Produto Mínimo Viável (MVP)
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Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected]) com apoio do chatGPT 5.0 e NotebookLM (leia mais)
Esta seção é um detalhamento da seção principal sobre “Prova de Conceito (POC), MVP e protótipos”
Introdução
MVP (Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável) é uma versão inicial de um produto ou serviço, criada para:
- reduzir riscos e custos do desenvolvimento ao validar rapidamente hipóteses com clientes,
- gerando aprendizado para evoluir a solução ou pivotar em busca de outro caminho.
O MVP não é apenas para startups, mas sim uma ferramenta utilizada para acelerar o aprendizado sobre o mercado e os clientes, minimizando os riscos e maximizando o retorno sobre o investimento.
Esta seção é derivada da seção principal que trata de “Prova de conceito, MVP e protótipo”, pois consideramos o MVP como um tipo de protótipo no sentido mais amplo (figura abaixo).
Figura 430: Artefatos do processo de inovação: protótipos, provas de conceito (POCs) e MVPs (clique na figura para abrir em outra aba)
| A descrição dessa figura está na seção principal sobre protótipos, onde discorremos sobre as trilhas e os elos, apresentamos as razões para se aplicar um protótipo e explicamos como definimos a tipologia de protótipos da flexM4i, que é uma síntese de tipologias existentes. |
Seções relacionadas com protótipos na flexM4i
A figura abaixo mostra as seções da flexM4i relacionadas com protótipos, que remete para as seções relacionadas com a conexão empresa-startups.
Figura 1402: Seções da flexM4i relacionadas com protótipos (clique na figura para abrir um PDF em outra aba com os links para essas seções)
Papel do produto mínimo viável (MVP) nas trilhas
O produto mínimo viável (MVP) desempenha funções distintas nas duas trilhas de desenvolvimento, refletindo diferentes tipos de incerteza a serem enfrentadas.
- Na trilha tecnológica, o MVP aparece em situações menos frequentes (elo fraco). Após a validação de um protótipo de baixa fidelidade ou de uma prova de conceito, o desenvolvedor pode lançar mão de um MVP para verificar se a tecnologia funciona em escala maior ou com diferentes clientes. Nesses casos, o foco não é validar o mercado, mas sim confirmar se a solução tecnológica mantém consistência fora do ambiente de teste inicial.
- Na trilha de mercado/usuário, o MVP é o artefato mais característico, sobretudo no contexto B2C. Muitas vezes é o primeiro passo após a ideia de uma nova solução, inaugurando o ciclo do Lean Startup: construir – medir – aprender. Seu objetivo é testar hipóteses de valor com clientes reais, utilizando apenas as funcionalidades essenciais para verificar atratividade, adoção e modelo de negócio. Em alguns casos, pode ser precedido por protótipos de baixa fidelidade que ajudam a explorar alternativas antes da construção do MVP.
Assim, o MVP é especialmente relevante para reduzir incertezas relacionadas à desejabilidade e atratividade de mercado, mas pode também apoiar, de forma secundária, a validação tecnológica em contextos específicos.
| O que significam os elos nas trilhas Conforme apresentado na sessão principal sobre protótipos, cada artefato é ligado às trilhas tecnológica e de mercado/usuário por meio de elos: – Elo forte (linha contínua espessa): indica que o protótipo é comumente utilizado naquela trilha. – Elo fraco (linha tracejada mais fina): indica que o uso do protótipo naquela trilha não é o mais frequente, mas pode ocorrer em situações específicas. |
Origem do termo MVP e suas características
Apesar deste termo se tornar popular com a publicação do livro Lean Startup (Ries, 2011), ele surgiu antes, como mostramos a seguir.
MVP por Frank Robinson (2001)
O termo MVP (minimum viable product ou produto mínimo viável) foi criado em 2001 por Frank Robinson como um dos fundamentos da sua metodologia SyncDev (A systematic method to sell, design and build). Essa metodologia propõe desenvolver produto e cliente de forma síncrona. Nesta metodologia ele define que um MVP é …
… é o produto do tamanho certo para sua empresa e seu cliente.
É grande o suficiente para causar adoção, satisfação e vendas, mas não tão grande a ponto de ter funcionalidades demais e trazer um risco para a sua empresa.
Tecnicamente, é o produto com ROI máximo dividido pelo risco. O MVP deve possuir as características determinantes para gerar receitas a partir dos seus clientes mais relevantes, mas não atende a todas as necessidades relacionadas com todas as características para todos os clientes em potencial.
Frank Robinson afirma que “a definição técnica de MVP foi modificada por vários de seus proponentes”.
“MVP é um produto único que maximiza o retorno sobre o risco para o fornecedor e para o cliente”.
MVP é mais do que a sua definição, esse conceito deve fazer parte da “mentalidade dos gestores e do time de desenvolvimento”. Pense grande no longo prazo, mas pequeno no curto prazo. Pense grande o suficiente para que o primeiro produto seja uma plataforma de lançamento sólida para ele e sua próxima geração, mas não tão pequeno que você deixe espaço para um concorrente saltar sobre você.”
Ele ainda diz que “o time pode ser o seu próprio inimigo quando se trata de MVP. Sua imaginação, orgulho, profissionalismo, processo de brainstorming etc. criam uma ideia em cima da outra sem pensar nas consequências do investimento e do risco em persegui-las”.
Apesar do termo “produto” no MVP, deve ter atenção ao “minimamente viável” . Qualquer coisa que seja criada pode utilizar este conceito, como: segmento de mercado, clientes, serviços, canais, promoções entre outros.
| O site da metodologia de Frank Robinson não está mais no ar e não existe uma publicação tradicional sobre ela. Porém, como ela foi precursora dos conceitos encontrados no processo de desenvolvimento de clientes, que por sua vez inspirou o Lean Startup, ela continua disponível no arquivo da internet da wayback machine. O acesso é por meio deste link. Neste link você pode baixar um pdf sobre esta metodologia de 2008, que recuperamos do arquivo da internet. |
Frank Robinson criou o termo MVP em 2001, mas ele se tornou popular a partir das seguintes publicações:
- Ries, E. (2011). The lean startup. New York: Crown Business.
- Blank, S., & Dorf, B. (2012). The startup owner’s manual: The step-by-step guide for building a great company. John Wiley & Sons.
| Conheça na flexM4i, como essas duas publicações estão relacionadas dentro do contexto do processo de desenvolvimento de clientes. |
MVP do livro de Ries (2011)
Do livro Lean Startup (Ries, 2011) extraímos as seguintes frases:
- MVP é a primeira versão do produto que permite testar suas hipóteses com um mínimo esforço de desenvolvimento
- MVP auxilia os empreendedores a iniciar o processo de aprendizado o mais rapidamente possível.
