Método para levantamento inicial de disfunções percebidas na gestão da inovação
Um apoio prático para iniciar o diagnóstico da gestão da inovação a partir das percepções de pessoas envolvidas
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Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected])
Introdução
Esta seção apresenta um método para apoiar o diagnóstico inicial da gestão da inovação para levantamento rápido da situação atual. Ele organiza um levantamento de disfunções percebidas, pontos de atenção e temas que podem exigir aprofundamento posterior.
O método foi criado para apoiar organizações que desejam melhorar sua forma de inovar, mas ainda não definiram quais aspectos da gestão da inovação precisam ser investigados. Seu foco é ajudar a identificar em quais temas as dificuldades parecem se concentrar, antes de definir prioridades de análise, escolher métodos complementares ou propor ações de melhoria.
Ele não substitui um diagnóstico sistêmico. Sua contribuição é oferecer uma primeira base estruturada para conversas internas, comparação de percepções entre áreas, preparação de workshops e direcionamento de análises mais aprofundadas
Na flexM4i, este método se posiciona como um artefato inicial dentro de um conjunto mais amplo de diagnósticos da gestão da inovação. Ele pode ser usado antes de métodos mais estruturados, como entrevistas, análise documental, oficinas de sensemaking, mapeamento de processos, análise de portfólio, avaliação da governança da inovação ou construção de um mapa de causa e efeito.
Áudio: principais conceitos da seção em formato de conversa.
Descrição resumida
O método para levantamento inicial de disfunções percebidas para diagnóstico inicial da gestão da inovação é um recurso de auto diagnóstico estruturado. Seu objetivo é levantar como a organização direciona, organiza, desenvolve, decide, implementa e sustenta suas iniciativas de inovação.
Esta metodologia também pode ser aplicada por um mediador que conheça as abordagens e práticas de gestão da inovação.
A aplicação parte de uma questão orientadora e utiliza temas de referência para apoiar o reconhecimento das disfunções. Para cada disfunção percebida, o respondente pode descrevê-la livremente, em formato de texto, e complementar o registro com informações que ajudem a contextualizar sua ocorrência, indicar evidências ou exemplos e apontar impactos observados.
Após o preenchimento, as disfunções registradas podem ser organizadas e analisadas com apoio de métodos complementares de análise.
O que é uma disfunção percebida
Neste método, considere uma disfunção percebida como uma situação atual, prática, ausência, fragilidade, desalinhamento, comportamento recorrente ou modo de funcionamento que, na percepção do respondente, limita, dificulta ou enfraquece a gestão da inovação na empresa.
A disfunção percebida não precisa ser, neste primeiro momento, uma causa raiz comprovada. Ela pode aparecer como sintoma, consequência, evidência de problema, causa intermediária ou hipótese inicial. O importante é que a disfunção descreva algo que ocorre na empresa e que pareça gerar efeitos negativos (na percepção do respondente) em relação ao que se espera da gestão da inovação.
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Disfunção ou desafio de gestão da inovação? Muitas disfunções percebidas podem ser formuladas como desafios da gestão da inovação. |
Exemplos de disfunções percebidas na gestão da inovação:
- A empresa não define com precisão sobre onde quer inovar.
As iniciativas surgem de forma dispersa, sem conexão explícita com prioridades estratégicas, mercados-alvo, tipos de inovação ou teses de inovação. - Há muitas ideias, mas poucas avançam de forma estruturada.
Ideias são coletadas em campanhas, reuniões ou plataformas, mas faltam critérios de triagem, responsáveis, próximos passos e mecanismos de decisão. - As iniciativas de inovação sofrem retrabalho por baixa integração entre áreas.
Negócio, tecnologia, operação, jurídico, compras, comercial ou outras funções entram tarde, trabalham com informações incompletas ou tomam decisões desalinhadas. - A empresa não diferencia bem ideia, oportunidade, experimento, projeto e iniciativa em escala.
