revisões preventivas até trocas de peças de desgaste natural), documentação (IPVA e licenciamento), seguro e o sistema de telemetria Fleetboard.
  • Diferencial: O grande trunfo aqui é a integração com a rede de concessionárias. Como o provedor do serviço é a própria fábrica, o cliente tem a garantia de que qualquer reparo será feito com peças genuínas e mão de obra especializada, maximizando o uptime (tempo de disponibilidade) do veículo.

Leia mais em: Mercedes-Benz Locadora

Michelin Connected Fleet (Pneu como Serviço)

A Michelin transformou o pneu — tradicionalmente um bem de consumo industrial — em um sistema de alta performance focado na eficiência logística.
  • O Modelo: No Brasil, através da integração com a telemetria (Sascar), a Michelin oferece o modelo Pay-per-Kilometer. O transportador não compra o estoque de pneus; ele paga apenas pela distância percorrida.
  • O Diferencial (PSS versus. Serviço): Não é um serviço de “borracharia externa”. É um sistema onde a Michelin mantém a propriedade dos pneus, monitora pressão e temperatura via sensores (IoT) e gerencia todo o ciclo de manutenção e recapagem.

Aplicação dos critérios de diferenciação de serviços puro

  • Substituição da posse: A frota elimina o pneu do seu balanço patrimonial (CAPEX) e o transforma em custo operacional (OPEX).
  • Alocação do risco: Se um pneu explode por falha técnica, o custo da reposição e o risco do ativo são da Michelin. A frota paga pela garantia de que o caminhão não ficará parado.
  • Intencionalidade do design: Os pneus são projetados para máxima durabilidade e múltiplas recapagens, pois, para a Michelin, quanto mais o pneu durar, maior será sua margem de lucro dentro do contrato.
Veja quais são os critérios de diferenciação entre um serviço puro e um PSS, na seção principal sobre PSS.

Leia mais em:

Mobility - car sharing

Prover mobilidade com compartilhamento de carros: O caso da Mobility é um exemplo de PSS orientado a resultados e é na relação B2C. Um cliente, usuário, assina o serviço de mobilidade no qual recebe um cartão e o direito a baixar um aplicativo no celular.

Por meio deste aplicativo ele pode reservar um carro, selecionando o veículo que está mais próximo do local em que ele deseja apanhá-lo. Esse é um autosserviço e está disponível 24 horas por dia. Existem 3000 veículos em 1600 lugares na Suíça. Estudos sobre o custo total de propriedade, quando se compara com a aquisição de um automóvel, mostram que um usuário que combine o uso do serviço da Mobility com o emprego de transporte público economiza 4 mil US$ por ano.

O combustível está incluso no preço e se necessário existem equipamentos dentro do carro que permitem que combustível adicional possa ser abastecido com ressarcimento. Dentro do próprio carro o usuário pode ainda renovar sua reserva. Os veículos são constantemente limpos e revisados.

Veja mais detalhes em: https://www.mobility.ch/en/private-customers

MUD Jeans - Lease A Jeans

A marca holandesa MUD Jeans é pioneira no PSS aplicado à moda circular. O cliente pode “alugar” uma calça jeans pagando uma taxa mensal. Após um ano, o cliente pode trocar por um novo par, continuar usando ou devolver para que o material seja reciclado e transformado em novas fibras. O modelo foca totalmente na retenção da propriedade da matéria-prima pela empresa para garantir a circularidade.

Leia mais em MUD Jeans – Circular Economy e uma notícia sobre esse PSS no site do Projeto Circular X.

OMO Lavanderia

A marca OMO (Unilever) é um exemplo híbrido que permite distinguir o limite entre serviço e PSS dentro de uma mesma organização:

OMO Lavanderia (Lojas de Bairro/Shopping)

  • Classificação: Serviço Puro.
  • A lógica: O cliente paga pela tarefa realizada por terceiros. O ativo (máquina industrial) é apenas um meio de produção do lojista.
  • O Risco: Se a máquina quebra, o risco é do lojista, mas o impacto no cliente é apenas um atraso na entrega de um serviço de terceiros.