- Ao contrário do desenvolvimento de produto tradicional, que leva muito tempo para desenvolver um protótipo “perfeito”, o objetivo do MVP é iniciar o processo de aprendizagem, não encerrá-lo.
- MVP é criado para testar hipóteses do negócio e não somente para verificar o projeto ou questões técnicas do produto, como no teste de protótipo e conceito (por este motivo colocamos a POC — prova de conceito — antes do MVP na figura 430 do início desta seção.
Em seu blog, Eric Reis postou a seguinte definição “síntese” do que é um MVP.
“MVP é uma versão de um produto que permite o time coletar uma quantidade máxima de aprendizados validados sobre os clientes com o mínimo esforço”
O mesmo conteúdo deste post foi replicado no site da sua empresa Lean Startup Co.
Conheça esse exemplo de MVP que o próprio Ries escreveu, antes de publicar o seu livro, em 2009. Este post sobre MVP do próprio Ries, também em 2009, traz trechos de uma entrevista que ele deu para o Venture Hacks sobre o que é um MVP. Vale a pena conhecer o raciocínio e a discussão sobre esse conceito.
Extraímos dois trechos dessa entrevista a seguir
“O produto mínimo viável (MVP) é aquele produto que tem apenas aquelas características (features) e nada mais, que permite que você o envie para que os primeiros adeptos (early adopter) vejam e que, pelo menos, alguns deles sintam-se atraídos pelo produto a ponto de comprá-lo e, assim, começar a lhe dar feedback…
…às vezes o MVP é útil para esses primeiros adeptos porque eles têm a mesma visão que os empreendedores e enxergam como será o produto final.”
MVP do livro de Blank & Dorf (2012)
Antes de tudo é bom lembrar que Steve Blank foi o professor do Eric Reis, que incorporou nos seus conhecimentos os aprendizados, e com base na sua experiência explorou o conceito de MVP, que não tinha sido explicitado anteriormente por Blank.
Logo após a publicação do livro de Reis (2011), Steve Blank e Bob Dorf publicaram o livro “The startup owner’s manual: The step-by-step guide for building a great company”. que possui mais de 1000 páginas e descreve em detalhes o passo a passo para se construir um “negócio de risco” (startup). Eles afirmam ainda, que tiveram a experiência que muitas empresas estabelecidas usam o seu método.
Na figura abaixo mostramos a evolução desses livros, que surgiram a partir da discussão de Blank sobre o “Processo de desenvolvimento de clientes” que deveria rodar “em paralelo” com o processo de desenvolvimento de produtos.

Figura 475: livros derivados da teoria do processo de desenvolvimento de clientes do Steve Blank, que representam abordagens e metodologias de empreendedorismo
| Esta figura acima está descrita na seção “Processo de desenvolvimento de clientes”. |
Extraímos as seguintes afirmações do livro de Blank sobre MVP (Blank & Dorf, 2012):
- você deve construir um MVP de forma ágil com as características da visão do produto para testar se você entendeu o problema do cliente e ver se ele compraria o produto com essas características
- a maior parte dos clientes quer o produto final, mas os early user compram as primeiras versões (se não comprar você deve pivotar até a maioria dos early users comprar)
- MVP é uma tática para cortar horas de desenvolvimento em desenvolver algo que os clientes não desejam
- MVP é uma estratégia para entregar o produto para os early users o mais rápido possível
- MVP é uma ferramenta para gerar o máximo de aprendizado do cliente em um espaço curto de tempo
- o objetivo do MVP é aprender e não entregar o produto
| Consulte sobre “early users” (ou “early adopters” — primeiros adeptos — nas categorias de usuários da curva-S: entendendo os estágios de evolução e difusão da inovação; e na definição de “Abismo da inovação” no glossário. |
Características de um MVP
Em 2010, Steve Blank postou em seu blog algumas características de um “Minimum Feature Set”, ou seja, conjunto mínimo de características (do produto obviamente), procurando inicialmente a destacar dois equívocos comuns no entendimento do que é um “minimum feature set” (ou do que ele diz que estão chamando de MVP):
- Confusão sobre o “mínimo”: Muitos empreendedores interpretam a palavra “mínimo” como se o objetivo fosse simplesmente entregar o menor produto possível, quase como um atalho de baixa qualidade. Blank alerta que não se trata de reduzir o produto ao extremo, mas sim de definir um conjunto essencial de funcionalidades capaz de gerar valor inicial para um público específico.
- Expectativa irreal de aceitação ampla: Outro erro é acreditar que esse conjunto mínimo vai agradar a todos os clientes potenciais. Na prática, apenas um subconjunto especial de clientes — os chamados earlyvangelists — vai se interessar pelo MVP. Esses clientes são tolerantes a imperfeições, mas se envolvem porque acreditam na visão de longo prazo do produto e querem participar da sua construção.
| Na descrição da curva-S ou do abismo da inovação, citados anteriormente, os “earlyvangelists” são denominados de “Inovadores” (entusiastas com novidades) e “primeiros adeptos” — “early adopters” — (adotam uma inovação para obter uma diferenciação com relação aos seus pares). |
Ou seja, Blank está dizendo que o MVP não é sobre agradar a todos desde o início, nem sobre lançar algo “mínimo” sem propósito.
É sobre entregar valor suficiente a um grupo específico de clientes visionários, que enxergam o potencial futuro e ajudam a validar o caminho.
Nesse seu post, ele descreve as principais características que um MVP deve possuir, que são:
- Conjunto mínimo de funcionalidades (“minimum feature set”): Conjunto de funcionalidades indispensáveis para que haja valor mínimo para clientes visionários (“earlyvangelists”).
- Redução de desperdício: Evita horas de engenharia desnecessárias, ou funcionalidades que ninguém usará ou pagará.
- Entrega rápida para earlyvangelists: Levar algo útil às mãos desses clientes que aceitam imperfeições, para obter retorno, feedback, aprendizado.
- Venda da visão junto com produto mínimo: É importante que os earlyvangelists entendam não apenas o que está sendo entregue agora, mas qual é a visão futura do produto/empresa (roadmap, direção dos próximos 18-36 meses).
- Aceitar que não agradará todos no início: A maioria dos clientes pode não gostar do produto mínimo; isso é esperado. O foco é nos visionários que enxergam valor mesmo na versão limitada.
