Método INVEST para avaliar user stories

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Autoria: Henrique Rozenfeld ([email protected]) com apoio do chatGPT (leia mais)

Esta seção traz os conceitos principais do método e explica o significado dos seis critérios essenciais: Independente, Negociável, Valioso, Estimável, Pequeno e Testável. Aplicado no refinamento do Product Backlog, INVEST melhora a priorização e a previsibilidade do desenvolvimento, facilitando entregas incrementais e alinhadas às necessidades do negócio. No final é apresentado dois exemplos, a partir de user stories.

Introdução 

O método INVEST é adotado para avaliar user stories nas metodologias de gestão ágil. Seu objetivo é garantir que cada User Story seja claramente definida, agregue valor efetivo ao negócio e mantenha a flexibilidade necessária para acompanhar ajustes frequentes de requisitos.

Veja a definição de user stories no glossário da flexM4i.

Dentro do contexto de gestão ágil, o INVEST atua como um guia para aprimorar a qualidade das User Stories, contribuindo para processos de desenvolvimento mais eficazes e centrados no valor ao cliente.

Descrição resumida

O INVEST contempla um conjunto de características que cada User Story deve apresentar para ser considerada pronta para desenvolvimento.

Essas características visam aprimorar a consistência das entregas, facilitar o planejamento e promover uma comunicação transparente entre equipe de desenvolvimento e stakeholders.

Quando aplicadas de forma sistemática, as orientações do INVEST alinham as User Stories aos objetivos estratégicos do projeto, tornando o backlog mais responsivo às prioridades do negócio.

Significado das letras no acrônimo

A letras do acrônimo INVEST possuem o seguinte significado:

  • I (Independent): A User Story deve ser elaborada de maneira que possa ser desenvolvida e testada isoladamente, reduzindo dependências e simplificando o sequenciamento das entregas.
  • N (Negotiable): O detalhamento de uma User Story não deve ser estático; ao contrário, deve permitir ajustes em função das discussões contínuas entre a equipe de desenvolvimento e os stakeholders, promovendo maior alinhamento com as necessidades reais do projeto.
  • V (Valuable): Cada User Story precisa entregar valor perceptível ao usuário ou ao negócio, sendo priorizada de acordo com seu impacto nos objetivos estratégicos.
  • E (Estimable): O conteúdo de cada User Story deve conter detalhes suficientes para que a equipe possa estimar o esforço envolvido em sua implementação. Caso não seja possível estimar, há necessidade de refinamento adicional.
  • S (Small): A User Story deve ser pequena o bastante para ser concluída dentro de uma iteração (Sprint), garantindo entregas contínuas e possibilitando feedback rápido.
  • T (Testable): É fundamental que haja critérios de aceitação claros, permitindo verificar de forma objetiva se o resultado atende aos requisitos estabelecidos e gera o valor esperado.

Quando você deveria utilizar este método?

A aplicação do INVEST é apropriada em contextos de desenvolvimento ágil, onde mudanças de escopo ocorrem com frequência e a equipe precisa reorganizar prioridades de forma dinâmica.

É indicado adotar essa prática no momento de elaborar e refinar o Product Backlog, incluindo o desdobramento de Epic em User Stories menores e mais específicas.

Assim, cada User Story passa a possuir requisitos bem estruturados, mantendo-se flexível quanto a ajustes futuros e oferecendo valor tangível ao usuário final.

Além disso, o método se mostra relevante em qualquer cenário em que haja necessidade de priorizar entregas de forma incremental, mantendo elevada visibilidade e previsibilidade no fluxo de trabalho.

Por que você deveria utilizar este método?

A adoção do INVEST contribui para:

  • padronizar a qualidade das User Stories e
  • garantir que o time compreenda claramente as expectativas em torno de cada entrega.

Sua aplicação reforça a transparência, facilita a comunicação e permite estimar, planejar e priorizar de modo mais assertivo.

Dessa forma, a equipe de desenvolvimento se mantém focada em atividades que, de fato, geram valor, enquanto o Product Owner e demais stakeholders obtêm maior controle sobre o progresso do projeto.

Visão geral

No escopo das metodologias ágeis, o método INVEST surge como um referencial capaz de orientar a elaboração de User Stories de forma clara e consistente.

Ele pode ser aplicado tanto em processos mais abrangentes – como a definição estratégica de um produto ou serviço – quanto em ferramentas e métodos específicos de priorização e refinamento de requisitos.