Tudo é tratado como “projeto de inovação”, o que dificulta definir nível de incerteza, tipo de validação, orçamento, governança e critérios de continuidade. Falta uma definição de tipos de inovação e, consequentemente, de processos ou atividades para diferenciar o desenvolvimento de cada tipo. - Faltam pessoas com tempo e responsabilidade clara para conduzir a inovação.
A inovação depende de voluntarismo, agendas paralelas ou esforço informal, ficando vulnerável quando surgem pressões operacionais. - Provas de conceito e pilotos são realizados sem critérios estabelecidos de aprendizagem e decisão.
A empresa testa soluções, mas não define previamente quais hipóteses serão validadas, quais evidências serão suficientes e o que levará à continuidade, ajuste, pivotagem ou encerramento. - Não há motivação para inovação.
Inovar é um objetivo da empresa, mas os benefícios para as pessoas são baseados em metas relacionadas com a operação.
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Origem da definição de disfunção percebida A definição de disfunção percebida utilizada neste método foi adaptada do capítulo 4, Current Reality Tree, do livro The Logical Thinking Process, de H. William Dettmer. Nesse capítulo, o autor apresenta a Árvore da Realidade Atual, utilizada na teoria das restrições, como uma forma de representar a parte da realidade atual percebida como desfavorável em um sistema. No método desta seção da flexM4i, os efeitos indesejáveis descritos por Dettmer são tratados como disfunções percebidas. Eles representam sinais de que algo não está funcionando como esperado, sempre em comparação com uma meta, fatores críticos de sucesso ou condições necessárias. Em uma eventual análise da realidade atual, essas disfunções podem ser conectadas a relações de causa e efeito para apoiar a identificação de causas mais relevantes e acionáveis. |
Quando você deveria utilizar este método
Este levantamento pode ser aplicado quando a organização deseja fazer uma primeira análise de possíveis limitações na sua gestão da inovação, antes de avançar para um diagnóstico mais aprofundado ou definir ações de melhoria.
Ele é útil quando a empresa percebe que sua forma atual de conduzir a inovação pode ser aprimorada, mas ainda não organizou suficientemente quais aspectos devem ser investigados, discutidos ou priorizados.
Também pode ser utilizado quando se deseja envolver diferentes pessoas ou áreas em uma leitura inicial da situação atual, comparando percepções e identificando temas que merecem discussão posterior.
Por que você deveria utilizar este método
O principal benefício do método é transformar percepções dispersas sobre a gestão da inovação em uma primeira base organizada de disfunções percebidas, pontos de atenção, exemplos e impactos observados.
Ele ajuda a organização a sair de afirmações genéricas, como “não inovamos o suficiente”, “falta cultura de inovação” ou “as áreas não colaboram”, e avançar para descrições mais específicas sobre onde as dificuldades parecem se manifestar.
Com isso, a empresa evita partir diretamente para respostas prontas, como criar uma área de inovação, adotar uma nova metodologia, implantar um funil, contratar uma plataforma ou multiplicar reuniões. O método ajuda a qualificar melhor a situação antes de escolher métodos complementares de análise, definir prioridades ou propor ações de melhoria.
O levantamento pode servir como ponto de partida para melhorias incrementais, revisão de práticas existentes, preparação de workshops, definição de prioridades de análise ou construção de um diagnóstico mais aprofundado.
Atenção: as respostas são baseadas em percepção
Este método capta percepções qualitativas dos respondentes sobre a realidade.
Isso significa que os resultados dependem do repertório, da experiência e do conhecimento dos respondentes. Se as pessoas não conhecem determinadas práticas, abordagens, processos, métodos ou ferramentas de gestão da inovação, talvez não consigam reconhecer sua ausência, fragilidade ou aplicação inadequada como uma disfunção.
A ausência de um problema nas respostas não significa necessariamente que o problema não exista. Pode significar apenas que ele ainda não é visível para os respondentes.