- Visão flexível / possibilidade de mudança: Tanto o conjunto mínimo de funcionalidades quanto a visão devem estar sujeitos a mudanças conforme aprendizado e validação com clientes.
Quando Blank, no seu post, cita que o “minimum feature set” pode ser denominado de MVP, ele insere um link para um post de Eric Reis de 2009, que lista as principais características de um MVP:
- Aprendizado validado: É uma versão de produto que permite ao time coletar a máxima quantidade de aprendizagem validada (“validated learning”) dos clientes com o mínimo esforço.
- Menor esforço possível: O MVP deve exigir o mínimo de esforço, desenvolvimento ou recursos, suficientes apenas para testar hipóteses e obter feedback inicial.
- Iterativo / hipóteses explícitas: Cada MVP é projetado para testar hipóteses específicas, reconhecer se alguma hipótese falhou, pivotar ou ajustar o curso.
- Foco nos early adopters / primeiros usuários: O produto minimalista tem como público inicial os que toleram imperfeições, dão feedback e ajudam a moldar o produto.
- Não é produto “mínimo” sem propósito: O termo “mínimo” não significa meramente algo simples, mas algo mínimo com valor para aprendizado ou para os primeiros clientes; não basta lançar algo “simples” sem estratégia.
| Ou seja, em 2009, Eric Reis já possuía um visão das características de um MVP, que ele iria explorar no seu ciclo Construir – Medir – Aprender (Build-Measure-Learn feedback loop), proposta central do seu livro Lean Startup, publicado em 2011. |
Tipos de MVP
Existem diversos tipos de MVP, que como já dissemos, vamos considerar como protótipos. Vamos dividir entre MVPs de baixa e alta fidelidade, como definimos nos tópicos a seguir.
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O “MVP em vídeo” do Dropbox Um dos exemplos mais citados de experimentação em inovação é o vídeo criado por Drew Houston em 2009 para apresentar o Dropbox.
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MVPs de baixa fidelidade
MVPs de baixa fidelidade são rápidos e baratos de desenvolver, geralmente utilizando materiais simples, como papel, esboços ou wireframes, para criar um protótipo básico. O objetivo é testar as principais funcionalidades do produto e coletar feedback dos usuários. Esse tipo de MVP é uma excelente ferramenta para validar uma ideia de produto e garantir que ela atenda às necessidades do público-alvo, antes de se investir tempo e recursos na construção de uma versão mais refinada (Robot Mascot, 2018).
MVPs de baixa fidelidades são usados para:
- Obter uma melhor compreensão dos problemas do cliente
- Verificar o quão valiosa uma solução para esse problema pode ser para os clientes
- Investigar se vale a pena resolver o problema
- Explorar que tipo de solução seria mais eficaz para o cliente
| Veja também a comparação entre protótipos de baixa fidelidade e MVPs, na seção sobre os protótipos de baixa fidelidade. |
Exemplos de MVPs de baixa fidelidade
Esboços (Sketches): Desenhos rápidos e simples, usados para visualizar ideias iniciais e comunicar conceitos básicos de design. Eles permitem explorar diferentes soluções e gerar feedback inicial sem grandes investimentos de tempo ou recursos.
Protótipos com Lego (Lego Prototypes): Modelos físicos construídos com peças de Lego para representar produtos ou conceitos iniciais. São uma maneira lúdica e prática de testar a forma, estrutura ou funcionalidade de um produto físico, facilitando iterações rápidas e coletando feedback visual e tátil de usuários.
Landing Page: Usada para promover o produto e validar a proposta de valor, permitindo que os usuários interajam com o conceito do produto, como no exemplo do Buffer, onde uma página simples foi criada para medir o interesse antes do desenvolvimento do produto.
Testes A/B (Split Testing): Uma técnica para comparar duas versões de um produto ou elemento (como design, chamada para ação ou preço), permitindo que o desempenho seja medido e ajustado conforme necessário.
Vídeo Explicativo: Um vídeo curto que descreve as funcionalidades e os benefícios do produto, servindo para validar a ideia e gerar interesse antes do desenvolvimento completo.
Protótipos de Papel: Esboços simples que permitem aos usuários experimentar a interface de um produto e interagir com suas funcionalidades principais, fornecendo feedback valioso antes da construção de uma versão mais robusta.
Storyboard: É uma ferramenta poderosa de baixa fidelidade que pode ser utilizada como MVP. Ele permite ilustrar o fluxo de uso de um produto ou serviço de forma visual, descrevendo como o usuário interagiria com o produto em diferentes etapas. Embora não seja um protótipo funcional, ele pode ajudar a validar a experiência do usuário, capturar feedback e testar conceitos sem grandes investimentos.
Mapa da jornada futura: É comum utilizar o mapa da jornada da situação atual para entender as dores e ganhos dos clientes na jornada atual. Porém, se a inovação criar uma nova jornada, podemos desenhar este mapa da jornada futura para validar a situação futura de uso do produto ou serviço. Assim, esse mapa pode ser considerado uma ferramenta um MVPs de baixa fidelidade. Ele visualiza a experiência futura proposta do cliente ao interagir com o produto ou serviço, desde o primeiro contato até a resolução de suas necessidades. Embora não seja um MVP tradicional no sentido de criar um artefato ou protótipo para teste, ele oferece uma visão detalhada de como o produto será utilizado, ajudando a validar suposições sobre o comportamento do cliente, pontos de contato e momentos críticos na jornada.
Modelo de negócios: Quando ele for completo e descrever todos os seus componentes, pode ser considerado uma forma de MVP de baixa fidelidade. Um modelo de negócios permite testar a viabilidade de uma ideia antes de investir em um produto físico ou digital operando em um novo modelo de negócios. Ao desenvolver um modelo de negócios detalhado, que inclui elementos como a proposta de valor, segmentos de clientes, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, atividades-chave, parcerias, recursos e estrutura de custos, é possível obter feedback de stakeholders e identificar potenciais falhas ou ajustes necessários antes de avançar.
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Alguns podem argumentar que um modelo de negócios, por si só, não é um MVP, pois ele não envolve diretamente um produto ou serviço tangível para o cliente interagir. Ele é mais uma ferramenta de planejamento e validação estratégica, que pode complementar um MVP, mas não necessariamente servir como o MVP em si. No entanto, quando estamos desenvolvendo um novo modelo de negócios, por exemplo no caso da servitização, podemos testar o novo modelo de negócios, que pode ser baseado em oferecer um produto existente como serviço. |
Campanhas de Anúncios: Campanhas de marketing pagas, como no Facebook ou Google, que promovem um produto ou serviço ainda em fase inicial para medir o interesse do público e validar aspectos do produto, como a proposta de valor.
