Relação entre gestão da qualidade e da inovação
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Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected]) com apoio do chatGPT (leia mais)
Introdução
A gestão da qualidade e a gestão da inovação possuem uma relação estreita e complementar. Enquanto a qualidade garante que produtos e serviços atendam a padrões mínimos aceitáveis, a gestão da inovação amplia a capabilidade da empresa de gerar novas ofertas, negócios e adaptar-se às mudanças de mercado.
Hoje, a qualidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito básico
Clientes e mercados não toleram falhas em requisitos fundamentais. Isso torna a excelência em práticas de gestão da qualidade — como TQM, Six Sigma, controle estatístico de processo (CEP), certificações como ISO 9001 e metodologias de Design for X — um alicerce indispensável para o sucesso da inovação.
Da mesma forma, outros stakeholders, possuem outros requisitos, como que a empresa e seus produtos e serviços sejam sustentáveis, no seu sentido mais amplo, praticando a economia circular, regeneração, descarbonização etc.
| Leia sobre Stakeholders e percepção de valores. |
Nesta seção, exploramos como a qualidade sustenta inovações incrementais e radicais, como se relaciona com a ambidestria organizacional e por que, mesmo sendo considerada uma “capabilidade ordinária”, permanece essencial para a confiabilidade das soluções inovadoras. Destacamos que algumas características da qualidade 4.0 trazem capabilidades dinâmicas.
Discutimos variações de como a gestão da qualidade pode ser considerada como base na gestão da inovação, uma vez que ela é uma das disciplinas de apoio transversais, como apresentamos no framework de categorias de processos e atividades da gestão da inovação. Em seguida mostramos como a gestão da qualidade deve ser articulada com a implementação da ambidestria organizacional.
Também apresentamos evidências de estudos que comprovam o efeito positivo da integração entre gestão da qualidade e gestão da inovação no desempenho competitivo das empresas.
Localização desta seção no contexto da qualidade dentro da flexM4i
A figura abaixo mostra o relacionamento / abrangência entre as principais abordagens e práticas (metodologias, métodos e ferramentas) de qualidade com destaque para aquelas citadas nesta seção.
Figura 1395.1: principais abordagens e práticas de qualidade com destaque para aquelas citadas nesta seção (clique na figura para abrir em outra aba)
Nem todas as abordagens e práticas já foram publicadas na flexM4i. Quando isso ocorrer, será criado um mapa de conteúdo com os links para cada seções da flexM4i que tratam dessas abordagens e práticas.
O que é qualidade
Este tópico é uma síntese das definições de qualidade do glossário da flexM4i.
Qualidade pode ser entendida de diferentes formas, mas todas remetem à satisfação das necessidades do cliente. No contexto da inovação, qualidade é a base que garante que qualquer inovação seja confiável, crie valor real para o cliente e sustente a competitividade empresarial.
- Segundo a ISO 9000:2015, é o grau em que um conjunto de características intrínsecas de um produto ou serviço satisfaz a requisitos estabelecidos.
- Para Crosby (1984), qualidade é “conformidade com as especificações”, ou seja, fazer certo da primeira vez e evitar defeitos.
- Para Juran & De Feo (2010), qualidade significa adequação ao propósito (fitness for purpose). Em suas formulações anteriores, ele utilizava o termo adequação ao uso (fitness for use), mas considerou que “uso” era restritivo demais. A atualização para “propósito” amplia a definição, permitindo contemplar tanto a eficácia (atender às necessidades do cliente) quanto a eficiência (gerar desempenho empresarial superior).
Gestão da qualidade versus gestão da qualidade total (TQM)
A gestão da qualidade (Quality Management – QM) é atualmente entendida como um conceito mais amplo, que reúne princípios, métodos e ferramentas para planejar, controlar e melhorar a qualidade em produtos, serviços e processos. Contudo, não há consenso total na literatura: alguns autores ainda tratam a gestão da qualidade como sinônimo da gestão da qualidade total (Total Quality Management – TQM).
A TQM foi um marco histórico. Ganhou destaque nas décadas de 1980 e 1990 ao propor uma visão holística, que envolvia toda a organização — da alta direção aos fornecedores e clientes — no esforço pela melhoria contínua e pelo foco no cliente. O “Total” destacava justamente essa abrangência, em contraste com práticas mais restritas como o controle de qualidade (QC) ou a garantia da qualidade (QA).