Uma maneira de visualizar o INVEST é por meio de um template ou figura-síntese, que apresente os principais critérios (Independent, Negotiable, Valuable, Estimable, Small e Testable) e indique os elementos básicos de cada User Story.

Essa representação facilita a compreensão dos pontos-chave do método e serve de base para o detalhamento das atividades de desenvolvimento e de refino do backlog.

Passos de aplicação do método

Identificação ou revisão de Epics: Antes de iniciar a escrita ou revisão das User Stories, verifique se existem Epics ou grandes blocos de funcionalidades que devam ser decompostos em histórias menores, garantindo uma compreensão clara do escopo geral do produto.

Elaboração inicial das User Stories: Crie ou atualize cada User Story de forma breve, focando nos itens essenciais de quem (perfil de usuário), o quê (funcionalidade) e por quê (valor ou objetivo).

Validação do critério INVEST: Para cada User Story, avalie se ela cumpre as seguintes dimensões:

  • Independent: Verifique se a história pode ser desenvolvida sem depender de outras histórias para seu correto funcionamento.
  • Negotiable: Avalie se a descrição permite ajustes e conversas futuras com o time.
  • Valuable: Confirme se a história gera valor real ao usuário ou ao negócio.
  • Estimable: Certifique-se de que haja detalhes suficientes para estimar esforço e complexidade.
  • Small: Considere se a história cabe em uma única iteração (Sprint) sem comprometimentos.
  • Testable: Defina critérios de aceitação claros para que seja possível validar a entrega de forma objetiva.

Discussão e refinamento em conjunto: Leve as User Stories para discussões coletivas durante as cerimônias de refinamento de backlog, envolvendo a equipe de desenvolvimento, Product Owner e demais stakeholders. Ajuste quaisquer pontos que não estejam completamente alinhados aos critérios do INVEST.

Priorização e preparo para a Sprint: Após as melhorias, insira as User Stories devidamente revisadas no Product Backlog, definindo a priorização de acordo com o valor de negócio e a viabilidade técnica. Essas histórias refinadas servirão de base para a seleção do escopo de cada Sprint.

Premissas, dicas e cuidados

Premissas

  • A equipe deve ter conhecimento prévio de metodologias ágeis e do fluxo de trabalho em Sprints ou iterações.
  • É fundamental haver clareza sobre o roadmap do produto, para que as User Stories sejam criadas de acordo com objetivos e metas estratégicas.
  • O Product Owner e demais stakeholders precisam estar disponíveis para fornecer feedback rápido e de qualidade, evitando gargalos na tomada de decisão.

Dicas

  • Refinamento recorrente: Mantenha sessões periódicas de refinamento para ajustar e detalhar as User Stories, alinhando expectativas entre todos os envolvidos.
  • Uso de exemplos: Ao escrever as User Stories, inclua exemplos ou cenários que ilustrem melhor a funcionalidade desejada. Isso contribui para tornar o requisito mais palpável.
  • Foco em valor: Sempre revisite o critério “Valuable” ao discutir prioridades, garantindo que o time se concentre naquilo que realmente traz retorno ao usuário ou ao negócio.
  • Divisão de grandes histórias: Quando um requisito for muito extenso, divida-o em pequenas histórias que possam ser concluídas dentro de uma única Sprint e revisadas continuamente.

Cuidados

  • Dependências ocultas: Assegure-se de que a história não dependa de outras, salvo em casos muito específicos. Dependências mal geridas podem comprometer prazos e resultados.
  • Super Detalhamento: Cuidado para não criar User Stories com escopo muito fechado; o critério “Negotiable” deve garantir espaço para ajustes conforme surgem novos aprendizados.
  • Ambiguidade: Se a história não estiver clara a ponto de ser estimada, é sinal de que o processo de refinamento precisa ser aprofundado, evitando falhas de entendimento que gerem retrabalho.

Exemplos

A seguir, apresentamos um exemplo prático de User Story, demonstrando como a aplicação do método INVEST garante clareza, valor e viabilidade para o desenvolvimento ágil.

Exemplo: Melhorias na barra de pesquisa do catálogo de produtos

Este exemplo foi extraído de Salem (2023)

User Story:

Como um cliente, quero filtrar produtos por preço, categorias e avaliações de outros clientes, para que eu possa encontrar rapidamente o que estou procurando.”

Essa User Story reflete uma necessidade concreta do usuário e mantém flexibilidade para ajustes, promovendo a colaboração entre a equipe de desenvolvimento e o Product Owner. Diferente de um documento de requisitos rígidos, essa abordagem permite que detalhes e soluções sejam refinados ao longo das iterações.

