Elementos de valor
O que os clientes percebem e valorizam?
flexM4I > abordagens e práticas > Elementos de valor (versão 2.2)
Editado por Henrique Rozenfeld ([email protected]) com base no checklist preparado por Sânia Fernandes ([email protected]) e Maiara Rosa ([email protected])
Descrição resumida
Quando os clientes tomam uma decisão de compra eles ponderam o trade-off entre os benefícios percebidos e os seus sacrifícios, que em uma relação comercial são representados por quanto os clientes pagam pelas ofertas, ou seja, o que importa é o valor.
| Veja a definição de valor |
Muitas empresas ainda perseguem a competitividade com foco na margem, ou seja, aumentando o preço ou diminuindo o custo. Se elas, no entanto, procurarem oferecer benefícios, fica mais fácil aumentar um preço com base na diferenciação. O resultado será também a obtenção de maiores margens e, portanto, lucratividade.
Os elementos de valor servem como referência para você conhecer quais são as possibilidades existentes de aumento do valor das ofertas da sua empresa.
Eric Almquist da Bain & Company e colegas foram os primeiros autores de duas publicações que definiram os elementos de valor na relação B2C (Almquist, Senior & Bloch, 2016) e na relação B2B (Almquist, Cleghorn & Sherer, 2018).
Na relação B2C, Os elementos de valor representam valores 30 valores fundamentais, mas que não são universais, pois é impossível criar ofertas de produtos e serviços que ofereçam todos esses valores. Esses valores são divididos em valores funcionais, emocionais, de mudança de vida e de impacto social (Almquist, Senior & Bloch, 2016).
Na relação B2B, os compradores avaliam os fornecedores e analisam o custo total de propriedade do que estão comprando com base em critérios quantitativos e racionais que consideram o preço e o desempenho do que estão comprando, além de outros critérios baseados em requisitos mínimos de mercado e qualidade (Almquist, Cleghorn & Sherer, 2018).
Como as ofertas B2B se tornam cada vez mais comoditizadas, os critérios subjetivos e mesmo pessoais são importantes na tomada de decisão. Os autores afirmam que em alguns processos de compras, a reputação e diminuição da ansiedade do comprador são considerados (Almquist, Cleghorn & Sherer, 2018).
Com base na análise de muitos casos, os autores utilizaram o conceito da pirâmide de Maslov como metáfora para estruturar os elementos de valor, tanto na relação B2C como na relação B2B (veja a visão geral).
Quando você deveria utilizar os elementos de valor?
Você deveria usar o checklist dos elementos de valor no momento em que estiver definido os requisitos para estabelecer quais as características do conceito das ofertas (produtos e serviços).
Por que você deveria utilizar os elementos de valor?
Visão geral
Nos artigos originais citados você pode acessar as figuras completas dos dois tipos de elementos de valor. Ilustramos a seguir as duas “pirâmides”, apresentando inicialmente as categorias (e subcategorias na relação B2B) dos elementos de valor e, em seguida, as pirâmides originais.
| No material de apoio, você pode baixar uma planilha com os elementos de valor classificados segundo essas categorias e subcategorias. |
Na relação B2C
A figura abaixo representa hierarquicamente as categorias dos elementos de valor para a relação B2C.

Figura 907: pirâmide das categorias dos elementos de valor na relação B2C
Fonte: adaptada de Almquist, Senior & Bloch (2016)
A figura a seguir é uma cópia da pirâmide original.

Figura 1133: pirâmide dos elementos de valor na relação B2C (clique na figura para abrir em outra aba)
Fonte: Almquist, Senior & Bloch (2016)
| Nas informações adicionais indicamos um link da consultoria Bain & Company, que permite que você navegue interativamente nesta pirâmide com a explicação de cada elemento de valor (em inglês). |
Cristiane Rocha Thiel traduziu essa pirâmide para o português, como mostra a figura abaixo.
Figura 1133: pirâmide dos elementos de valor na relação B2C (clique na figura para abrir em outra aba)
Fonte: Thiel (2021)
| O checklist para você baixar do tópico “Material de apoio” contém esses elementos de valor. |
Na relação B2B
A figura abaixo representa hierarquicamente as categorias dos elementos de valor para a relação B2.

Figura 908: pirâmide das categorias e subcategorias (em itálico) dos elementos de valor na relação B2B
Fonte: adaptada de Almquist, Cleghorn & Sherer (2018)
A figura a seguir é uma cópia da pirâmide original.