A TQM consolidou um conjunto amplo de práticas, incluindo:
- As 7 ferramentas básicas da qualidade (folha de verificação, diagrama de causa-efeito, histograma, gráfico de Pareto, gráfico de dispersão, gráfico de controle e estratificação).
- As 7 ferramentas gerenciais da qualidade (diagrama de afinidade, diagrama de relações, diagrama em árvore, matriz de priorização, matriz de relações, matriz de decisão e diagrama de atividades).
- Ferramentas de suporte, como MSA, FMEA e QFD.
- Princípios de gestão, como foco no cliente, envolvimento de todos, melhoria contínua, decisões baseadas em fatos e liderança.
- Sistemas de certificação, sendo a ISO 9000 fortemente influenciada pela lógica TQM.
- Metodologias subsequentes, como o Six Sigma, que pode ser visto como uma evolução mais estruturada e quantitativa da TQM, sobretudo nos anos 1990.
Alguns autores chegaram a considerar a TQM mais abrangente do que a própria gestão da qualidade. Isso porque, no período de sua consolidação, o termo gestão da qualidade ainda era frequentemente associado a práticas restritas, como QC e QA. Com a evolução conceitual, entretanto, consolidou-se a visão de que a gestão da qualidade é o conceito mais abrangente, dentro do qual a TQM se apresenta como uma vertente histórica e influente.
Hoje, a gestão da qualidade é entendida como um termo guarda-chuva contemporâneo, que inclui tanto o legado da TQM quanto práticas e aplicações mais recentes, tais como:
- a adaptação da qualidade para serviços digitais e ambientes ágeis;
- a integração de práticas de confiabilidade em software crítico;
- o movimento Quality 4.0, que incorpora analytics, big data, IoT e inteligência artificial para monitorar e melhorar a qualidade em tempo real.
Dessa forma, a gestão da qualidade atual não é sinônimo de TQM, ainda que se apoie fortemente em suas bases. Nada impede, contudo, que em certos contextos culturais ou organizacionais os termos sejam tratados como equivalentes.
De forma esquemática, essa evolução pode ser representada como:
QC → QA → TQM → Gestão da Qualidade contemporânea.
Relação com Lean
Embora o Lean compartilhe valores próximos à qualidade — como a eliminação de defeitos e o foco no fluxo de valor — ele nasce do contexto da produção enxuta, não da qualidade propriamente dita. Por isso, não o incluímos como parte da gestão da qualidade, mas sim como uma abordagem paralela, que converge em diversos pontos de filosofia e métodos com a TQM e outras práticas de qualidade.
Sistemas de gestão integrada
Além da gestão da qualidade e do TQM, muitas organizações estruturam seus processos por meio de sistemas de gestão integrada (SGI). Conforme definido no glossário da flexM4i, um SGI é uma estrutura que reúne diferentes sistemas de gestão — como qualidade, meio ambiente, saúde e segurança, segurança da informação, entre outros — de forma unificada. Nesse contexto, o sistema de gestão da qualidade (baseado em normas como a ISO 9000) é um dos componentes centrais, mas não o único. Essa integração busca reduzir redundâncias, alinhar objetivos e aumentar a eficiência global da gestão organizacional.
| Tratamos da Gestão da qualidade total (TQM) em outra seção da flexM4i. |
Gestão da qualidade tornou-se uma capabilidade ordinária
Antes de relacionar qualidade e inovação, é importante compreender a distinção entre capabilidades dinâmicas e capabilidades ordinárias.
- Capabilidades ordinárias permitem que a empresa realize suas atividades de forma correta, com eficiência e confiabilidade.
- Capabilidades dinâmicas permitem que a empresa se ajuste a mudanças do contexto mercadológico e tecnológico, criando diferenciação competitiva.
| Leia mais sobre esses conceitos na seção sobre capabilidades dinâmicas e ordinárias. |
Nos anos 1990, possuir um sistema de TQM ou Six Sigma era visto como um diferencial estratégico. Essas práticas eram consideradas capabilidades dinâmicas, pois davam às empresas condições de competir em mercados cada vez mais exigentes.