‘Fake Door’: Uma técnica em que os usuários são direcionados para um produto ou serviço que ainda não existe, permitindo medir o interesse por meio de cliques em uma chamada para ação e coletar informações sobre potenciais clientes. Os usuários são levados a acreditar que podem acessá-lo por meio de uma chamada para ação (como um botão “Compre agora” ou “Inscreva-se”), mas, ao clicar, são informados de que o produto está “em breve” ou ainda em desenvolvimento. O objetivo é medir o interesse simplesmente pelo número de cliques ou interações, sem oferecer o produto ou serviço real ou simulado. Nenhuma função do produto é replicada ou simulada.
Wireframes: Representações básicas e esquemáticas da estrutura e funcionalidade de interfaces digitais. Geralmente usados em projetos de software ou websites, os wireframes ajudam a definir a disposição dos elementos de uma página sem se preocupar com detalhes visuais como cores ou tipografia.
| Wireframes podem ser considerados de baixa ou média fidelidade, dependendo do seu nível de detalhe. Um wireframe básico, que apenas define a estrutura e layout sem se aprofundar em design visual ou interatividade, pode ser classificado como baixa fidelidade. No entanto, wireframes mais avançados, que incluem alguma navegação ou interatividade funcional, podem estar mais próximos da média fidelidade, pois começam a simular a experiência do usuário de forma mais realista, embora ainda simplificada em relação ao produto final. |
MVPs de alta fidelidade
MVPs de alta fidelidade são protótipos mais avançados que se aproximam bastante do produto final, com maior foco na experiência do usuário e no design. Esses MVPs envolvem a construção de protótipos funcionais mais sofisticados, oferecendo uma representação mais precisa do produto. Embora sejam mais caros e demorados para serem desenvolvidos, eles permitem obter feedback mais detalhado dos usuários e avaliar aspectos como usabilidade e comportamento em um ambiente que reflete mais fielmente a experiência final (Robot Mascot, 2018).
MVPs de alta fidelidade são utilizados para:
- Descobrir quanto os clientes estão dispostos a pagar pelo seu produto
- Encontrar early adopters que serão seus primeiros clientes e ajudarão a divulgar seu produto
- Ajudar a definir e otimizar sua estratégia de marketing, como sua proposta de valor, chamada para ação e canais de comunicação
- Identificar as melhores estratégias potenciais de crescimento
Exemplos de MVPs de alta fidelidade
Protótipos Digitais: Wireframes, mockups e protótipos digitais são usados para demonstrar a funcionalidade do produto sem investir imediatamente em design e desenvolvimento avançados. Eles permitem identificar e resolver problemas de funcionalidade antes de avançar para a fase de detalhamento.
Modelos 3D: São mais profissionais do que protótipos de papel, mas mais caros. São úteis para produtos físicos que serão fabricados, oferecendo uma visualização realista antes da produção.
MVP “O Mágico de Oz” (Wizard of Oz): Nesse caso, é criada uma fachada que dá aos clientes a impressão de que existe um produto totalmente funcional, enquanto as funções são executadas manualmente pela equipe, ou seja, pode existir uma interface, mas é um ser humano que realize as funções manualmente. É uma forma eficaz de testar o interesse do mercado antes de construir o produto.
| MVP “O Mágico de Oz” não é de baixa fidelidade? O MVP “O Mágico de Oz” pode ser interpretado como um MVP de baixa fidelidade em termos de desenvolvimento técnico, já que as funções do produto não são realmente automatizadas ou tecnologicamente sofisticadas. No entanto, ele é frequentemente classificado como um MVP de alta fidelidade porque oferece aos usuários uma experiência próxima ao produto final, mesmo que a tecnologia não esteja pronta. A simulação manual permite testar o comportamento do cliente e validar a proposta de valor em um nível mais profundo, o que é característico de MVPs de alta fidelidade.A distinção entre baixa e alta fidelidade, neste caso, se dá menos pela tecnologia utilizada e mais pela qualidade da experiência do usuário. Como a experiência é projetada para parecer totalmente funcional e completa, o “Mágico de Oz” é considerado de alta fidelidade, mesmo que o “motor” do produto ainda seja manual. Portanto, ele ocupa uma zona intermediária: baixa fidelidade técnica, mas alta fidelidade em termos de experiência para o usuário.
Veja o verbete sobre Wizard of Oz no glossário da flexM4i, que apresenta uma comparação com os MVPs dos tipos “fake door” e “concierge”. |
MVP “Concierge”: Diferente do “Mágico de Oz”, aqui o cliente sabe que está recebendo um serviço manual. É útil quando a solução ainda não está clara, permitindo um atendimento personalizado enquanto se aprende sobre as necessidades do cliente. O foco está em aprender diretamente com cada cliente, testando hipóteses de valor e crescimento antes da automação.
| Veja o verbete sobre Concierge no glossário da flexM4i. |
MVP “Piecemeal”: Fica entre o “Concierge” e o “Mágico de Oz”. Utiliza ferramentas e serviços existentes para criar um produto funcional. Embora a integração dessas tecnologias possa ser limitada, economiza tempo e dinheiro ao evitar a construção de infraestrutura própria.
MVP de Funcionalidade Única: Foca em testar uma única funcionalidade essencial do produto, evitando que os usuários se distraiam com outras features. Isso permite obter um entendimento claro de um problema ou solução específica e é mais econômico do que construir um produto completo com várias funcionalidades desnecessárias.
| Veja a comparação do MVP com protótipos de baixa fidelidade na seção sobre protótipos de baixa fidelidade e a comparação entre MVP e protótipos funcionais no próximo tópico. |
Qual a diferença entre MVP e um protótipo funcional?
Este tópico é replicado nas seções sobre MVP e sobre protótipo funcional.
A diferença entre um MVP e protótipo funcional não está no objeto físico ou digital utilizado, mas no propósito e nas perguntas que cada um busca responder.
| Atente que aqui não estamos falando da comparação entre um MVP e um protótipo de baixa fidelidade. O foco aqui é a comparação com protótipo funcional. O tópico “Protótipo de baixa fidelidade versus MVP”, dentro da seção sobre protótipos de baixa fidelidade, traz essa discussão. |
MVP: fases iniciais
O MVP (Minimum Viable Product) aparece tipicamente nas fases iniciais do desenvolvimento de uma inovação. Seu objetivo principal é responder: “Devemos construir isso?”.