Por isso, os resultados devem ser interpretados como um mapa inicial de percepções, não como uma conclusão definitiva. A análise deve ser complementada por evidências, conversas, documentos, dados, exemplos concretos e, quando necessário, facilitação por pessoas com experiência em gestão da inovação.
Visão geral
O método parte da coleta estruturada de percepções individuais sobre disfunções que dificultam, limitam ou enfraquecem a gestão da inovação na organização. Cada respondente registra suas percepções de forma independente, utilizando uma questão orientadora e temas de referência que ajudam a ampliar o olhar sobre diferentes aspectos da inovação, como direcionamento, decisões, governança, fluxo de iniciativas, pessoas, recursos, mercado, indicadores, aprendizado e captura de valor.
A próxima figura ilustra o fluxo principal do método.

Figura 1469: Ilustração do levantamento inicial de disfunções percebidas – respostas individuais são registradas, consolidadas e agrupadas para apoiar uma primeira leitura estruturada da situação atual da gestão da inovação.
O preenchimento é realizado em texto livre, para evitar que o respondente fique restrito a alternativas previamente definidas, e individualmente, antes de qualquer discussão coletiva, para preservar a diversidade de percepções sobre a situação atual.
Para cada disfunção percebida, o template do método (veja o material de apoio) orienta o registro da situação observada, de exemplos ou evidências percebidas, do contexto em que ela ocorre e dos impactos associados. Essa estrutura permite combinar liberdade de resposta com um mínimo de padronização, facilitando a análise posterior.
Após o preenchimento, os registros são reunidos e agrupados por afinidade e semelhança, preservando as percepções originais sempre que possível. Esse agrupamento transforma respostas individuais em uma base inicial de temas recorrentes, permitindo aproximar registros semelhantes e identificar disfunções que aparecem com maior frequência ou relevância.
Quando houver comentários sensíveis sobre pessoas, áreas, lideranças ou decisões internas, os registros devem ser neutralizados antes de serem utilizados em análises ou discussões coletivas. Por esse motivo é recomendável que alguém fora da organização oriente a aplicação deste método.
A partir dessa primeira organização, podem surgir hipóteses sobre causas, prioridades, relações entre disfunções e possíveis ações de melhoria.
Essas hipóteses funcionam como insumo para análises posteriores, que devem ser aprofundadas com apoio dos métodos indicados no tópico Métodos complementares.
Atividades principais
Recomendamos que você acesse o template do método para acompanhar a leitura das atividades ou o exemplo de aplicação do template.
A aplicação pode seguir a seguinte sequência:
- Definir o escopo do levantamento: organização inteira, unidade de negócio, área, programa, portfólio ou conjunto de iniciativas.
- Definir os papéis envolvidos na aplicação do método. No mínimo, é necessário definir quem será responsável pela aplicação e consolidação dos registros, quem responderá ao levantamento e quem ficará responsável pela interpretação preliminar dos resultados. Esses papéis podem ser exercidos pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes, desde que se preserve a independência das respostas e a separação entre percepção registrada, interpretação preliminar e encaminhamento posterior.
- Avaliar se será necessário envolver uma pessoa externa à organização ou alguém interno com independência reconhecida para apoiar a aplicação, neutralizar registros sensíveis ou facilitar discussões posteriores. Essa decisão depende do grau de sensibilidade dos temas, do risco de exposição dos respondentes e da existência de conflitos entre áreas, lideranças ou níveis hierárquicos.
- Selecionar os respondentes com diferentes papéis na gestão da inovação, considerando áreas, níveis hierárquicos e tipos de envolvimento com iniciativas, decisões, práticas ou resultados relacionados à inovação.
- Apresentar aos respondentes a questão orientadora, o significado de disfunção percebida e os temas de referência do método, deixando claro que os temas servem como apoio ao raciocínio, e não como categorias obrigatórias a serem preenchidas.
