Trade-off é um anglicismo, ou seja uma expressão do inglês que usamos em português porque não existe um termo que tenha o mesmo significado. Pode ser considerado “uma relação de compromisso entre as duas alternativas”, pois a tradução “perde-e-ganha” não é clara o suficiente (Trade-off, 2024).
Este termo expressa um conflito em uma escolha, quase um dilema. Se você tem duas alternativas A e B e tiver de escolher entre elas, se selecionar a A você ganha algo, mas perde algo. Se selecionar B ocorre o mesmo (por isso que a tradução seria “perde-e-ganha”). Normalmente, se você escolher B não terá os benefícios de A e vice-versa (Trade-off, 2024).
Trade-off (em Economia e Teoria da Escolha Social) define-se como a necessidade fundamental de escolha que surge porque nem a sociedade nem o tomador de decisão podem ter tudo o que desejam. No contexto da teoria da escolha social, o trade-off ocorre especificamente quando os critérios (axiomas) estabelecidos para governar decisões sociais são logicamente inconsistentes entre si, tornando impossível a satisfação plena de todas as propriedades desejadas simultaneamente. A análise consiste em medir o sacrifício necessário de um princípio ou axioma para permitir que uma regra de decisão se aproxime, ainda que parcialmente, do “espírito” de outro critério conflitante {Campbell & Kelly, 1994).
Trade-off (em Engenharia de Design) refere-se ao processo de tomada de decisão onde projetistas devem equilibrar múltiplos conceitos “incomensuráveis” e conflitantes, tais como custo, segurança e desempenho, para alcançar um resultado que maximize a preferência global pelo projeto. O trade-off pode ser operado por duas estratégias principais (Otto & Antonsson, 1991):
- a conservadora (não-compensatória), que foca em melhorar o aspecto mais fraco do design sem permitir que atributos superiores compensem falhas, e
- a agressiva (compensatória), que aceita reduções em objetivos menores se isso resultar em ganhos significativos que elevem a performance geral.
Trade-off (em Inteligência Artificial – Conjectura de Floridi) define-se como a impossibilidade de um sistema de IA maximizar simultaneamente sua certeza epistêmica (a garantia formal de resultados sem erros) e seu escopo de mapeamento (a riqueza e complexidade dos dados que o sistema consegue processar). Segundo a “Conjectura de Floridi”, quanto mais um sistema se expande para lidar com a realidade complexa, não estruturada e multimodal (maior escopo), mais ele deve aceitar uma probabilidade irredutível de erro ou “alucinação”; inversamente, a busca por certeza absoluta restringe o sistema a nichos formais estreitos e de baixa entropia (Floridi, 2025).
Campbell, B. D. E., & Kelly, J. S. (1994). Trade-off Theory. The American Economic Review, 84(2), 422–426.
Floridi, L. (2025). Correction to: A Conjecture on a Fundamental Trade-Off Between Certainty and Scope in Symbolic and Generative AI. Philosophy & Technology, 38(4), 133.
Otto, K. N., & Antonsson, E. K. (1991). Trade-Off Strategies in Engineering Design. Research in Engineering Design, 3, 87–103.
Trade-off. (2024, janeiro 19). Wikipédia, a enciclopédia livre. Retrieved 23:42, janeiro 19, 2024 from https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Trade-off&oldid=67331430.
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