Veja mais detalhes em: https://www.omolavanderia.com.br/quem-somos 

OMO Lavanderia Compartilhada (Prédios e Condomínios)

  • Classificação: PSS Orientado ao Uso.
  • A lógica: A Unilever/Parceiro não vende a máquina para o condomínio, ela vende o acesso à lavagem. O morador substitui a posse da máquina individual pelo uso do sistema comum.
  • Risco do Ativo: O provedor assume o risco total. Se a máquina quebrar, o contrato de PSS exige manutenção ou substituição imediata para garantir a disponibilidade. O morador é blindado de custos extras de reparo. O risco de obsolescência e manutenção é 100% do provedor, dependendo do tipo de contrato.
  • Design para Servitização: As máquinas são profissionais (maior ciclo de vida), conectadas via IoT (monitoramento de falhas) e possuem dosagem automática de insumos. O sistema foi projetado para que o produto “trabalhe sozinho” para o provedor.

Veja mais detalhes em: https://www.omolavanderia.com.br/negocios/compartilhada/para-condominios

On Running

A suíça On é uma empresa atlética que está atendendo ao desafio de sustentabilidade por meio do tênis “Cyclon”. É um tênis totalmente reciclável que está disponível para os clientes por meio do pagamento de uma taxa mensal. Os clientes pagam uma taxa de 29,99 dólares por mês, e podem enviar os tênis de volta e receberem um novo par quantas vezes quiserem. Ao fim do uso, caso os clientes não retornem os tênis, eles podem receber a penalização por meio do pagamento de uma multa. 

Veja mais detalhes em: https://flexmethod4innovation.com/on-running/

Pay-per-lux - Philips

Se desenvolvendo sob o slogan “Que haja luz (inteligente)”, a empresa Philips, com sede em Amsterdã, possui um modelo de negócio cuja proposição de valor é manter a iluminação de ambientes.

Ofertando o produto como um serviço, a Philips é responsável por todo o serviço de iluminação, desde o design da solução, equipamentos, instalação, manutenção, e atualizações durante a oferta do serviço. Os clientes pagam uma taxa pela contratação do serviço e pela iluminação consumida, e não mais pela aquisição de lâmpadas.

A solução assegura a economia de custos iniciais associados à instalação de lâmpadas, oferecendo iluminação eficiente e mais barata em comparação às ofertas tradicionais (baseada na venda de lâmpadas). Ao mesmo tempo, incentiva a economia de energia, combinando o melhor uso dos recursos com a conveniência aos clientes. No final do contrato, as lâmpadas podem retornar para o processo produtivo novamente. Esse PSS é denominado pela Philips de “light as a service”.

Veja mais detalhes em: https://flexmethod4innovation.com/caso/pay-per-lux/

Power by the hour - Rolls-Royce

Neste exemplo a Rolls-Royce oferece às empresas aéreas o Total-Care Package. Neste modelo de negócio, a empresa deixa de vender serviços de manutenção.  Ela  oferta  “horas de voo”. O serviço de manutenção de uma turbina, que uma operadora aérea poderia passar para outros provedores, é assumido pela Rolls-Royce. O faturamento com este serviço pode ultrapassar o preço de uma turbina ao longo de todo o seu ciclo de vida.

No entanto, não confunda. Ela ainda vende as turbinas, que as companhias áreas compram via leasing de um banco, por exemplo.

O power by the hour é um pacote de manutenção de pagamento mensal recorrente, que cobre todos os eventos, como você pode ler no link a seguir.
https://www.rolls-royce.com/media/our-stories/discover/2017/totalcare.aspx

Este é um dos serviços oferecidos pela Rolls-Royce às companhias aéreas. Leia mais sobre a gama de serviços no link abaixo.
https://www.rolls-royce.com/products-and-services/civil-aerospace/services.aspx

Scania Locação (Caminhão como Serviço)

A Scania criou uma estrutura dedicada para oferecer o Scania Locação. O contrato inclui o caminhão (especificado para a carga do cliente), conectividade para gestão de combustível, pneus e o plano de manutenção mais completo (Pro Premium). É o exemplo perfeito de PSS onde o fabricante garante a disponibilidade máxima da “ferramenta de trabalho”.

