Boas práticas de entrevistas empáticas para compreensão de clientes

Introdução 

Esta seção apresenta boas práticas genéricas para a realização de entrevistas para compreender / entender clientes, usuários ou futuros clientes  potenciais no contexto de se obter empatia, definir circunstâncias, obter insights, levantar hipóteses, elicitar requisitos, descobrir desejos, identificar dores e problemas etc.

É importante lembrar que entrevistas geram evidências qualitativas, e não conclusões finais. A síntese pode indicar sinais relevantes, mas a equipe deve evitar generalizações prematuras. Dependendo do método em que as entrevistas forem integradas, diferentes técnicas de análise poderão ser utilizadas para consolidar, comparar, interpretar ou validar os dados coletados.

Em alguns ambientes, como no contexto do B2B, geralmente se aplicam entrevistas juntamente com a observação em campo, como mostramos no final desta seção no tópico “Quando combinar observação e entrevista: investigação contextual”.

Conheça a seção da flexM4i sobre observação contextual em campo.

O que são entrevistas empáticas?

As entrevistas empáticas são utilizadas para compreender qualitativamente e com profundidade clientes, usuários e demais atores envolvidos em uma experiência, processo ou decisão. Seu objetivo é explorar situações reais, comportamentos, dificuldades, motivações, expectativas e critérios de avaliação a partir da perspectiva da pessoa entrevistada.

Empatia é a capacidade ou postura de compreender a perspectiva do outro: como ele percebe a situação, o que sente, o que valoriza, o que o preocupa e o que tenta alcançar. 

Diferentemente de uma pesquisa estruturada ou de uma conversa comercial, a entrevista empática busca aprender com o entrevistado. Para isso, o entrevistador deve criar um ambiente seguro, ouvir com atenção, fazer perguntas abertas, explorar histórias concretas e evitar induzir respostas ou validar prematuramente uma solução.

Tipos de entrevista

Esta seção apresenta boas práticas para a condução de entrevistas qualitativas empáticas. Apresentamos neste tópico um panorama sucinto dos tipos de entrevista que existem para localizar qual o foco das boas práticas apresentadas.

O termo “entrevista” é amplo e engloba diferentes abordagens que variam conforme o objetivo da pesquisa e o nível de flexibilidade do pesquisador. As entrevistas podem ser categorizadas segundo a estrutura do roteiro e o tipo de questão e escala.

Quanto à Estrutura do Roteiro

  • Estruturadas: Seguem um roteiro rígido e padronizado, sem espaço para novas perguntas. São ideais para comparações diretas e geração de estatísticas.
  • Semiestruturadas: Utilizam um guia de tópicos ou perguntas pré-definidas, mas permitem que o entrevistador explore caminhos inesperados e faça perguntas adicionais conforme a conversa flui.
  • Não estruturadas (ou Livres): Funcionam como uma conversa informal onde o entrevistado lidera o rumo da narrativa, sendo comuns em fases exploratórias iniciais.

Quanto ao Tipo de Questão e Escala:

  • Fechadas: Perguntas com opções pré-definidas (ex: Sim/Não), úteis para coletar dados objetivos e métricas.
  • Escalas de Atitude: Utilizam itens graduados, como a escala Likert, para medir a intensidade de opiniões ou sentimentos.
  • Abertas: Perguntas que convidam à livre expressão, focadas em coletar dados subjetivos, convicções e histórias detalhadas.

Levantamentos Quantitativos e Estatísticos

Questionários estruturados, compostos por perguntas fechadas e escalas de atitude (como a escala Likert), são ferramentas fundamentais da pesquisa quantitativa. Diferente das entrevistas de empatia, esses instrumentos visam:

  • Análise Estatística e Generalização: O foco recai sobre a coleta de dados numéricos para prever, descrever e explicar fenômenos de forma objetiva. Para que os resultados sejam válidos e tratáveis estatisticamente, essa abordagem depende de amostras significativamente maiores do que as utilizadas em estudos qualitativos.
  • Independência do Formato de Entrevista: Embora possam ser aplicados por meio de entrevistas estruturadas (onde o pesquisador lê as perguntas de forma rígida), esses questionários são frequentemente administrados como levantamentos (surveys) autoaplicados, como em formulários online, o que dispensa a interação direta e permite rapidez na coleta de dados em larga escala.
  • Objetivo de Comparação: A rigidez e a padronização desses instrumentos servem para garantir que as respostas sejam diretamente comparáveis entre diferentes sujeitos, permitindo transformar percepções em métricas e estatísticas.