Figura 1134: pirâmide dos elementos de valor na relação B2C (clique na figura para abrir em outra aba)
Fonte: Almquist, Cleghorn & Sherer (2018)
| O checklist para você baixar do tópico “Material de apoio” contém esses elementos de valor. |
Características dos elementos de valor
O framework (pirâmide) de elementos de valor pode ser usado tanto para diagnosticar onde a oferta atual está entregando valor quanto para identificar oportunidades de aumentar o valor percebido.
A seleção de quais elementos priorizar depende de pesquisa com clientes, testes de importância relativa e da estratégia da empresa.
Os elementos de valor podem apontar benefícios que o cliente não verbaliza como necessidade, mas que aumentam a atratividade e a lealdade.
Os autores destacam que nenhum elemento de valor compensa falhas graves de qualidade — que é a base mínima para que qualquer combinação de benefícios seja percebida como valiosa (Almquist, Senior & Bloch, 2016)..
Material de apoio
MF.MAP0030 – planilha com os elementos de valor. Nesta planilha, sequenciamos os elementos de acordo com as categorias e subcategorias a partir da base das pirâmides. Na figura da visão geral você pode visualizar a hierarquia das categorias.
- Na aba “valores B2C” estão os elementos de valor da relação B2C com base no artigo (Almquist, Senior & Bloch, 2016). Nesta aba estão colocadas as categorias, os elementos de valor, uma descrição e um exemplo para cada elemento.
- Na aba “valores B2B” estão os elementos de valor da relação B2B com base no artigo (Almquist, Cleghorn & Sherer 2018). Nesta aba estão colocadas as categorias, as subcategorias e os elementos de valor.
Elementos de valor, desejos e necessidades do cliente
Ao apresentar os elementos de valor, é importante diferenciá-los dos conceitos de necessidade do cliente e desejo do cliente, reconhecendo que há relação e, em alguns casos, sobreposição. A seguir, destacam-se os principais pontos dessa comparação.
Natureza e origem
- Necessidade do cliente: “Uma necessidade do cliente é uma declaração abstrata dependente do contexto que descreve os benefícios, nas próprias palavras do cliente, que o cliente procura obter de um produto ou serviço.” (Timoshenko & Hauser, 2019). É o sinal captado diretamente do mercado, originado no contexto de uso e nas “dores” — problemas, desejos ou objetivos do cliente. Pode ser explícita ou latente, consciente ou não.
- Desejo do cliente: carência por satisfações específicas, moldada por fatores culturais, emocionais e contextuais, e fortemente influenciada por preferências individuais ou coletivas. Possui um componente mais intrínseco e emocional do que a necessidade e, por isso, tende a se conectar de forma mais direta com os elementos de valor, especialmente os de caráter emocional e transformacional. Nem todo desejo está vinculado a uma necessidade explicitada, mas pode influenciar fortemente a escolha e a percepção de valor de uma solução.
- Elementos de valor: blocos de benefícios percebidos pelo cliente que uma oferta pode incorporar para gerar valor, agrupados em quatro níveis (funcionais, emocionais, de mudança de vida e de impacto social — no caso da relação B2C). Representam uma lente para projetar (design) a proposta de valor e avaliar a percepção do cliente.
Relação e sobreposição
- Necessidades ↔ Elementos de valor (funcionais): há maior sobreposição entre necessidades e os elementos da categoria funcional. Necessidades como “reduzir tempo de espera”, “diminuir custos operacionais” ou “evitar falhas críticas” tendem a se refletir em elementos funcionais que expressam benefícios de forma mais ampla, como otimizar tempo, gerar economia ou prevenir problemas. Ainda assim, alguns elementos funcionais — como simplificar a complexidade ou proporcionar apelo estético — podem não ser verbalizados como necessidades diretas, mas funcionam como alavancas de valor que reforçam a atratividade da oferta.
- Desejos ↔ Elementos de valor (emocionais e transformacionais): desejos, por seu caráter mais intrínseco e emocional, frequentemente se alinham a elementos das categorias emocional e de mudança de vida, como reduzir ansiedade, promover pertencimento ou oferecer atratividade estética. Esses elementos tendem a atuar como fatores de preferência e diferenciação, influenciando fortemente a percepção de valor, mas nem sempre estão relacionados diretamente à resolução de uma necessidade funcional explicitada. No entanto, há desejos mais explícitos que podem ser transformados em necessidades.
Complementaridade no processo de inovação
- Captura de necessidades e desejos: obtida por métodos como entrevistas, observação ou análise de resultados desejados (ex.: jobs-to-be-done), permitindo compreender tanto os problemas centrais a resolver quanto às preferências na forma de solução.
- Seleção de elementos de valor: realizada pela empresa com base em pesquisas e testes junto aos clientes para identificar quais benefícios têm maior importância relativa no contexto da oferta, considerando também oportunidades estratégicas de incorporar elementos que aumentem o apelo ou reforcem a proposta de valor, mesmo que não sejam verbalizados como necessidades ou desejos.
- Teste de relevância: verificação empírica, junto ao público-alvo, da importância relativa dos elementos de valor priorizados pela empresa, validando quais deles efetivamente contribuem para aumentar a percepção de valor e a atratividade da oferta.
Limite conceitual
- Necessidade: o que precisa ser resolvido ou alcançado, podendo ser explícito ou latente, e formulado de forma mais abstrata e dependente do contexto.
- Desejo: carência por satisfações específicas, de caráter mais intrínseco e emocional, moldada por fatores culturais e preferências, que pode ou não estar associada a uma necessidade explicitada.
- Elementos de valor: benefícios percebidos pelo cliente na oferta, organizados em diferentes categorias, que influenciam sua percepção de valor, preferência e decisão de compra.
Confundir esses conceitos pode levar a soluções desenvolvidas de dentro para fora, sem aderência real ao problema do cliente ou com foco excessivo em atributos que não sustentam valor a longo prazo.
Informações adicionais
Interessante !!!
Além dos artigos citados, veja uma descrição interativa no site da consultoria Bain & Company, que permite que você navegue pela pirâmide de elementos de valor (B2C).
Referências
Almquist, E., Senior, J., & Bloch, N. (2016). The Elements of Value. Harvard Business Review, 53(9), 1689–1699.
Almquist, E., Cleghorn, J., & Sherer, L. (2018). The B2B elements of value. Harvard Business Review, 96(3), 18.
Thiel, Cristiane Rocha. (2021). Como entender necessidades e desejos dos clientes. Disponível em: https://cristianethiel.com.br/como-entender-necessidades-e-desejos-dos-clientes/ Recuperado em 15 de agosto de 2025.