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Questão orientadora e temas de referência para o preenchimento Esses elementos estão no template, mas repetimos a seguir para você não ter de abrir o template. Os temas são detalhados com diversos itens no template. Questão orientadora Temas de referência
Os temas e seus itens devem ser usados apenas como apoio ao preenchimento. Eles não são categorias rígidas, não precisam ser preenchidos um a um e uma mesma disfunção pode estar associada a mais de um tema. No template do método (no material de apoio), cada um desses temas é descrito para facilitar o seu entendimento. |
- Registrar as disfunções individualmente antes de qualquer discussão coletiva. Essa separação reduz o risco de influência entre respondentes, constrangimento hierárquico ou convergência prematura das respostas.
- Os respondentes devem registrar de 3 a 5 disfunções principais. Para cada disfunção, devem preencher no template:
- a descrição livre da disfunção percebida (campo principal e necessário) e,
- exemplos, situações ou evidências percebidas (campo complementar importante).
- Se possível , preencher os dos demais campos do complementares do template:
- tema(s) de referência associado(s) (desejável);
- onde ou em que contexto essa disfunção aparece (desejável);
- impactos observados ou percebidos (desejável);
- recorrência ou intensidade percebida (desejável).
- Reunir os registros preenchidos, preservando as descrições originais sempre que possível, e criar, quando útil, um título sintético para cada disfunção, sem substituir o texto original do respondente. .
- Anonimizar ou neutralizar os registros antes de utilizá-los em discussões coletivas, especialmente quando houver comentários sensíveis sobre pessoas, áreas, lideranças, decisões ou práticas internas.
- Agrupar os registros por afinidade e semelhança, identificando disfunções semelhantes, temas recorrentes, pontos de maior concentração de percepções e divergências relevantes entre áreas, papéis ou níveis hierárquicos.
- Registrar hipóteses iniciais sobre causas, prioridades, relações entre disfunções e possíveis ações de melhoria, diferenciando as respostas originais dos respondentes, os exemplos relatados, as interpretações feitas durante a consolidação e as hipóteses formuladas posteriormente.
- Definir os encaminhamentos seguintes: consultar conteúdos e recomendações da flexM4i, realizar ações simples de melhoria quando houver segurança suficiente, preparar entrevistas ou workshops, ou selecionar métodos complementares para análise e aprofundamento.
Premissas, dicas e cuidados
As premissas são condições para você aplicar o método. As dicas e cuidados são práticas que você deve considerar para que a aplicação seja bem sucedida.
Premissas
Para que o levantamento gere contribuições úteis, os respondentes devem ter participação, experiência ou contato relevante com iniciativas, decisões, práticas ou resultados relacionados à inovação.
Também é importante envolver respondentes com diferentes pontos de vista. Um diagnóstico respondido apenas pela liderança, apenas pela área de inovação ou apenas por uma área funcional tende a produzir uma visão parcial.
O método funciona melhor quando existe abertura para reconhecer problemas sem transformar o diagnóstico em julgamento de pessoas ou áreas.
O preenchimento deve ser realizado individualmente, antes de qualquer discussão coletiva. Essa condição é importante para preservar percepções independentes e reduzir o risco de influência hierárquica, constrangimento ou consenso prematuro.
A organização deve definir previamente quem conduzirá a aplicação, quem responderá ao levantamento e quem ficará responsável pela consolidação e interpretação preliminar dos registros. Esses papéis podem ser exercidos internamente, desde que se preserve a separação entre respostas originais, exemplos relatados, interpretações e hipóteses posteriores.
Dicas
Antes de interpretar os resultados, é recomendável observar padrões e divergências. Uma média pode esconder diferenças importantes de percepção entre áreas, papéis ou níveis hierárquicos.