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- Propósito: validar hipóteses de negócio em condições reais de mercado.
- Escopo: entregar a proposta de valor mínima de forma funcional, ainda que sem acabamentos finais ou recursos completos.
- Métricas: avaliar valor percebido, engajamento, retenção e disposição a pagar.
- Exemplo: uma versão simplificada de aspirador de pó, produzida em pequeno lote, distribuída a consumidores para medir interesse, experiência global de uso e atratividade comercial.
Em software é mais simples colocar um MVP para usuários utilizarem, como descrevemos anteriormente.
O MVP, portanto, é um experimento de negócio: não busca aperfeiçoar o produto, mas sim gerar aprendizado rápido sobre viabilidade de mercado.
Protótipo funcional: fases intermediárias e finais
O protótipo funcional acompanha o desenvolvimento em estágios mais avançados, respondendo à pergunta: “Podemos construir isso e como conseguimos?”.
- Protótipo funcional focado (fases intermediárias): valida subsistemas ou componentes isolados, com ênfase em aspectos técnicos e de desempenho.
Exemplo: o motor de um aspirador testado separadamente em laboratório. - Protótipo funcional abrangente (fases finais): representa o produto completo, em forma física ou digital, e pode ser colocado em uso real. Nessa etapa, o aprendizado vai além do design, abrangendo ergonomia, funcionalidade e usabilidade. O escopo do teste pode abranger também a experiência do usuário e até percepções de mercado, como preferências e expectativas de preço.
Exemplo: um lote de aspiradores totalmente funcionais distribuído a famílias para testar durabilidade, conforto de uso e impressões de valor.
O protótipo funcional, portanto, é um artefato técnico que, nas versões abrangentes, pode se aproximar bastante de um produto final e fornecer insumos tanto técnicos quanto de mercado.
| Quando um artefato tem todas as especificações detalhadas e está em estágio avançado de testes de mercado, ele deixa de ser um “minimum viable product” e passa a ser um protótipo funcional avançado. O conceito de MVP é mais apropriado para fases de experimentação inicial do negócio, não para ciclos finais de validação técnica e de uso. |
Risco do “protótipo eterno”
Quando a equipe continua refinando protótipos funcionais sem jamais avançar para corroborar as hipóteses de negócio inicialmente definidas, perde-se o sentido da aplicação anterior do MVP. O MVP bem definido, nas fases iniciais, tem um ciclo claro: ele se encerra quando o aprendizado de mercado se esgota.
Métricas de validação
- MVP: métricas de negócio (atração, engajamento, retenção, monetização).
- Protótipo funcional abrangente: métricas técnicas (consumo de energia, ergonomia de uso) e de negócio para corroborar as definições anteriores.
Críticas ao MVP
Na wikipedia, em inglês, você consegue obter uma visão ampla do conceito de MVP, mas não tão completa como a discussão que colocamos acima. É interessante conhecer as críticas e riscos de se trabalhar com MVPs.
As críticas encontradas na wikipedia em setembro 2024 são:
- Risco de imitação por concorrentes: Quando uma empresa lança um MVP prematuramente, especialmente em mercados onde a propriedade intelectual não está bem protegida, suas ideias podem ser rapidamente copiadas, prejudicando sua competitividade. Sem barreiras eficazes para a imitação, esse lançamento precoce pode fazer mais mal do que bem.
- Impacto negativo que um MVP pode ter sobre a reputação da empresa: MVPs que não atendem ao padrão mínimo de qualidade esperado pelos consumidores podem gerar feedback negativo, afetando a percepção da marca. Isso é especialmente crítico no mercado de produtos digitais e móveis, onde os consumidores têm fácil acesso a produtos concorrentes por meio de plataformas como lojas de aplicativos, o que aumenta as chances de migração para produtos que oferecem uma experiência superior.
Essas limitações levaram ao surgimento de novos conceitos e abordagens, como o Minimum Viable Experiment (MVE), que visa testar hipóteses com menos exposição, o Minimum Awesome Product (MAP), que foca na entrega de um produto impressionante desde o início, e o conceito de Simple, Lovable, Complete (SLC), que busca oferecer uma experiência mais completa e atrativa já na fase inicial. Essas alternativas procuram mitigar alguns dos riscos associados ao MVP, equilibrando a necessidade de testes rápidos com a entrega de valor real e proteção contra imitação.
Na wikipedia, essas críticas referem publicações que podem ser acessadas por pessoas interessadas no nível de detalhamento avançado.
Por que 90% dos MVPs falham
Este tópico foi baseado em um vídeo no YouTube (1:06:34) publicado pela Inventta consultoria com a entrevista de Marcelo Nicolau com o título ”O Paradoxo do MVP: Por Que 90% dos ‘Produtos Mínimos’ Falham”. Recomendamos que você assista ao vídeo citado, pois aqui destacamos somente alguns dos aspectos apresentados.
As provocações colocadas pela Inventta no início da discussão
- Média liderança entre pressões
- Média liderança de grandes empresas está presa entre dois fogos:
Pressão de cima: C-level cobrando “agilidade” e “inovação rápida”
Realidade de baixo: Times entregando MVPs que não geram tração real
O que eles vivem na prática:
- Aprovam budgets para MVPs que viram “protótipos eternos”
- Sofrem cobrança por resultados que nunca chegam
- Não sabem distinguir entre “entregar rápido” e “entregar valor”
- Sentem que estão desperdiçando tempo e recurso em “testes” que não levam a lugar nenhum
- Dilemas de gestão de MVPs
- “MVP vs. Protótipo Eterno”
Quando um MVP deixa de ser mínimo e vira desperdício?
Como definir o que MÍNIMO é “viável” antes de começar a construir? - “Governança sem Burocracia”
Como aprovar MVPs sem matar agilidade?
Checkpoints que fazem sentido (não só milestone técnico)
- Escala, aprendizado e retorno
- “MVPs que Escalam”
Diferença entre MVP de aprendizado e MVP de crescimento
Como preparar arquitetura para não refazer tudo depois?
Quando o MVP está pronto para virar produto “de verdade”? - “ROI de Aprendizado”?
E se falhar? E se eu gastar dinheiro à toa?
Os próximos dois tópicos contém:
- os principais argumentos deste vídeo e
- uma análise se a discussão deste vídeo está enviesada para produtos digitais
Principais argumentos desse vídeo
Este conteúdo foi gerado pelo Google NotebookLM.