Diferente de um banco ou locadora comum, a Scania Locação é uma empresa do próprio grupo Scania no Brasil. O PSS deles é focado no Custo Total de Operação (TCO). Eles garantem que o caminhão estará rodando o máximo de tempo possível, pois a manutenção é feita na rede própria com peças originais inclusas no valor mensal.

Leia mais em Scania Locação Brasil

ShareNow - car sharing

A ShareNow (fusão entre a car2go e a DriveNow) é uma empresa de compartilhamento de carros com sede na Alemanha e presente em diversas cidades europeias, como Amsterdã, Berlim, Copenhague, Milão, Paris e Viena. Oferece o conceito de mobilidade como um serviço baseado em carros manufaturados pela Daimler e BMW, sendo o ofereci

mento dos carros, baseado em cada região. Os serviços também seguem as regras locais, apresentando pequenas diferenças quanto ao estacionamento, por exemplo, em cada cidade. A partir de um aplicativo no celular, é possível encontrar e reservar um veículo dentro de uma determinada área.  Ao final do uso, basta estacionar o veículo em um qualquer local dentro da área coberta pelo serviço e encerrar a atividade no aplicativo. A cobrança é baseada em uma taxa por tempo de uso e inclui o combustível, estacionamento, pedágios, seguro, manutenção e aluguel.

Links: https://www.share-now.com/

https://en.wikipedia.org/wiki/Share_Now – conta a história da car2go e a fusão entre as empresas

VAMOS – Locação de Caminhões e Equipamentos

O modelo da Vamos é um PSS orientado ao uso. A empresa remove do cliente o peso da propriedade e da gestão de ativos pesados, transformando o que seria um investimento alto (CAPEX) em uma despesa operacional previsível (OPEX).

  • O Diferencial do PSS: O contrato não cobre apenas o veículo. Ele inclui a customização completa (implementos como baús, guindastes ou betoneiras), a gestão de documentação e licenciamento, telemetria para monitoramento de frota e, crucialmente, a manutenção integral (preventiva e corretiva) e a gestão de pneus.
  • Valor para o Cliente: Garante a disponibilidade máxima do equipamento. Se o caminhão para, o cliente perde dinheiro; no modelo da Vamos, a responsabilidade de manter a roda girando é do provedor. Ao final do contrato, a Vamos faz a gestão do fim do ciclo de vida, revendendo os ativos em sua própria rede de seminovos.

A Vamos é um caso raro de empresa que abriu capital na Bolsa (B3) com um modelo de negócio estruturado inteiramente sobre os pilares do PSS, provando que “vender a utilidade” é extremamente lucrativo e escalável no mercado brasileiro.

A Vamos se posiciona como um provedor de soluções “agnóstico” em termos de marca. Isso significa que, no modelo de PSS, o cliente pode escolher o veículo que melhor se adapta à sua rota ou carga.

  • Diversidade da Frota: Além da linha completa da Volkswagen, a Vamos oferece em seus contratos de locação caminhões da Mercedes-Benz, Scania, Volvo e Iveco.
  • Expansão para Máquinas: O PSS deles também se estende para o setor agrícola e de infraestrutura, oferecendo tratores e colheitadeiras (especialmente da marca Valtra e Fendt, das quais também são concessionários) e equipamentos de linha amarela (como escavadeiras Komatsu).
  • O PSS na prática: Independentemente da marca escolhida, o pacote de serviço é padronizado: customização, manutenção preventiva e corretiva, telemetria, gestão de pneus e substituição de ativos ao final do contrato.

Embora a Vamos (do Grupo Simpar) seja a maior operadora de PSS utilizando veículos Volkswagen no Brasil, a própria montadora lançou em 2022 o VW Truck Rental, seu braço oficial de locação por assinatura, integrando serviços financeiros e de manutenção em um único contrato direto com a fábrica.