Entretanto, na prática, muitas vezes esses sistemas se transformaram em burocracias pesadas, e sua aplicação limitada gerava até problemas de competitividade. Existem relatos que a aplicação do Six Sigma limitou a inovação na 3M (Hindo, 2007).
| O artigo de Hindo (2007) mostra como a aplicação rigorosa do Six Sigma sob a gestão de James McNerney (ex-GE, CEO da 3M entre 2001 e 2005) aumentou a eficiência operacional, mas acabou engessando os processos criativos, reduzindo a taxa de inovações disruptivas que sempre marcaram a empresa. |
Com o tempo, a situação se inverteu: a qualidade deixou de ser diferencial e tornou-se requisito básico. Hoje, TQM, Six Sigma, CEP e outras práticas da gestão da qualidade se consolidaram como capabilidades ordinárias. Estão amplamente difundidas, com cursos, consultorias e certificações que permitem sua adoção por praticamente qualquer empresa.
Embora algumas dessas ferramentas sejam vistas como tradicionais, se aplicadas corretamente continuam sendo indispensáveis para assegurar confiabilidade e prevenir falhas em campo, sobretudo em produtos e serviços de maior criticidade.
Já a aplicação das novas abordagens associadas à chamada Qualidade 4.0 — como analytics, big data, IoT e machine learning — pode atribuir à organização uma capabilidade dinâmica, ao permitir reconfigurar processos, explorar novos mercados e sustentar a inovação de forma contínua.
| Veja o verbete Qualidade 4.0 no glossário da flexM4i. Ali estão descritas as principais características dessa evolução da gestão da qualidade, bem como uma análise crítica mostrando como algumas delas extrapolam o escopo tradicional e se aproximam de campos como Indústria 4.0, manufatura avançada e transformação digital. |
Gestão da qualidade como base para inovação
A qualidade deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito básico. Clientes e mercados não toleram falhas em requisitos fundamentais quando se trata de uma inovação.
Embora TQM, Six Sigma e outras práticas de gestão da qualidade possam já não representar um diferencial competitivo, continuam sendo indispensáveis para que inovações sejam lançadas com confiabilidade e segurança, protegendo a reputação da empresa e a solidez de sua marca no mercado.
A figura a seguir apresenta o framework de categorias de processos da flexM4i, no qual a gestão da qualidade aparece como uma das disciplinas transversais de apoio à inovação, ao lado da gestão de riscos, finanças, stakeholders etc. Sua posição na base do framework não é casual: evidencia que a qualidade é um dos requisitos essenciais para sustentar a inovação. Justamente por atravessar todo o ciclo da inovação, a gestão da qualidade assegura legitimidade, confiabilidade e alinhamento estratégico das entregas, reforçando seu papel de fundamento indispensável para inovar com robustez.

Figura 389.10 – framework de categorias de processo da gestão da inovação com destaque para a Gestão da Qualidade
Startups e a adoção progressiva da gestão da qualidade
Startups precisam lidar com a qualidade de forma progressiva. No início da trajetória, o foco está em validar hipóteses de valor e de mercado. Nessa fase, a aplicação de práticas formais de qualidade pode ser mínima, sobretudo em MVPs de baixo risco, onde eventuais falhas não comprometem a sobrevivência do negócio.
Porém, quando chega o momento de detalhar e lançar o MVP, mesmo em startups jovens, a qualidade não pode ser negligenciada. Isso é particularmente crítico em software crítico de alto impacto ou em produtos físicos, em que falhas podem afetar diretamente a experiência do cliente, gerar riscos ou comprometer a reputação da empresa.
À medida que crescem, sobretudo em mercados regulados ou em soluções complexas, as startups precisam adotar práticas estruturadas de gestão da qualidade. A ausência de práticas de gestão da qualidade nesse estágio pode comprometer não apenas a entrega, mas também a legitimidade e a reputação da marca no mercado. Mesmo que não seja necessário adotar a gestão da qualidade em sua totalidade, algumas ferramentas específicas já se tornam essenciais para garantir consistência e confiabilidade.
No caso de startups que fabricam bens físicos, a maturidade na gestão da qualidade deve começar cedo. Incorporar fundamentos como o Design for Six Sigma já nas fases iniciais de desenvolvimento ajuda a evitar retrabalhos e correções onerosas no futuro.