Foco desta seção 

As boas práticas desta seção aplicam-se especificamente a entrevistas qualitativas e exploratórias, geralmente semiestruturadas e baseadas em perguntas abertas. O objetivo aqui não é a contagem, obtenção de números ou a validação estatística de uma survey, mas sim a obtenção de insights ricos, histórias e mecanismos causais que os números, por si só, não conseguem revelar. O foco é na compreensão profunda (empatia) das dores do cliente no ambiente B2B.

Para este propósito, o rigor não reside na repetição mecânica de perguntas, mas na capacidade de gerar narrativas ricas e identificar mecanismos causais que métodos quantitativos não conseguem alcançar.

Boas práticas para entrevista qualitativa empática

As boas práticas apresentadas a seguir orientam a preparação, a condução, o registro e o processamento das entrevistas empáticas. Elas podem ser utilizadas em diferentes abordagens de compreensão do cliente, como Design Thinking, proposta de valor, descoberta de problemas, levantamento de requisitos, análise de processos e investigações orientadas por Job to be Done. 

Em cada tipo de aplicação e análise, características específicas devem ser adicionadas a essas práticas.

Definir claramente o objetivo da entrevista

Antes de entrevistar, a equipe deve definir o que deseja compreender.

A entrevista empática não deve ser usada para validar uma solução já pensada. Seu papel principal é entender a experiência do cliente, o contexto em que o problema ocorre, as dificuldades enfrentadas, as motivações envolvidas e os critérios que influenciam suas decisões.

Boas práticas:

  • definir qual situação, processo, experiência ou decisão será investigada;
  • explicitar o que a equipe ainda não sabe sobre o cliente;
  • evitar transformar a entrevista em uma pesquisa de opinião sobre uma solução;
  • deixar claro que a entrevista busca aprender, não vender, convencer ou confirmar hipóteses.

Selecionar bem os entrevistados

A qualidade da entrevista depende muito de falar com as pessoas certas.

A seleção deve priorizar pessoas que tenham experiência real com a situação investigada. Em vez de escolher entrevistados apenas por perfil demográfico, cargo ou segmento, é melhor considerar o comportamento recente, o papel exercido no processo e a familiaridade com o problema.

Boas práticas:

  • entrevistar pessoas que vivenciaram recentemente a situação investigada;
  • incluir usuários ou clientes com experiências diferentes, como usuários intensivos, usuários ocasionais, ex-usuários, clientes que mudaram de fornecedor e não consumidores;
  • buscar usuários extremos, pois eles costumam revelar necessidades, dificuldades, obstáculos, limitações e critérios de decisão mais claros;
  • no contexto B2B, distinguir quem executa, quem influencia, quem decide, quem compra, quem aprova e quem é afetado pela decisão;
  • procure definir pessoas com base no seus papéis no processo, e não apenas cargos formais;
  • registrar por que cada pessoa foi selecionada.

Preparar um roteiro flexível

O roteiro deve orientar a conversa, mas não engessá-la.

A entrevista empática funciona melhor quando o entrevistador tem clareza sobre os temas que precisa explorar, mas mantém liberdade para aprofundar histórias, situações inesperadas e contradições.

Boas práticas:

  • preparar temas principais, não apenas uma lista rígida de perguntas;
  • começar com perguntas simples e amplas;
  • avançar gradualmente para questões mais profundas;
  • prever perguntas de aprofundamento, como “o que aconteceu depois?”, “por que isso foi importante?” e “como você resolveu?”;
  • evitar perguntas que induzam respostas;
  • evitar perguntas fechadas quando o objetivo for compreender experiências, pois a entrevista empática perde valor quando vira um formulário (questionário) falado;
  • aceitar mudar a sequência do roteiro quando surgir uma história relevante.

Preparar a equipe e a logística da entrevista

A condução da entrevista deve ser planejada como uma pequena operação de campo.