Para evitar falhas, um MVP deve ser tratado como um passo estratégico em um processo de construção e aprendizado, com hipóteses claras, métricas bem definidas e um compromisso da liderança em usar os resultados (mesmo os negativos) para refinar a solução, em vez de simplesmente aprovar ou cancelar o projeto.
- Escopo Equilibrado e Propósito Claro
O maior erro identificado é o escopo desequilibrado do MVP, que pode se manifestar de duas formas:
- Over planning (Excesso de Planejamento): Querer testar muitas hipóteses, com múltiplos indicadores e funcionalidades de uma só vez. Isso torna o processo burocrático, complexo e tira o foco do essencial.
- Under planning (Falta de Planejamento): Lançar o produto sem um plano de validação claro, sem definir as hipóteses básicas, os indicadores de sucesso ou as funcionalidades mínimas necessárias para o teste. Isso é comum em perfis mais empreendedores que priorizam a velocidade em detrimento da estratégia.
Para evitar isso, um MVP deve ter:
- M (Mínimo): Apenas as funcionalidades essenciais para testar as hipóteses mais centrais do negócio — aquelas que, se invalidadas, inviabilizam todo o produto.
- V (Viável): O produto precisa ter uma experiência de uso minimamente boa. Um MVP cheio de bugs ou falhas técnicas pode gerar um “falso negativo”, onde a ideia é invalidada não por ser ruim, mas porque a execução do teste foi falha.
- P (Produto): Deve ser um “objeto” claro a ser testado, que represente o conceito central, sem esquecer de todo o modelo de negócio que o envolve.
- Foco no Aprendizado Contínuo
O principal objetivo de um MVP não é ser um produto final ou um teste de “go/no-go”, mas sim uma ferramenta para gerar aprendizado.
- ROI do Aprendizado: As empresas precisam estar dispostas a investir no aprendizado, mesmo que isso signifique “perder dinheiro” inicialmente. O MVP serve para aprender, refinar e pivotar.
- Fim do Ciclo do MVP: O teste de um MVP se encerra quando a curva de aprendizado diminui (“diminishing returns”). Ou seja, quando as interações com o mercado já não trazem mais novidades ou aprendizados significativos que movam o ponteiro.
- Construção de Mercado: Muitas vezes, um MVP não serve para “descobrir” um mercado que já existe, mas sim para ajudar a criar esse mercado junto com os usuários. É uma ferramenta para testar e refinar o produto enquanto educa e constrói a demanda.
- Métricas e Checkpoints Bem Definidos
Para que o MVP não se torne um “protótipo eterno” ou uma burocracia, é fundamental estruturar checkpoints claros com métricas específicas.
- Definição de Hipóteses e Critérios de Aceitação: Antes de começar, é crucial alinhar entre a equipe e os decisores quais são as hipóteses e, principalmente, qual será o critério de aceitação para considerá-las validadas ou invalidadas.
- Métricas Essenciais: O processo de validação pode seguir uma sequência de métricas-chave:
- Compreensão: O usuário entende o que o produto faz e para que serve?
- Atração: Conseguimos atrair usuários para experimentar? (Ex: CTR – taxa de cliques, taxa de conversão)
- Engajamento: Os usuários estão interagindo de forma consistente? (Ex: usuários ativos diários, sessões por usuário).
- Retenção: Eles voltam a usar o produto? (Ex: churn, uso em 7 e 30 dias).
- Monetização: Estão dispostos a pagar pelo valor gerado? (Ex: conversão para premium, ticket médio).
- Experiência Holística, Não Fragmentada
Um erro comum é testar o produto de forma fatiada, o que pode gerar “falsos positivos”.
- A Metáfora da Bicicleta: Não se deve testar o pneu, depois o pedal e depois o selim separadamente. O usuário precisa ter a experiência completa da “bicicleta”, mesmo que seja uma versão mais simples e básica. Isso é fundamental para que ele entenda a proposta de valor real.
- Paciência e Tempo para Maturação
É preciso definir e respeitar um tempo mínimo de teste para que o produto possa amadurecer no mercado, especialmente se o conceito for radical ou novo.
• O Tempo como Variável: O tempo é uma variável incontrolável. Lançar um produto e desistir em um mês pode ser precipitado, pois alguns conceitos levam tempo para que o público entenda, confie e adote. É preciso encontrar o equilíbrio entre resiliência e insistência excessiva.
A discussão deste vídeo está enviesada para produtos digitais?
Alguns exemplos e, principalmente, as métricas citadas nas fontes têm um viés para produtos digitais. Termos como CTR (taxa de cliques), usuários ativos diários, taxa de conversão e churn são nativos do universo digital.
No entanto, os princípios fundamentais e as características de um bom MVP citadas são absolutamente aplicáveis a produtos físicos complexos, como um automóvel ou um eletrodoméstico (que iremos usar para ilustrar). A diferença não está na filosofia, mas na forma de execução e nas métricas utilizadas.
A abordagem de testar hipóteses, aprender rapidamente, focar na experiência completa e usar métricas claras é fundamental para reduzir os riscos e evitar falhas caras, seja em um aplicativo ou no desenvolvimento de um novo automóvel.
Vamos analisar como as características mencionadas se aplicam a produtos físicos:
- Escopo Equilibrado e Propósito Claro
Para um produto físico, o “Mínimo” e o “Viável” são interpretados de forma diferente.
- Automóvel: Nenhuma montadora construiria um carro “mínimo” para vender. Em vez disso, o MVP poderia ser um protótipo de um único sistema crucial (ex: um novo conceito de painel de instrumentos) testado em um simulador ou em um modelo de carro existente. Na verdade, este protótipo é um protótipo funcional físico focado, que possui as características de um MVP se for apresentado para clientes. Outra abordagem seria um “MVP Concierge”, onde se simula a experiência (ex: oferecer um serviço de motorista particular que usa uma rota planejada por um novo software para testar a demanda por um serviço de mobilidade autônoma). O objetivo é testar a hipótese central (ex: “clientes valorizam um interior que se transforma em escritório”) sem construir o carro inteiro.
- Eletrodoméstico: Antes de produzir em massa uma nova geladeira com uma funcionalidade inovadora, uma empresa poderia criar protótipos funcionais físicos abrangentes e colocá-los na casa de um grupo de usuários para um teste de longa duração. O MVP aqui é o protótipo que valida o valor da nova função.
- Foco no Aprendizado Contínuo
Este princípio é universal. O objetivo de um protótipo de carro ou de um teste de eletrodoméstico não é a venda imediata, mas sim gerar aprendizado sobre o uso real.