Inovações de baixo e alto risco
Inovações de baixo risco, como um aplicativo experimental, podem tolerar falhas iniciais sem grande impacto para os usuários.
Já inovações de alto risco, como produtos físicos, serviços críticos ou soluções em mercados regulados, exigem qualidade desde cedo.
Nesses casos, práticas como o DfX (Design for Excellence) tornam-se fundamentais, pois orientam o desenvolvimento de produtos, processos e serviços para diferentes objetivos de excelência ao longo do ciclo de vida. Do ponto de vista da qualidade, destacam-se o DOE (Design of Experiments), que permite avaliar variabilidade e robustez ainda no desenvolvimento, e as práticas de design para confiabilidade, durabilidade e usabilidade, que asseguram que o produto cumpra requisitos fundamentais de desempenho, segurança e satisfação do cliente.
O CEP (Controle Estatístico de Processo), juntamente com o MSA (Measurement System Analysis), torna-se indispensável durante a produção em escala, quando é necessário monitorar e controlar a estabilidade estatística dos processos, incluindo os cálculos de capabilidade (Cp, Cpk, Pp, Ppk) para verificar se a variabilidade do processo atende às especificações do cliente. Em alguns setores, como a indústria automotiva, utiliza-se também o APQP (Advanced Product Quality Planning), que organiza planos de controle e práticas específicas de monitoramento.
Incrementais e radicais: nuances de risco
A associação direta entre inovação incremental e baixo risco, e entre inovação radical e alto risco, pode ser enganosa. Na prática, o nível de criticidade depende tanto do tipo de inovação quanto do contexto tecnológico e do produto ou serviço em questão.
Em produtos ou serviços simples, inovações incrementais tendem a trazer riscos reduzidos, pois envolvem apenas ajustes graduais.
É o caso de melhorias estéticas em eletrodomésticos básicos, como mudanças no design externo ou na cor, que raramente afetam a confiabilidade do produto. Nesse tipo de alteração, o desafio está mais em avaliar a aceitação do consumidor, por meio de testes como focus groups, do que em assegurar a robustez técnica.
No entanto, quando a inovação incremental envolve funcionalidades adicionais, mesmo em produtos aparentemente simples, os riscos aumentam.
Imagine uma máquina de lavar que incorpora um software de autodiagnóstico: se essa função falhar e afetar a operação básica, todo o valor percebido pelo cliente é comprometido. Nesse tipo de situação, práticas de engenharia de confiabilidade e testes rigorosos tornam-se indispensáveis.
Por outro lado, em produtos complexos e consolidados, mesmo uma inovação incremental pode gerar falhas graves.
Na indústria automotiva, por exemplo, pequenas modificações podem comprometer a segurança. Foi justamente por isso que a Toyota desenvolveu o DRBFM (Design Review Based on Failure Mode), metodologia usada para identificar riscos ocultos em alterações aparentemente pequenas.
| Leia mais na flexM4i sobre DRBFM (design review based on failure mode). |
Nem toda inovação radical, por sua vez, implica alto risco.
No setor de software, é possível lançar um MVP radicalmente novo, mas de baixa criticidade, em que falhas iniciais não trazem grandes impactos para os usuários. Um aplicativo experimental que apresenta erros nas primeiras versões, por exemplo, ainda pode ser aceito pelo mercado se cumprir a função de validar hipóteses de valor.
Já em setores regulados ou de alta sensibilidade, como saúde, mobilidade ou energia, inovações radicais exigem práticas de qualidade desde cedo.
Imagine um carro semiautônomo que falha ao assumir a direção em uma rodovia: trata-se de um risco inaceitável. Somente a aplicação consistente de TQM e Six Sigma pode assegurar o nível de confiabilidade necessário para que esse tipo de inovação chegue ao mercado.
Capabilidades ordinárias possibilitam que a empresa faça as coisas do jeito certo; capabilidades dinâmicas permitem que a empresa faça as coisas certas.
| Leia mais em capabilidades dinâmicas e ordinárias. |
Necessidade da ambidestria organizacional
A gestão da qualidade, assim como a governança da inovação, é indispensável para a consolidação de inovações. No entanto, aplicar normas e controles excessivamente rígidos nos estágios iniciais pode engessar ideias embrionárias, ainda que algumas práticas de qualidade, como o Voice of Customer, sejam fundamentais desde o início.
| Leia mais na flexM4i sobre “Como evitar o engessamento: a governança como suporte adaptativo à inovação”. |
A lógica da inovação mostra que existem momentos de inspiração, voltados ao surgimento de ideias, e momentos de transpiração, dedicados ao detalhamento, avaliação e consolidação de soluções. Essas duas metáforas não devem ser confundidas com os conceitos de exploitation e exploration, relacionados com questões organizacionais.