Quando possível, a entrevista deve ser realizada por duas ou três pessoas, com papéis claros: uma conduz a conversa, outra registra observações e uma terceira pode apoiar a captura de evidências, como fotos, vídeos ou registros do ambiente, quando houver consentimento.

Boas práticas:

  • definir quem será o entrevistador principal;
  • definir quem fará anotações;
  • combinar previamente como serão registradas falas, observações e interpretações;
  • verificar autorização para gravação, imagem ou uso de documentos;
  • escolher um ambiente adequado, silencioso e confortável;
  • reservar tempo para conversa, encerramento e debriefing logo depois.

Garantir ética, transparência e segurança psicológica

A entrevista deve começar com transparência.

O participante precisa entender o objetivo da conversa, como os dados serão usados, se haverá gravação, se sua identidade será preservada e que sua participação é voluntária. Também é importante deixar claro que não há respostas certas ou erradas.

Boas práticas:

  • explicar quem está conduzindo a entrevista e por quê;
  • apresentar o objetivo da entrevista em linguagem simples;
  • solicitar consentimento para participação e gravação;
  • explicar como as informações serão usadas;
  • reforçar que o participante pode não responder alguma pergunta;
  • evitar qualquer pressão hierárquica, comercial ou institucional;
  • deixar claro que o entrevistador está ali para aprender.

Construir rapport e fazer aquecimento

Antes de entrar nos temas centrais, é importante criar uma conversa confortável.

Rapport é a condição relacional criada na conversa para que a pessoa se sinta à vontade para falar com abertura. Envolve confiança, conexão, respeito e segurança psicológica. 

O aquecimento ajuda o entrevistado a se situar, reduz a tensão inicial e aumenta a chance de ele compartilhar experiências reais, inclusive frustrações, dúvidas e decisões difíceis.

Boas práticas:

  • iniciar com perguntas leves sobre o contexto da pessoa;
  • pedir que ela fale brevemente sobre seu papel, rotina ou experiência;
  • demonstrar interesse genuíno;
  • evitar começar diretamente com perguntas sensíveis ou técnicas;
  • usar linguagem simples, compatível com o entrevistado;
  • manter uma postura respeitosa, aberta e não julgadora.
No contexto B2B, esse aquecimento pode incluir perguntas como: “qual é o seu papel nesse processo?”, “com quem você interage?”, “em quais situações esse problema costuma aparecer?” e “o que normalmente acontece antes e depois dessa atividade?”.

Explorar histórias e situações concretas

A entrevista empática deve privilegiar experiências reais, não opiniões genéricas.

Perguntas abstratas tendem a gerar respostas vagas. Histórias específicas revelam melhor o contexto, as dificuldades, as decisões, os improvisos, as emoções e os critérios usados pelo cliente.

Boas práticas:

  • pedir para o entrevistado contar a última vez em que viveu determinada situação (storytelling);
  • explorar incidentes críticos, especialmente situações em que algo deu errado;
  • pedir exemplos concretos antes de aceitar generalizações;
  • investigar o que aconteceu antes, durante e depois da situação;
  • perguntar quem estava envolvido;
  • identificar quais decisões foram tomadas;
  • observar diferenças entre o que a pessoa diz que faz e o que ela realmente fez;
  • usar perguntas como “conte-me sobre a última vez que…” ou “lembra de uma situação em que isso foi difícil?”.

Aprofundar sem induzir

O entrevistador deve aprofundar a conversa, mas sem conduzir o entrevistado para uma resposta desejada.

Boas práticas:

  • usar perguntas abertas;
  • pedir explicações adicionais quando a resposta for superficial;
  • pedir exemplos em vez de aceitar afirmações genéricas;
  • usar paráfrases para confirmar entendimento;
  • explorar contradições com neutralidade;
  • evitar defender uma solução ou explicar demais a própria ideia;
  • evitar perguntas do tipo “você gostaria de uma solução que…?”;
  • evitar perguntas que comecem com uma solução já embutida;
  • aplicar “por quê?” com cuidado, sem parecer interrogatório, pois repetir “por quê?” muitas vezes pode soar acusatório.
Uma forma mais natural de minimizar a pressão dos “por quês?” é alternar com perguntas como: “o que tornou isso difícil?”, “o que estava em jogo?”, “o que você tentou fazer?” e “o que aconteceria se isso não fosse resolvido?”.

