Modelo conceitual que descreve a sequência de atividades e processos, ou a rede de atores e agentes, necessários para conceber, produzir, comercializar, entregar e dar suporte a um produto ou serviço, desde a sua origem até o consumidor final. É um termo polissêmico na literatura de negócios, possuindo duas abordagens principais correlacionadas: a interna (focada em processos) e a externa (focada em ecossistemas e governança).
Em inglês: Value Chain
Abordagem Clássica (Interna / Processual)
Formulada por Michael Porter na década de 1980, define a cadeia de valor como um conjunto de atividades interdependentes executadas por uma única organização para gerar valor ao cliente e obter margem de lucro (Porter, 1985).
- Foco: Otimização de processos internos e busca por vantagem competitiva por meio de menor custo ou diferenciação.
- Componentes: Divide-se em Atividades Primárias (logística interna, operações, logística externa, marketing/vendas e serviços) e Atividades de Apoio (infraestrutura da empresa, gestão de recursos humanos, desenvolvimento tecnológico e aquisição/compras).
A Abordagem Contemporânea (Externa / Rede de Atores)
Com o avanço da globalização, da terceirização (outsourcing) e da digitalização, o conceito expandiu-se para além dos limites físicos de uma empresa (Gereffi, Humphrey & Sturgeon, 2005). Cientistas sociais e economistas passaram a utilizar o termo para descrever a Cadeia de Valor Global (CVG).
- Foco: Atores interconectados (fornecedores, subcontratados, distribuidores, provedores de tecnologia e consumidores) espalhados geograficamente.
- Dinâmica: Analisa as relações de poder, coordenação e como o valor econômico, social e o conhecimento fluem e são distribuídos entre os diferentes agentes do ecossistema.
Abordagem Virtual e de Plataforma (Redes Digitais)
Em mercados baseados em dados e ecossistemas digitais, a cadeia perde sua linearidade tradicional e passa a funcionar como uma Rede de Valor (Value Network). O valor não é apenas adicionado sequencialmente, mas cocriado simultaneamente por uma constelação de atores em plataformas digitais (Rayport & Sviokla 1995).
Diferenciação entre stakeholders, cadeia de valor e ecossistema
A próxima figura ilustra a diferença entre stakeholders, cadeia de valor e ecossistema

Figura 1470 – ilustração da diferença entre stakeholders, cadeia de valor e ecossistema
- Stakeholders: São todos os atores que afetam ou são afetados pela solução.
Exemplos: cliente, usuário, comprador, regulador, fornecedor, distribuidor, equipe interna, concorrente, comunidade, financiador, assistência técnica, governo, operador, sindicato, seguradora etc.
Pergunta típica: Quem influencia, é impactado ou tem interesse na solução?
É o conceito mais amplo, que abrange a cadeia de valor e o ecossistema - Cadeia de valor ou rede de entrega: São os atores diretamente envolvidos na produção, comercialização, entrega, operação ou suporte da solução, normalmente com relações mais formais contratuais.
Exemplos: provedores fornecedores, distribuidores, canais, integradores, prestadores de serviço, operadores logísticos, assistência técnica, parceiros contratados.
Pergunta típica: Quem executa atividades necessárias para entregar a oferta? - Ecossistema (de negócios): São os atores e instituições que tornam a proposta de valor viável, escalável, adotável ou defensável. Alguns podem estar na cadeia de valor; outros não.
Exemplos: complementadores, parceiros tecnológicos, plataformas digitais, certificadoras, entidades regulatórias, provedores de dados, operadores do cliente, financiadores, seguradoras, empresas de manutenção, empresas de software, universidades, associações setoriais, clientes de referência e até concorrentes quando há padrões ou infraestrutura compartilhada.
Pergunta típica: Que atores, recursos, capabilidades, regras e relações precisam estar articulados para que o PSS funcione e gere valor?
Gereffi, G., Humphrey, J., & Sturgeon, T. (2005). The governance of global value chains. Review of International Political Economy, 12(1), 78–104. doi.orgKaplinsky, R., & Morris, M. (2001). A handbook for value chain research. International Development Research Centre (IDRC).
Porter, M. E. (1985). Competitive Advantage: Creating and Sustaining Superior Performance. Free Press.
Rayport, J. F., & Sviokla, J. J. (1995). Exploiting the virtual value chain. Harvard Business Review, 73(6), 75–85.
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