A ambidestria organizacional surge justamente da necessidade de equilibrar esses dois modos:
- Exploitation está ligado ao aproveitamento de ofertas já consolidadas no mercado atual, com foco em inovações de sustentação ou incrementais, geralmente relacionadas com o horizonte H1.
- Exploration corresponde à busca de novas oportunidades em novos mercados, tipicamente associada a inovações de horizontes mais distantes (H2 e H3).
| Leia mais na flexM4i: – Ambidestria organizacional, onde discutimos os modos exploitation e exploration. – Três horizontes de inovação e crescimento |
Uma empresa precisa manter simultaneamente esses modos para não ficar presa a curto prazo. Ao mesmo tempo, ela não deve perder confiabilidade nas entregas.
Para viabilizar isso, é essencial dispor de processos flexíveis, apoiados em princípios da gestão ágil e do intraempreendedorismo, que permitam modular o uso de normas e padrões. No Exploration, a organização deve “desligar” temporariamente os procedimentos e padrões formais da gestão da qualidade e da governança, criando espaço para que ideias e oportunidades sejam nutridas e floresçam. Isso é especialmente viável quando a unidade voltada ao Exploration pode operar sem a pressão imediata de atender plenamente às práticas de compliance.
| Leia mais na flexM4i sobre Governança da inovação. |
Mas, uma vez que hipóteses de valor e mercado são comprovadas, essas regras precisam ser reintroduzidas. Só assim é possível garantir a confiabilidade necessária para escalar produtos ou serviços — especialmente em contextos sensíveis ou regulados.
Já no exploitation, predominante em horizontes H1 e H2, as normas de qualidade e de governança tendem a ser seguidas de forma mais consistente, pois o foco é eficiência, confiabilidade, prevenção de falhas e redução de riscos. Ainda assim, mesmo nesse contexto, a empresa deve abrir espaço para o intraempreendedorismo e para iniciativas incrementais, preservando a flexibilidade necessária para que a inovação continue a emergir.
Efeito positivo da integração de TQM e inovação sobre o desempenho
Diversos estudos científicos quantitativos (Antunes et al., 2017; Khalfallah et al., 2021; Magd et al., 2021; Masrom et al., 2022; Schiavone et al., 2021) demonstram de forma consistente que a integração entre práticas de TQM e iniciativas de inovação exerce impacto positivo significativo sobre a vantagem competitiva das empresas.
Esses achados reforçam que, …
… embora a qualidade seja hoje considerada uma capabilidade ordinária, ela continua sendo condição indispensável para sustentar inovações bem-sucedidas e competitivas.
Procedimentos e apoio do chatGPT
Em nenhum momento formulamos uma pergunta diretamente para o chatGPT solicitando que ele respondesse com base nos seus conhecimentos gerais. Sempre solicitamos que ele usasse como base as referências bibliográficas e websites que selecionamos previamente.Veja os procedimentos à seguir.
Foi utilizada a versão 5 do ChatGPT.
Procedimento antes da iteração com o ChatGPT
Esta seção teve um desenvolvimento diferenciado no comum. Além de utilizar as referências citadas no final, vários trechos de uma versão inicial foram retirados de outras seções da flexM4i. Isso porque algumas das seções tratavam de abordagens e ferramentas da gestão de qualidade e citavam a relação com a gestão da inovação. O texto se tornava repetitivo e também inconsistente entre eles. Resolvemos então agrupar as discussões sobre a relação entre gestão de qualidade e gestão da inovação nesta seção.
Trabalho interativo com o ChatGPT
A criação desta seção teve a duração de mais de 36 horas, com 93 interações “ser humano – máquina (ChatGPT)”, realizadas ao longo de quatro dias. A conversa resultou em mais de 130 páginas de interação e cerca de 38 mil palavras geradas. A extensão do conteúdo deveu-se, em grande parte, à necessidade de construir, revisar e ajustar cada trecho da seção em um nível de detalhamento elevado, com foco em clareza conceitual, profundidade teórica e adequação prática.