Link para conferir a variedade de ativos: VAMOS – Modelos e Marcas

Isso reforça um conceito fundamental do PSS: o provedor não entrega apenas um “produto da fábrica X”, ele entrega uma capacidade produtiva. Ao oferecer múltiplas marcas, a Vamos garante que o cliente tenha a melhor ferramenta para o trabalho, enquanto ela, como provedora, assume a complexidade de gerir diferentes cadeias de peças e manutenções

Volvo Locadora (Caminhões e Construção)

A Volvo lançou sua própria locadora no Brasil para oferecer soluções integradas. Um destaque recente é o foco em caminhões elétricos, onde o PSS ajuda a mitigar o risco tecnológico do cliente. A locação inclui o plano de serviços “Ouro”, telemetria avançada (Volvo Connect) e até o treinamento de motoristas para direção econômica.

Veja mais detalhes em: Lançamento Locadora Volvo

Zipcar

A Zipcar é uma empresa americana de aluguel de veículos sediada em Boston, Massachusetts. Por meio de um aplicativo no celular, o cliente pode encontrar e reservar um veículo. O cliente pode optar por um carro econômico ou um SUV. No final do uso, o cliente pode estacionar o veículo no mesmo local em que o encontrou, e encerra a viagem no aplicativo.

As cobranças de aluguel variam de acordo com o tipo de veículo, o tempo de uso ou por KM rodado. A contratação cobre desde a lavagem do veículo, combustível, seguro, até a sua manutenção do mesmo.

Veja mais detalhes em: https://flexmethod4innovation.com/zipcar/

Comentários

Neste tópico realizamos alguns comentários sobre os exemplos de PSS apresentados.

Montadoras oferecendo PSS

Note que muitas montadoras estão criando suas próprias locadoras. Isso acontece porque elas entenderam que, no modelo PSS, quem detém o “conhecimento sobre o produto” consegue gerir o risco de manutenção muito melhor do que um banco comum.

Além disso, elas possuem sua rede de concessionárias, o que torna o serviço muito mais confiável do que uma locação tradicional.

Esses casos demonstram que o PSS não é apenas “alugar”, mas sim integrar o suporte do fabricante ao ciclo de vida do produto.

Por que no Brasil chamamos de "Locadora" e não "Provedora de PSS"?

As montadoras brasileiras viraram “locadoras” para não perderem o controle do ciclo de vida do produto e para oferecerem uma vantagem fiscal que a venda direta muitas vezes não tem. É o PSS “disfarçado” de aluguel para sobreviver à burocracia brasileira.

Além disso, chamar de “PSS” no balcão de uma concessionária no Brasil faria o vendedor olhar para você como se você estivesse falando grego.

Existem três razões principais para o uso do termo “Locadora”:

1. O “Leão” (Razões Fiscais e Tributárias)

No Brasil, a legislação tributária é o que manda. O termo Locação está amparado pelo Código Civil e possui benefícios fiscais claros para as empresas (os clientes):

  • Dedução de IR: O valor pago pelo “aluguel” entra como despesa operacional (OPEX), reduzindo o lucro tributável.
  • Créditos de PIS/COFINS: Dependendo do regime, a locação gera créditos que a compra do bem não gera da mesma forma.
  • Se mudassem o nome do contrato para “Prestação de Serviço de Disponibilidade de Ativo”, a Receita Federal poderia tributar de forma diferente (ISS versus ICMS), complicando a vida de todo mundo. Isso está mudando com a reforma tributária.

B. Segurança Jurídica

O contrato de locação de bens móveis é uma figura jurídica extremamente robusta e testada nos tribunais brasileiros. Chamar de PSS criaria uma insegurança jurídica: “Isso é serviço? É aluguel? É leasing?”. Para evitar processos, o mercado se mantém no termo clássico.

C. Maturidade do Mercado (Linguagem Popular)

O termo “as a service” está na moda na área de TI (SaaS), mas no transporte e na indústria, o termo “Aluguel” ou “Locação” é o que o empresário entende de imediato. O PSS é o conceito acadêmico por trás, mas a “Locadora” é a embalagem comercial que o mercado aceita.

“Locadora de Montadora” é, na verdade, um PSS Integrado, onde o fabricante assume o risco técnico para garantir que o cliente foque apenas na sua atividade fim (transportar).
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