- As empresas investem para aprender, refinando o design com base no feedback. O teste se encerra quando a curva de aprendizado diminui — ou seja, quando os engenheiros e designers param de receber insights novos e significativos dos test-drives ou do uso doméstico.
- Muitas vezes, como no caso de um produto radicalmente novo, o MVP ajuda a construir o mercado, educando os primeiros usuários (“early adopters”) sobre uma nova forma de interagir com seus carros ou casas.
- Experiência Holística, Não Fragmentada
A “metáfora da bicicleta” mencionada na fonte é talvez o elo mais forte entre o mundo digital e o físico.
- É um erro testar partes de um carro ou eletrodoméstico de forma isolada com o consumidor final. Você não testa o conforto do banco separadamente da dirigibilidade do carro.
- O usuário precisa ter a experiência completa, mesmo que em uma versão simplificada ou em um ambiente controlado. Ele precisa “dirigir a bicicleta”, não apenas avaliar suas peças. Isso é crucial para que a proposta de valor seja compreendida de forma real.
- Métricas e Checkpoints Bem Definidos
As métricas mudam, mas a lógica de validação sequencial permanece:
- Compreensão: O cliente entende para que serve a nova função no painel do carro?
- Atração: Quantas pessoas se inscrevem para um test-drive do protótipo?
- Engajamento: Com que frequência os usuários do teste doméstico utilizam a nova função do eletrodoméstico?
- Retenção: Ao final do período de teste, os usuários expressam que sentiriam falta do produto?
- Monetização: Estariam dispostos a pagar um valor adicional por essa funcionalidade ou a colocar um depósito para uma pré-encomenda?
Paciência e tempo para maturação
Este ponto é talvez ainda mais crítico para produtos físicos, cujos ciclos de desenvolvimento são mais longos e caros. Novos conceitos automotivos ou de eletrodomésticos podem levar anos para serem aceitos pelo mercado.
Montar um ecossistema (se for o caso) e até a cadeia de valor (ou suprimentos) leva um tempo também.
É preciso dar tempo para que o público entenda, confie e adote a inovação, equilibrando resiliência com a percepção de que uma ideia pode não ser viável.
O MVP cumpre aqui o papel de dialogar com os clientes inovadores e os early adopter para validar hipóteses iniciais sobre o product-market fit.
Uma vez tendo sucesso com os early adopter, os próximos passos são relacionados com ações de marketing para conseguir ultrapassar o abismo da inovação. Ou seja, além das atividades do processo de desenvolvimento de produtos ou serviços, também é necessário conduzir em paralelo o processo de desenvolvimento de clientes, que é uma proposta de Steve Blank de 2007 (inspiração para a criação do Lean Startup, como já comentamos anteriormente).
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Neste contexto é útil conhecer a jornada do cliente associada aos modelos recentes de funil de vendas e marketing (como os funis não lineares e o flywheel do Product-Led Growth), assim como as métricas AARRR da aquisição ao engajamento de clientes. Esses conceitos ajudam a entender essa jornada de adoção. Eles não são o foco aqui, mas podem complementar a análise de MVP. Leia mais sobre essas questões: |
O conceito de MPV é ótimo, mas como nós implementamos é que é o problema
Este tópico foi baseado no post do LinkedIn intitulado: O fim do MVP? E o papel dos Product Managers nessa trajetória.
O que aconteceu com o conceito de MVP
Entre a proposta do Lean Startup e o cenário atual, o termo MVP (Minimum Viable Product) sofreu um desvio significativo. Na prática, passou a ser usado como justificativa para abordagens superficiais, transformando-se em:
- Minimum Effort Product (Produto de Esforço Mínimo)
- Mediocre Value Proposition (Proposta de Valor Medíocre)
- My Very Pathetic attempt (Minha Tentativa Patética)
O resultado: uma distorção que enfraqueceu a credibilidade do conceito.
Onde os Product Managers erraram
Boa parte dessa mudança está relacionada à forma como os próprios product managers passaram a aplicar o conceito:
- A ênfase excessiva em “entregar rápido e aprender” fez esquecer que ninguém deseja utilizar um produto que parece um projeto escolar.
- O foco migrou para a velocidade, deixando de lado a construção de confiança com o usuário.
- MVPs foram entregues de forma inacabada, com falhas e baixa clareza de proposta, gerando abandono precoce dos usuários.
A realidade dura do mercado
Alguns fatos que costumam ser ignorados:
- A maioria dos usuários não se importa com o “plano de iterações” de uma equipe.
- Poucos estarão dispostos a esperar pela versão 2.0.
- O MVP é, em muitos casos, a primeira impressão do usuário — e dificilmente haverá uma segunda chance se a experiência inicial for ruim.
O problema não é o conceito, mas o uso
O conceito original de MVP não é, em si, falho. O problema está na forma como ele foi utilizado para justificar:
- cortes de qualidade,
- descuido no design,
- experiências de uso pouco consistentes.
A palavra “viável” foi frequentemente usada sem responder à pergunta central: viável para quem?
O que deve mudar
O MVP não pode ser tratado como um escudo contra a realidade de mercado. No contexto atual, ele precisa cumprir três condições fundamentais:
- Ser rápido de desenvolver e lançar.
- Entregar qualidade mínima aceitável.
- Comunicar claramente seu valor para o usuário.
O caminho não é “mínimo esforço”, mas sim mínimo escopo com máxima dedicação e cuidado.
Conclusão
Enquanto prevalecer a prática de reduzir o MVP a entregas apressadas e sem valor percebido, o conceito, tal como vem sendo aplicado, pode ser considerado “morto”.
E talvez essa constatação seja necessária para provocar uma revisão profunda em como as organizações lidam com a etapa inicial de seus produtos.
A atividade de experimentação é o foco
Consideramos que integrar esses conceitos e conhecer todas as possibilidades existentes é mais importante visando realizar experimentações. Além disso, essas experimentações devem ser realizadas o mais cedo possível. Por isso, na flexM4I iremos usar esses termos como sinônimos
Neste contexto, recomendamos a leitura do livro “Testing Business Ideas” (Bland & Osterwalder, 2020) que mostra as 44 possibilidades de experimentação de ideias de negócio, mencionadas anteriormente. Eles definem 8 possíveis sequências de experimentações para responder às questões:
- qual o tipo de hipótese você está testando?
- qual a evidência que você já possui (para uma hipótese específica)?
- quanto tempo você tem até o próximo ponto de decisão ou até você não ter mais verba para desenvolver o negócio?