Aplicação do INVEST à User Story

  • Independent (Independente): A funcionalidade de filtragem pode ser desenvolvida separadamente de outras partes do site, sem dependências críticas.
  • Negotiable (Negociável): Os critérios de filtragem podem ser ajustados de acordo com feedbacks dos clientes ou restrições técnicas identificadas pelo time de desenvolvimento.
  • Valuable (Valiosa): Melhora diretamente a experiência do usuário, facilitando a busca por produtos e tornando o processo de compra mais eficiente.
  • Estimable (Estimável): A equipe consegue avaliar o esforço necessário para desenvolver essa funcionalidade, considerando aspectos como interface, back-end e testes.
  • Small (Pequena): A história é suficientemente pequena para ser implementada dentro de uma única Sprint, podendo ser dividida em tarefas menores, como UI/UX, lógica de filtragem e integração de dados.
  • Testable (Testável): Critérios de aceitação podem ser definidos para verificar se os filtros funcionam corretamente, garantindo que a funcionalidade atenda aos requisitos do usuário.

Exemplo: comprar ingredientes para uma receita

Este exemplo foi adaptado de PMI (2015).

Epic:

“Como um cliente, quero ir à loja e comprar facilmente os ingredientes necessários para uma receita culinária.”

Veja o significado de “Epic”no glossário.

User Story 1:

“Como um cliente, quero ser capaz de encontrar receitas passadas para que eu possa prepará-las novamente.”

  • Critérios de aceitação:
    1. O cliente pode pesquisar receitas passadas.
    2. Os termos de pesquisa podem ser pelo nome da receita, pelo ingrediente ou pela data.
    3. A pesquisa pode retornar 0, 1 ou vários resultados.
    4. Para um ou mais resultados, o usuário pode escolher uma receita da lista.

User Story 2:

“Como um cliente, quero selecionar uma loja para comprar os ingredientes da receita, para que eu possa escolher uma localização próxima a mim.”

  • Critérios de aceitação:
    1. O cliente pode inserir um código postal (ZIP Code) e obter uma lista de lojas dentro de um raio de até 20 milhas desse código postal.
    2. O cliente pode selecionar uma loja da lista de lojas disponíveis.
    3. Se nenhuma loja for encontrada, o cliente será informado.

User Story 3:

“Como um cliente, quero ter um mapa da loja mostrando onde estão os ingredientes da receita, para que eu não precise procurá-los.”

  • Critérios de aceitação:
    1. O cliente precisa ter selecionado uma receita e uma loja.
    2. O cliente visualizará um mapa da loja com ícones representando os ingredientes da receita.
    3. Os ícones dos ingredientes podem ser selecionados por clique ou hover, exibindo o nome do ingrediente, o corredor e a localização exata na prateleira.

Informações adicionais

Veja esses vídeos sobre este método:

O primeiro vídeo (11:31) descreve o que são user stories e suas características e somente no minuto 8:45 ele apresenta o método INVEST.

https://www.youtube.com/watch?v=LEPLaYcdgeg&t=1s

 

O segundo vídeo explica em maiores detalhes cada uma das letras do acrônimo INVEST.

https://www.youtube.com/watch?v=szNVF-Tzj0Q

Apoio do chatGPT

Depois de estudar as referências, o autor extraiu trechos, estruturou o sumário desta seção e alimentou o chatGPT com essas informações.

O chatGPT 1.o foi criando um a um os tópicos desta seção, que foram corrigidos pelo autor e em alguns casos, o autor criticou o chatGPT, fazendo com que ele mudasse suas propostas até o autor concordar com a versão, que foi finalmente editada pelo autor.

Foram realizadas 15 interações durante 4 horas de trabalho.

A versão final foi comparada com as publicações originais, e mudanças finais foram realizadas pelo autor.

Referências

PMI (2015). Business analysis for practitioners: A practice guide. Project Management Institute Inc. Newtown Square, Pennsylvania.

PMI (2016). Requirements management: a practice guide. Project Management Institute, Inc. Newtown Square, Pennsylvania.

PMI (2017). The PMI guide to business analysis. Project Management Institute, Inc. Newtown Square, Pennsylvania.

Salem, Ahmed Ben. (2023). Creating the Perfect User Story withINVEST Criteria. Disponível em: https://scrum-master.org/en/creating-the-perfect-user-story-with-invest-criteria/ Recuperado em: 13/2/2025.

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