A prática - Caso
JBT Marel no processamento de cítricos

Lógica e arranjos de PSS

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Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected]) com apoio do chatGPT (leia mais)

A JBT Marel oferece soluções integradas de um portfólio de sistemas, equipamentos, software e serviços que podem compor linhas completas e arranjos mais flexíveis, resultando em receita recorrente. Oferece contratos de manutenção, soluções digitais, remanufatura e leasing operacional. Isso mantém o caso altamente relevante como exemplo de lógica servitizada e, em alguns arranjos, de PSS.

Introdução

Este caso aprofunda a descrição apresentada sobre a atuação da JBT no processamento de cítricos (dentro da seção de exemplos de PSS). O objetivo aqui é mostrar, de forma mais estruturada, como a empresa combina equipamentos, sistemas, software e serviços em uma lógica que, em determinados arranjos, se aproxima fortemente de um Sistema Produto-Serviço (PSS). Também são incorporadas atualizações mais recentes da companhia e uma distinção importante entre aquilo que está sustentado por fontes públicas atuais e aquilo que decorre de relatos de campo obtidos na prática.

Características  do caso

Tipo de caso: inovação de modelo de negócio na empresa

Objeto de análise: sistema de processamento de cítricos

Abordagem: sistema produto-serviço (PSS)

Setor: processamento de sucos

Empresa: JBT Marel

Visão geral da empresa

A companhia passou a se chamar JBT Marel Corporation em janeiro de 2025, após a combinação entre JBT e Marel. No relatório anual de 2024, a empresa se apresenta como uma provedora global de soluções tecnológicas para a cadeia de alimentos e bebidas, atuando com equipamentos, sistemas, software e serviços ao longo de diversas etapas do processamento industrial. O documento também informa que a companhia passou a operar como uma organização combinada após essa transação.

No caso específico dos cítricos, o catálogo histórico JBT Citrus Processing Systems mostra que a empresa se posicionava como líder global em soluções de processamento cítrico, afirmando que mais de 75% dos sucos cítricos do mundo eram produzidos com sua tecnologia e destacando a extratora cítrica como o núcleo da planta de processamento.

O que a empresa oferece no processamento de cítricos

Historicamente, a extratora de suco cítrico aparecia como o elemento central da oferta, mas não como o único. O catálogo mostra uma solução ampla, cobrindo desde armazenamento, recebimento e manuseio da fruta até equipamentos da sala de suco, processamento de polpa cítrica, produção de NFC, produção de FCOJ e processamento de cascas e resíduos. O próprio material histórico afirma que a JBT entregava full turn-key solutions.

NFC – Not From Concentrate – Significa “não concentrado”. É o suco que:

  • é extraído,
  • passa por pasteurização,
  • pode ter a água temporariamente removida para logística,
  • mas é reconstituído antes do envase,
  • sem ser comercializado como concentrado.

No mercado, é vendido como suco integral ou “100% suco, não concentrado”. Exige controle rigoroso de qualidade e cadeia fria. Este modelo de negócio é orientado a mercado premium, frescor, cadeia fria, menor processamento térmico.

FCOJ – Frozen Concentrated Orange Juice – Significa “suco de laranja concentrado congelado”. É o suco:

  • cuja água é removida por evaporação,
  • resultando em um concentrado,
  • que é então congelado para transporte e armazenamento.

É um produto muito usado em:

  • exportação,
  • trading internacional,
  • formulação industrial.

Este modelo de negócio é orientado a eficiência logística, estocagem, exportação e reconstituição posterior.

No relatório anual de 2024, a linguagem corporativa é mais ampla e mais atualizada. A empresa informa que oferece um portfólio de sistemas, equipamentos e serviços, frequentemente vendidos como parte de uma fully integrated processing line solution, cobrindo desde a entrada da matéria-prima até processamento adicional e embalagem final. O relatório também lista, entre suas ofertas para frutas e vegetais, equipamentos de limpeza, armazenagem, alimentação, finishers, sistemas de polpa, evaporadores, recuperação de ingredientes, esterilização asséptica, enchimento e extratores industriais de alta capacidade.

Lógica do caso como PSS

O caso é relevante porque o valor entregue não se limita à venda de um equipamento isolado. A proposta de valor se aproxima da entrega de uma capacidade contínua de processamento, apoiada em ativos físicos, serviços técnicos, manutenção, software e suporte ao desempenho.

O relatório anual reforça essa interpretação ao afirmar que a empresa possui uma grande base instalada de sistemas e equipamentos, da qual deriva receita recorrente por meio de peças de reposição, serviços, rebuild services (que envolvem recondicionamento e, em certos casos, práticas próximas à remanufatura de equipamentos do cliente) e outras ofertas associadas ao pós-venda. Além disso, o documento informa que a receita recorrente representou 49% da receita total em 2024.

Por isso, a JBT Marel pode ser interpretada, em certos arranjos, como exemplo de lógica servitizada e, em situações específicas, de PSS. O núcleo da oferta deixa de ser apenas “a máquina” e passa a ser o desempenho sustentado do sistema de processamento.

Serviços, manutenção e soluções digitais associadas

A dimensão de serviço aparece de forma clara nas fontes públicas atuais. O relatório informa que a empresa oferece:

  • serviços de pós-venda e rebuild services para equipamentos do cliente;
  • solução digital por assinatura chamada OmniBlu, com serviço integrado, disponibilidade de peças e otimização de máquinas, apoiada por IA, aprendizado de máquina e analytics;
  • plataforma de software Axin, que pode ser instalada junto aos equipamentos da própria empresa ou de terceiros, com monitoramento em tempo real e análise de indicadores como rendimento, throughput, qualidade, capacidade e eficiência de mão de obra;
  • acordos de manutenção preventiva, como o PRoCARE;
  • e, em certos casos, full service operating leases para extratores industriais de alta capacidade, incluindo peças de rotina e suporte de manutenção.

