Glossário: Ciclo do Lean Startup

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Eric Reis, no seu livro best seller, Lean Startup (Ries, 2011), propôs o ciclo construir – medir – aprender (próxima figura). Este ciclo é conhecido como “Build-Measure-Learn feedback loop” (informalmente tratado de “Ciclo BML”) e também como ciclo do Lean Startup.

Apesar do Lean Startup ter um viés em soluções digitais, os termos que ele empregou tornaram-se comuns em inovação.

Figura 479: ciclo do lean startup de construir-medir-aprender e pivotar ou perseverar
Fonte: adaptado de Ries (2011)

Esse ciclo é uma simplificação das duas fases iniciais do processo de desenvolvimento de clientes proposto por Steve Blank (2007), que foi o professor do Eric Ries. Essas duas fases são:
Descoberta do cliente (customer discovery)
– Validação do cliente (customer validation)Conheça na flexM4i:
– a descrição resumida dessas duas fases na seção da flexM4i sobre o processo de desenvolvimento de clientes.
– nesta mesma seção, os livros “derivados” do processo de desenvolvimento de clientes, que mostra o livro Lean Startup nesse contexto.

Descrição resumida do ciclo.

Este ciclo parte de uma ideia com as hipóteses de valor (produto serviço) e de mercado.

Muitos empreendedores já possuem (ou deveriam possuir) um conhecimento prévio da situação que eles pretendem melhorar, caso eles comecem com uma ideia.

Partir diretamente de uma ideia é uma das vantagens e críticas do Lean Startup:
Vantagem: começa rápido, testando logo a ideia. Isso acelera os testes iniciais, e todo o processo de inovação, fazendo com que a introdução da solução seja mais rapida sem a aplicação de fms de entendimento do cliente.
Pressuposto: que os empreendedores (inovadores) conheçam bem o problema dos clientes e as oportunidades.
Crítica: se o pressuposto não estiver presente e a ideia estiver imatura ou desconectada do problema real, pode ser arriscado, pois o empreendedor ainda não compreende bem o problema a resolver.O ciclo vira tentativa e erro cega.
Como proceder? Aplicar métodos de entendimento do cliente (seus problemas, dores e oportunidades), como os métodos da fase inicial do design thinking, pode evitar desperdícios e aumentar as chances de acerto.Porém, a aplicação desses métodos de entendimento demora e pode “atrasar” o início da aplicação do ciclo do Lean Startup.

A ideia, que o(a) criador(a) de uma startup possui logo do início do desenvolvimento da startup, é uma visão de um produto ou serviço que deve resolver um problema específico ou aproveitar uma oportunidade de mercado / tecnologia com o objetivo de atender a um público-alvo / cliente / persona.

Conceitos importantes aqui:
Ideia é uma generalização que pode possuir diversos níveis de abstração.
Hipótese de valor da oferta (produto e/ou serviços)
Hipótese de mercado (escalabilidade)
Product-market fit
Veja a discussão sobre MVP na seção “Prova de conceito, MVP e protótipo”. O conceito de MPV é explorado nessa seção, com exemplos.
  • Medir as hipóteses de valor e de mercado por meio de testes, que devem usar indicadores mensuráveis (propostas de KPIs iniciais para medir para a retenção de consumidores e geração de receitas. Quando se tornar um projeto de desenvolvimento, podemos definir resultados intermediários a serem obtidos pelo projeto, ou seja, os key results, da abordagem OKRs)
  • Os dados resultantes dos testes servem de base para o aprendizado !!
  • Aprender, e a partir do aprendizado pode-se perseverar em mais um ciclo ou pivotar a ideia, criando uma nova proposta da inovação (validated learning):
  • Perseverar é refinar a ideia atual, seguir na mesma direção, ajustando detalhes em um outro ciclo de aprendizado. 
  • Pivotar é mudar de rota com base no que se aprendeu — criar uma nova abordagem ou solução mais concreta (uma nova ideia)  para resolver o mesmo problema ou atender melhor o cliente. Deve aprimorar o aprendizado e manter o foco no problema do cliente.
Leia mais na flexM4i sobre lições aprendidas, cujos princípios podem ser utilizados no ciclo BML

Muitos princípios e práticas foram divulgados com essa abordagem, como o “salto de fé” no momento de definição da ideia, mecanismos de crescimento possíveis, MVP  etc. Não é nosso objetivo realizar uma apresentação completa do lean startup aqui.

O “salto de fé” é a aposta inicial em uma ideia ainda não validada, baseada em uma crença forte sobre o problema e a solução.  É onde tudo começa, o ponto de partida antes dos testes.

Os princípios e práticas do Lean Startup foram incorporados em muitos processos de inovação, mesmo em empresas estabelecidas.

Um dos exemplos de incorporação dos princípios do lean startup em uma proposta de inovação corporativa é o “Innovator ‘s method”.


Lean Startup é o livro mais recomendado para empreendedores!

Fizemos um levantamento de livros sobre empreendedorismo baseado nas recomendações de 20 sites e o livro Lean Startup recebeu a melhor pontuação. Se desejar visite a planilha que criamos neste link. Na planilha você pode selecionar um site que  tenha a indicação e conferir uma pequena resenha sobre esses livros. Uma explicação mais completa sobre essa análise está na seção sobre “empreendedorismo”. 

No entanto, consideramos que o Lean Startup é uma abordagem ou metodologia de experimentação.

O Lean Startup não é suficiente para embasar o desenvolvimento de startups, mas trouxe princípios e práticas muito importantes.


Blank, S. (2007). The four steps to the epiphany: successful strategies for products that win. John Wiley & Sons.

Ries, E. (2011). The lean startup. New York: Crown Business.

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