Manter postura de escuta ativa

A atitude do entrevistador influencia diretamente a profundidade da entrevista. Essa é uma competência crítica da entrevista.

A boa entrevista depende menos de perguntas sofisticadas e mais da capacidade de ouvir, observar, acolher pausas e explorar o que emerge da fala do entrevistado.

Boas práticas:

  • adotar postura de aprendiz;
  • não julgar as respostas;
  • não corrigir o entrevistado durante a fala;
  • tolerar silêncios;
  • observar tom de voz, hesitações, gestos e expressões;
  • confirmar entendimento com suas próprias palavras;
  • registrar termos usados pelo próprio entrevistado;
  • prestar atenção a emoções, tensões e desconfortos;
  • investigar pontos em que há surpresa, frustração, improviso ou resignação.

Observar o contexto, os artefatos e o ambiente

Em muitos casos, principalmente em B2B, a entrevista ganha qualidade quando o entrevistador consegue ver o ambiente, os documentos, os sistemas, as ferramentas e os fluxos reais de trabalho.

Artefato é tudo o que foi produzido por um ser humano. Ele pode ser classificado em artefato conceitual ou artefato concreto. Exemplos de artefatos foram citados no parágrafo anterior.

Boas práticas:

  • realizar a entrevista, quando possível, no local onde a atividade acontece;
  • pedir demonstrações de como a pessoa realiza a tarefa;
  • observar ferramentas, planilhas, sistemas, formulários, indicadores e documentos usados;
  • identificar improvisos, retrabalhos, controles paralelos e atalhos;
  • registrar elementos do ambiente que influenciam a experiência;
  • diferenciar o processo formal do processo realmente praticado;
  • observar interações entre áreas, fornecedores, clientes e sistemas.

Essa categoria é especialmente importante para compreensão do cliente em servitização, PSS, processos B2B e job-to-be-done, porque muitas dores não aparecem na fala inicial do entrevistado. Elas aparecem nos artefatos, nos controles paralelos e nos desvios da rotina.

Capturar dados com fidelidade

A boa análise depende da qualidade dos registros.

O entrevistador deve separar claramente o que foi dito, o que foi observado e o que foi interpretado pela equipe. Misturar esses três níveis reduz a confiabilidade dos insights.

Boas práticas:

  • registrar falas literais relevantes;
  • usar aspas para citações diretas;
  • separar fatos observados de interpretações;
  • registrar emoções, hesitações e contradições percebidas;
  • guardar exemplos concretos;
  • anotar dúvidas que precisam ser verificadas depois;
  • usar gravação ou transcrição automática quando autorizado;
  • preservar a linguagem do entrevistado.

Ampliar a amostra por indicações de entrevistados

Ao encerrar cada entrevista, a equipe deve aproveitar a conexão estabelecida para ampliar a rede de entrevistados por meio de indicações diretas.

Quando um entrevistado indica outra pessoa, ele transfere parte de sua confiança e reputação para a equipe. Essa transferência cria condições de abertura que uma abordagem fria raramente alcança: o próximo entrevistado já sabe quem recomendou, compreende o contexto da pesquisa e tende a se sentir parte de algo relevante antes mesmo de a conversa começar. O nome do indicador funciona como uma ponte emocional que encurta o caminho até a escuta genuína.

Indicação endossada é a indicação feita por um entrevistado que, ao recomendar outra pessoa de sua cadeia de valor ou rede de confiança, transfere sua própria reputação para o próximo contato. Diferente de uma lista de nomes fornecida por um intermediário, a indicação endossada é pessoal, contextualizada e carregada de significado relacional.