Esse conjunto reforça que a oferta é composta não apenas por hardware, mas por uma combinação de ativos + serviços + infraestrutura digital + manutenção + suporte operacional.

Evolução da arquitetura da oferta: de turn-key explícito para integração mais flexível

Um ponto importante deste caso é a evolução da forma como a empresa comunica sua oferta.

Nos materiais históricos, a solução aparece de forma muito explícita como uma solução turn-key completa, cobrindo toda a planta de processamento de cítricos. Ao mesmo tempo, esse mesmo catálogo já mostrava a presença de soluções READYGo, em formato skid-mounted, o que sugere que a lógica modular já coexistia com a lógica turn-key.

Já nas fontes mais recentes, o discurso institucional enfatiza mais um portfólio de sistemas, equipamentos e serviços integráveis, frequentemente vendidos como linhas totalmente integradas, mas com maior flexibilidade de composição conforme a aplicação do cliente. Assim, a formulação mais precisa hoje não é que a solução completa desapareceu, mas que ela passou a ser comunicada com maior ênfase em integração flexível, linhas completas, módulos e serviços associados.

Relatos de campo

Além das evidências públicas, há relatos obtidos na prática, a partir de observação direta e interação com empresas do setor, que ajudam a enriquecer o caso, mas que ainda precisam ser novamente corroborados junto à empresa para verificar se permanecem válidos na configuração atual do negócio.

Entre esses relatos, destacam-se os seguintes pontos:

  • em parte do setor citrícola brasileiro, determinados arranjos comerciais não envolveriam a compra do equipamento pelo processador, mas sim remuneração associada ao volume processado;
  • em alguns casos, a operação de certos equipamentos no cliente poderia contar com atuação direta de profissionais ligados ao fornecedor;
  • haveria práticas de manutenção mais abrangentes e de remanufatura de equipamentos ao final do ciclo, inclusive com aproveitamento elevado de material e intervenções concentradas em períodos de entressafra.

Esses elementos são conceitualmente muito relevantes para a leitura do caso como PSS, mas, na forma atual deste registro, devem ser tratados como relatos práticos em validação complementar, e não como afirmações já sustentadas por documentação pública recente.

Por que este caso é relevante para o estudo de PSS

O caso JBT Marel é particularmente útil porque mostra que a servitização não precisa aparecer apenas em ofertas simples de locação ou manutenção. Ela pode emergir em ambientes industriais complexos, nos quais a empresa combina:

  • equipamentos centrais de processo;
  • sistemas complementares para toda a planta;
  • software e monitoramento;
  • manutenção preventiva e suporte técnico;
  • rebuild services;
  • contratos recorrentes;
  • e, em certos casos, leasing operacional de ativos críticos.

Por isso, este caso ajuda a mostrar a transição entre uma lógica centrada em produto e uma lógica centrada em capacidade instalada, disponibilidade, desempenho e continuidade operacional.

Fontes

Relatório anual de 2024 da empresa JBT Marel Corporation
February 28, 2025 – 10-K Annual Report – JBT Marel Corporation

Catálogo histórico sobre processamento de cítricos
MF.DOC029-JBT-citrus-processing-system.pdf

Procedimento e apoio do chatGPT

A versão final publicada resulta de um processo de curadoria, interpretação e edição conduzido pelo autor, com apoio instrumental do ChatGPT na análise documental e na organização do conteúdo.

Procedimento anterior

O autor desta seção identificou e desenvolveu originalmente este caso a partir de uma análise direta da solução tecnológica da empresa, visitas técnicas a instalações industriais e interlocução com profissionais que atuavam na organização à época.

A versão inicial do caso foi elaborada quando a empresa ainda operava sob a marca JBT, antes da unificação com a Marel. Naquele contexto, a comunicação institucional enfatizava de forma explícita a lógica de solução completa turn-key para o processamento de cítricos.

Anos depois, com a unificação das empresas e a adoção do nome JBT Marel, a comunicação de mercado passou por mudanças relevantes, incluindo maior ênfase em integração modular, soluções digitais e portfólio ampliado de sistemas e serviços. Diante dessa evolução, o autor decidiu revisar o caso à luz das informações públicas mais recentes, incluindo o relatório anual de 2024.

Apoio do ChatGPT

Para atualizar e aprofundar a descrição do caso, o autor utilizou o ChatGPT como ferramenta de apoio analítico e organizacional.

A criação desta seção teve a duração de 8 horas, com 15  interações “ser humano – máquina (ChatGPT)”, realizadas ao longo de dois dias. A conversa resultou em 44 páginas de interação e cerca de 14 mil palavras geradas.

O ChatGPT foi empregado para:

  • analisar o relatório anual de 2024 (Form 10-K), com 169 páginas, identificando trechos relevantes relacionados ao processamento de cítricos, serviços, receita recorrente, rebuild services, leasing operacional e soluções digitais;
  • extrair e estruturar os conteúdos pertinentes ao caso;
  • organizar essas informações dentro de um novo sumário proposto pelo autor;
  • apoiar a consolidação da narrativa, mantendo coerência entre a versão histórica do caso e as atualizações recentes.

A definição do escopo, a interpretação conceitual do caso como exemplo de lógica servitizada e de PSS, a incorporação de relatos de campo anteriores e a edição final do texto foram realizadas pelo autor desta seção.

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