Após algumas interações, foi definida uma primeira versão do sumário da seção, a partir de uma proposta inicial realizada pelo autor. Iniciou-se então uma edição conjunta “ser humano – máquina” de cada tópico. Ao longo do desenvolvimento, o sumário foi refinado em múltiplas rodadas até atingir uma estrutura final, com tópicos organizados em subtópicos curtos, compatíveis com o modelo de microlearning da flexM4i.
Em nenhum momento o autor solicitou que o ChatGPT gerasse respostas com base em seus conhecimentos gerais. Todo o conteúdo foi elaborado a partir de materiais fornecidos, trechos comentados ou instruções precisas baseadas em análises do autor. Os textos produzidos passaram por diversas iterações, com o autor sugerindo ajustes, criticando formulações e, ao final, realizando pessoalmente a edição final de todos os blocos de conteúdo.
O autor conferiu sempre se os textos gerados pelo ChatGPT estavam alinhados com as fontes originais. Quando surgiam inconsistências ou dúvidas, ele fazia a checagem diretamente nas publicações de referência antes de aprovar qualquer trecho.
Nesses momentos, para garantir que o chatGPT estava utilizando as fontes fornecidas, já que ele possui limitações para indicar de onde ele tirou cada trecho de texto avaliado, utilizamos em conjunto o NotebookLM da Google para conferir os trechos das fontes utilizadas.
Esse processo exigiu iterações intensas e repetitivas, com refinamento textual, ajustes conceituais e reorganização de argumentos. Em vários momentos, versões intermediárias foram reanalisadas no próprio ChatGPT, que indicava melhorias, tensionamentos ou oportunidades de aprofundamento. O autor avaliava criticamente essas sugestões, nem sempre concordando, e frequentemente propunha soluções alternativas, mantendo sempre o controle final da redação.
Foi solicitado ao ChatGPT que não aceitasse automaticamente as propostas do autor, mas que realizasse uma análise crítica, sugerisse alternativas e propusesse reformulações embasadas nos conteúdos utilizados. Quando aplicável, o autor indicava práticas baseadas em sua própria experiência, e o ChatGPT as incorporava, respeitando a distinção entre conteúdo empírico e referenciado.
Durante todo o processo, foi enfatizado que o ChatGPT não deveria reescrever blocos inteiros automaticamente, mas sim identificar pontos de melhoria e sugerir correções localizadas, com justificativas. A edição final foi sempre realizada manualmente pelo autor desta seção.
Referências
Antunes, M. G., Quirós, J. T., & Justino, M. do R. F. (2017). The relationship between innovation and total quality management and the innovation effects on organizational performance. International Journal of Quality and Reliability Management, 34(9), 1474–1492. https://doi.org/10.1108/IJQRM-02-2016-0025
Crosby, P. B. (1984). Quality without tears: the art of hassle free management. New York: McGraw-Hill.
Hindo, B. (2007). At 3M, a struggle between efficiency and creativity. Business Week, 11(11), 8-14.
ISO 9000:2015 Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e vocabulário. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Juran, Joseph M. & De Feo, Joseph A. (2010). Juran’s quality handbook: The complete guide to performance excellence. McGraw Hill
Khalfallah, M., Salem, A. B., Zorgati, H., & Lakhal, L. (2021). Innovation mediating relationship between TQM and performance: cases of industrial certified companies. The TQM Journal.
Magd, H., Ansari, M., & Negi, S. (2021). The Relationship between TQM, Knowledge Management, and Innovation: A Framework to Achieve Organizational Excellence in Service Industry. Global Business & Management Research, 13(3), 283–296.
Masrom, N. R., Daut, B. A. T., Rasi, R. Z. R. M., & Keong, L. W. (2022). Innovation As Mediating Factor Between Total Quality Management and Competitive Advantage Among Manufacturers. International Journal for Quality Research, 16(1), 243–260. https://doi.org/10.24874/IJQR16.01-17
Schiavone, F., Pietronudo, M. C., Sabetta, A., & Ferretti, M. (n.d.). Total Quality Service and Service Innovation in Digital Environment. Sites.Les.Univr.It, September 2021.