Também é útil pedir exemplos concretos. Sempre que uma pessoa indicar uma disfunção, deve-se estimular o registro de situações como: “em que contexto isso apareceu?”, “qual foi o impacto?” e “que exemplo, situação ou evidência percebida ajuda a ilustrar esse problema?”. Além de falas recorrentes ou episódios específicos, podem ser úteis referências a decisões, comportamentos, interações entre áreas, reuniões, documentos, indicadores, sistemas, práticas de trabalho ou outros elementos que ajudem a ilustrar a disfunção percebida e seu contexto.
Os temas de referência do template devem ser usados como apoio ao raciocínio, e não como uma lista obrigatória de categorias a preencher. O respondente não precisa registrar disfunções em todos os temas.
Na consolidação, é recomendável preservar as descrições originais sempre que possível, mas agrupar registros semelhantes para identificar temas recorrentes, divergências relevantes e pontos que exigem aprofundamento. É importante diferenciar as respostas originais dos respondentes, os exemplos ou evidências relatadas, as interpretações do mediador e as hipóteses formuladas posteriormente.
Quando surgirem hipóteses iniciais sobre causas, prioridades ou possíveis ações de melhoria, elas devem ser registradas separadamente das respostas originais. Isso ajuda a diferenciar o que foi percebido pelos respondentes do que foi interpretado posteriormente.
Cuidados
O método não deve ser usado como auditoria, avaliação de desempenho ou mecanismo de culpabilização.
Quando forem utilizados títulos sintéticos para facilitar a organização (por exemplo, ao registrar em um post-it), o agrupamento ou a discussão das disfunções, é importante preservar e consultar as descrições originais dos respondentes. Títulos resumidos ajudam na visualização e manipulação dos registros, mas podem omitir nuances, contextos, exemplos e interpretações relevantes. Por esse motivo, discussões e decisões importantes não devem se basear apenas nos títulos sintéticos, mas também no conteúdo completo que lhes deu origem.
| Na prática, muitos métodos começam com descrições ricas e terminam com cartões contendo apenas duas ou três palavras. Há os riscos de se perder detalhes e de alterar o significado original da disfunção durante a síntese. |
Também não deve ser interpretado como modelo de maturidade. A finalidade não é “mensurar” o nível de maturidade em gestão da inovação, mas identificar onde há sinais de disfunção e quais temas exigem aprofundamento.
| Veja esta reflexão da flexM4i sobre modelos de maturidade de gestão da inovação. |
Quando houver risco de exposição, constrangimento ou conflito político, pode ser recomendável envolver uma pessoa externa à organização ou alguém interno com independência reconhecida para apoiar a neutralização dos registros ou a facilitação de discussões posteriores. Essa recomendação não deve ser tratada como obrigatória, pois o método também pode ser usado como autodiagnóstico.
Outro cuidado é evitar soluções automáticas. Se o diagnóstico indicar baixa coordenação, isso não significa necessariamente criar uma nova área. Se indicar falta de decisão, isso não significa necessariamente criar um comitê. Se indicar baixa geração de ideias, isso não significa necessariamente implantar uma plataforma e gestão de ideias. A solução depende da interpretação e análise das disfunções, do contexto da organização e, quando necessário, da análise dos mecanismos que produzem essas disfunções. Essa análise pode ser realizada pela aplicação de algum dos métodos complementares propostos.
Ações simples de melhoria podem ser encaminhadas quando houver segurança suficiente. Decisões mais estruturais, com maior impacto organizacional, devem ser apoiadas por análise complementar, evidências adicionais ou discussão mais aprofundada.