Nesse livro os autores usam de uma forma mais livre os termos protótipos e MVP. Eles simplesmente tratam de experimentação alguns tipos de MVP conhecidos (como mágico de Oz e concierge), sem utilizar o termo MVP.
Quando listamos esses tipos de experimentações, marcamos com (*) aquelas que representam protótipos.
| As citações dos 44 tipos de experimentações estão na seção introdutória sobre protótipos. |
Informações adicionais
Leia mais sobre MVP nos seguinte links
https://www.productboard.com/glossary/minimum-viable-product-mvp/
https://www.productboard.com/blog/what-is-minimum-viable-product-mvp/
Apoio do chatGPT e Google notebookLM
A descrição do apoio está relacionada com todas as seções sobre protótipos.
A primeira versão desta seção foi escrita sem apoio do chatGPT. A versão atual foi completada com o apoio do chatGPT 4.o, que foi utilizado para organizar os conteúdos encontrados em publicações citadas. Nenhum conteúdo foi criado exclusivamente pelo chatGPT. Sempre foram fornecidos trechos de fontes de referência com instruções de como deveriam ser combinadas e organizadas. Mais de 40 iterações foram necessárias para se obter a versão que foi editada pelo autor desta seção.
Conforme novas referências foram sendo conhecidas, novas versões foram realizadas sem apoio do chatGPT. Partes desta seção foram corrigidas, modificadas e novos tópicos foram inseridos, pelo autor.
Após 10 meses da primeira versão, a revisão desta seção foi realizada adicionando novas referências, além da revisão da Isabela Simões na seção sobre Prova de Conceito (POC). Nessa fase foi utilizada a versão 5.0 do chatGPT.
Além disso, foi incorporado nesta seção um resumo de um vídeo do YouTube (tópico “Por que 90% dos MVPs falham”). Este vídeo foi resumido pelo Google NotebookLM.
A criação desta seção teve a duração de mais de 80 horas, com 230 interações “ser humano – agente de IA” (ChatGPT)”, realizadas ao longo de duas semanas. A conversa resultou em mais de 440 páginas de interação e cerca de 119 mil palavras geradas. A extensão do conteúdo deveu-se, em grande parte, à necessidade de construir, revisar e ajustar cada trecho da versão anterior da seção.
O foco delimitar os conceitos, que muitas vezes eram antagônicos em diferentes publicações procurando equilibrar profundidade teórica e adequação prática.
Após algumas interações, foram definidos novos tópicos do sumário da seção, a partir do sumário anterior. Iniciou-se então uma revisão conjunta “ser humano – agente de IA” de cada tópico.
Em nenhum momento o autor solicitou que o ChatGPT gerasse respostas com base em seus conhecimentos gerais. Todo o conteúdo foi elaborado a partir de materiais fornecidos, trechos comentados ou instruções precisas baseadas em análises do autor. Os textos produzidos passaram por diversas iterações, com o autor sugerindo ajustes, criticando formulações e, ao final, realizando pessoalmente a edição final de todos os blocos de conteúdo.
O autor conferiu sempre se os textos gerados pelo ChatGPT estavam alinhados com as fontes originais. Quando surgiam inconsistências ou dúvidas, ele fazia a checagem diretamente nas publicações de referência antes de aprovar qualquer trecho.
Nesses momentos, para garantir que o chatGPT estava utilizando as fontes fornecidas, já que ele possui limitações para indicar de onde ele tirou cada trecho de texto avaliado, utilizamos em conjunto o NotebookLM da Google para conferir os trechos das fontes utilizadas.
Esse processo exigiu iterações intensas e repetitivas, com refinamento textual, ajustes conceituais e reorganização de argumentos. Em vários momentos, versões intermediárias foram reanalisadas no próprio ChatGPT, que indicava melhorias, tensionamentos ou oportunidades de aprofundamento. O autor avaliava criticamente essas sugestões, nem sempre concordando, e frequentemente propunha soluções alternativas, mantendo sempre o controle final da redação.
Foi solicitado ao ChatGPT que não aceitasse automaticamente as propostas do autor, mas que realizasse uma análise crítica, sugerisse alternativas e propusesse reformulações embasadas nos conteúdos utilizados. Nesses momentos, o próprio chatGPT selecionava um modelo que demorava mais para responder. Quando aplicável, o autor indicava práticas baseadas em sua própria experiência, e o ChatGPT as incorporava, respeitando a distinção entre conteúdo empírico e referenciado. Nesses casos, o autor “ditava” para o chatGPT formular as frases, que posteriormente foram melhoradas pelo autor..
Durante todo o processo, foi enfatizado que o ChatGPT não deveria reescrever blocos inteiros automaticamente, mas sim identificar pontos de melhoria e sugerir correções localizadas, com justificativas. A edição final foi sempre realizada manualmente pelo autor desta seção.
Referências
Essas referências estão relacionadas com todas as seções sobre protótipos.
Altersoft (2022) Functional Prototype: How to Iterate with Your Software Product. Disponível em: https://www.altexsoft.com/blog/functional-prototype/ Recuperado em: 26 setembro 2024.
Bland, D. J., & Osterwalder, A. (2019). Testing business ideas: A field guide for rapid experimentation. Hoboken: John Wiley & Sons.
Blank, S., & Dorf, B. (2012). The startup owner's manual: The step-by-step guide for building a great company. John Wiley & Sons.
Dam, R. F. & Teo, Y. S. (2024, February 21). 5 Common Low-Fidelity Prototypes and Their Best Practices. Interaction Design Foundation - IxDF. https://www.interaction-design.org/literature/article/prototyping-learn-eight-common-methods-and-best-practices
Ries, E. (2011). The lean startup. New York: Crown Business.
Robot Mascot (2018). 18 types of minimum viable product (MVP) that won’t break the bank. Disponível em: https://www.robotmascot.co.uk/blog/18-types-of-minimum-viable-product/ Recuperado em: 26 setembro 2024.
Sparkmate (2023) Functional Prototyping: How the Iteration Process Goes. How to build a functional prototype and the road to building a MVP. Disponível em: https://www.sparkmate.com/blog/functional-prototyping Recuperado em: 26 setembro 2024.
Ulrich, Karl T.; Eppinger, Steven D.; Yang, Maria (2019) Product Design and Development. 7th. ed. New York: McGraw Hill.
Uxpin, T. (2024). Examples of Prototypes – From Low-Fidelity to High-Fidelity Prototypes. https://www.uxpin.com/studio/blog/prototype-examples/