Boas práticas:

  • ao encerrar a entrevista, perguntar diretamente: “Existe alguém da sua rede, como um fornecedor, cliente, parceiro ou colega, que você diria que não podemos deixar de ouvir para entender bem essa realidade?”;
  • registrar não apenas o nome e contato indicados, mas o motivo da indicação e o que o entrevistado valoriza nessa pessoa. Essa informação será usada na abordagem inicial;
  • ao contatar o indicado, mencionar explicitamente quem fez a indicação, por que ela foi feita e o que a equipe aprendeu com o entrevistado anterior. Isso cria imediata proximidade e contextualiza a relevância da conversa;
  • não transformar essa etapa em coleta de lista: priorizar indicações com perfil distinto do entrevistado atual, buscando diversidade de papéis, posições na cadeia de valor e experiências com o fenômeno investigado;
  • tratar com discernimento quando as indicações concentrarem pessoas com perfis muito semelhantes, pois isso pode indicar viés de rede. Você deve buscar ativamente perfis complementares ou divergentes;
  • registrar a cadeia de indicações (quem indicou quem), pois esse mapa ajuda a identificar padrões de confiança e posições de influência na cadeia de valor;
  • reconhecer que a disposição do entrevistado em indicar alguém é um sinal de que a conversa gerou valor percebido. Se não houver indicações, a equipe deve revisar a abordagem e o roteiro.

No contexto B2B, esse encadeamento é especialmente poderoso quando a indicação atravessa elos da cadeia de valor (ex.: um comprador indica um operador; um fornecedor indica um integrador). Nesses casos, a equipe acessa perspectivas que raramente aparecem em listas de contatos institucionais ou agendas mediadas por equipes comerciais.

Fazer debriefing e síntese logo após a entrevista

Podemos traduzir debriefing como reunião de síntese pós-entrevista. Indica que a equipe vai consolidar aprendizados logo após a entrevista.   

O debriefing imediato ajuda a transformar a entrevista em aprendizado para a equipe. É o momento de comparar percepções, identificar temas recorrentes e registrar hipóteses iniciais antes que detalhes importantes sejam esquecidos.

Boas práticas:

  • reunir a equipe logo após a entrevista;
  • revisar os principais fatos, falas e observações;
  • separar evidências de interpretações;
  • identificar surpresas e contradições;
  • registrar hipóteses que precisam ser verificadas em outras entrevistas;
  • organizar aprendizados por temas;
  • evitar concluir com base em uma única entrevista;
  • comparar padrões entre diferentes entrevistados.
Lembre o que comentamos na introdução: “entrevistas geram evidências qualitativas, e não conclusões finais”.

Quando combinar observação e entrevista: investigação contextual

A investigação contextual (contextual inquiry) é uma forma integrada de combinar observação e entrevista no próprio contexto da atividade. Ela é útil quando a equipe precisa compreender não apenas o que a pessoa faz, mas também por que faz daquele modo (Kip et al., 2018; Henderson, 2024).

Quando usar

Use essa abordagem quando for importante:

  • observar a atividade no ambiente real;
  • entender decisões tomadas durante a execução;
  • esclarecer dificuldades, desvios, adaptações e improvisos;
  • compreender o uso de ferramentas, sistemas, documentos ou equipamentos;
  • investigar como o contexto influencia o comportamento;
  • levantar evidências para requisitos, propostas de valor ou jobs-to-be-done.

O que ela adiciona

A investigação contextual vai além de aplicar entrevista e observação no mesmo projeto. Seu diferencial é fazer perguntas ancoradas no que está acontecendo durante a atividade ou logo após sua execução.

Com isso, a pessoa observada ajuda a explicar sua própria prática, enquanto o pesquisador assume uma postura de aprendiz. Essa interação reduz a dependência de memória, opiniões genéricas ou relatos desconectados da situação real.

Diferença em relação à observação e à entrevista

Na observação não participante, o pesquisador interfere o mínimo possível e registra o que acontece. Na entrevista isolada, o foco está no relato da pessoa. Na investigação contextual, o pesquisador observa a atividade e faz perguntas para compreender ações, decisões, critérios e dificuldades no próprio contexto em que elas aparecem.

Cuidado importante

Quando essa combinação for utilizada, os registros devem manter separadas três informações:

  • o que foi observado;
  • o que foi dito pela pessoa;
  • o que foi interpretado pela equipe.

Essa separação preserva a qualidade das evidências e facilita o uso posterior dos achados em entrevistas, mapeamento de processos, requisitos, propostas de valor ou levantamento de jobs-to-be-done.

Referências

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