Possíveis saídas do método
As principais saídas do método podem incluir:
- base consolidada de disfunções percebidas, preservando as respostas originais sempre que possível;
- agrupamento das disfunções por afinidade, semelhança ou temas da gestão da inovação;
- identificação de temas recorrentes, pontos de maior concentração de percepções e divergências relevantes entre áreas, papéis ou níveis hierárquicos;
- hipóteses iniciais sobre causas, relações entre disfunções, prioridades de aprofundamento ou possíveis ações de melhoria;
- indicação de disfunções que podem ser tratadas como desafios da gestão da inovação ou usadas para navegar pela árvore de desafios e recomendações da flexM4i;
- definição de encaminhamentos iniciais, como buscar conteúdos relacionados, realizar ações simples de melhoria, preparar entrevistas ou workshops, ou selecionar métodos complementares de análise e aprofundamento.
Essas são possíveis saídas, pois após o agrupamento, a aplicação de um método complementar pode obter as outras saídas citadas.
Métodos complementares para análise e aprofundamento
Após o preenchimento, as disfunções registradas podem ser organizadas, analisadas e aprofundadas com apoio de métodos complementares.
Para organizar e interpretar os registros, podem ser utilizados agrupamento por afinidade, diagrama de afinidades, análise qualitativa com apoio de inteligência artificial, oficinas de sensemaking ou construção de mapas de causa e efeito.
Para aprofundar temas específicos, o levantamento pode ser combinado com entrevistas semiestruturadas, análise documental, análise de portfólio de inovação, mapeamento de processos, análise da governança da inovação e análise de papéis, responsabilidades e mecanismos de decisão.
Essa complementação é importante porque o método indica pontos de atenção e possíveis disfunções percebidas, mas não deve ser tratado como fonte única para definir causas, prioridades ou ações de melhoria.
Relação das disfunções com a construção de uma árvore da realidade atual (ARA)
A Árvore da Realidade Atual (ARA) é um artefato da Teoria das Restrições (TOC) utilizado para diagnosticar a realidade atual de um processo, área ou organização, por meio do mapeamento das relações de causa e efeito entre múltiplos efeitos indesejados (disfunções). Apesar do nome “árvore”, a ARA não se limita a uma estrutura hierárquica, mas constitui uma rede de inter-relações causais que permite compreender como os sintomas observados se conectam, identificar efeitos intermediários e revelar as causas subjacentes que sustentam a situação problemática.
| A Árvore da Realidade Atual (ARA) também é conhecida por seu termo em inglês: Current Reality Tree ou CRT. |
O método apresentado nesta seção de levantamento inicial de disfunções percebidas pode ser a entrada para a construção de uma ARA.
Nesse caso, as disfunções percebidas podem ser tratadas como efeitos indesejáveis iniciais. Depois, esses efeitos precisam ser organizados em relações de causa e efeito, buscando identificar mecanismos mais profundos que explicam a situação atual.
Porém, o método sozinho não constrói uma ARA. Ele apenas fornece matéria-prima para esse trabalho. A construção de uma ARA exige análise crítica, facilitação, repertório conceitual e validação com evidências. Caso contrário, existe o risco de apenas reorganizar percepções em forma de árvore, sem revelar as causas mais relevantes.
Material de apoio
O principal método de apoio é o MAP0089 – template para registro de disfunções percebidas na gestão da inovação.
O arquivo MAP0090 traz cinco exemplos de preenchimento do template MAP0089, simulando o preenchimento de um gestor de inovação, como descrito no início do exemplo.
Informações relacionadas
Esta seção se conecta com conteúdos da flexM4i sobre:
- gestão da inovação;
- governança da inovação;
- função inovação;
- direcionamento da inovação;
- portfólio de inovação;
- desenvolvimento de iniciativas de inovação;
- experimentação, MVP, POC e projeto piloto;
- coordenação transversal;
- árvore de desafios e recomendações;
- taxonomia de métodos e ferramentas de diagnóstico empresarial.
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Onde na flexM4i posso ler mais sobre <coloque um dos termos acima listados> e quais os principais conceitos apresentados relacionando-os com o levantamento de disfunções percebidas da gestão da inovação.
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Referências
Dettmer, H. W. (2007). The logical thinking process: A systems approach to complex problem solving (2nd ed.). McGraw-Hill.
