A síndrome de estudante é entendida como um padrão comportamental em que as pessoas iniciam as tarefas o mais tarde possível, consumindo as margens de segurança do prazo estabelecido, o que aumenta a pressão e o nível de stress próximo às datas de entrega. Em vez de utilizar os “buffers” (pulmões) de tempo para absorver imprevistos, eles são desperdiçados antes do trabalho efetivo começar, deixando um projeto exposto a atrasos e problemas de desempenho (Smith, 2010).
Esse padrão é um dos principais fatores comportamentais que comprometem a previsibilidade de cronogramas.
Smith (2010) ressalta que o estresse deve ser mantido em um nível ideal, pois tanto o excesso quanto a escassez podem levar à diminuição do desempenho da equipe. Além disso, a folga organizacional é considerada crucial para permitir a reflexão, a inovação e evitar a sobrecarga de trabalho.
As pessoas “planejam” realizar as tarefas atribuídas a elas com 100% de probabilidade de conclusão antes da data de entrega. Mas a lei de Murphy muitas vezes ocorre, tendo como consequência elas não conseguem cumprir os prazos.
Por exemplo, para confeccionar um estudo de mercado, os responsáveis consideram que 4 dias é suficiente. Essa tarefa pode ter sido planejada para duas semanas. As pessoas tendem a iniciar a tarefa 5 dias antes do prazo devido a outras responsabilidades. Se alguma fonte de informação não estiver disponível, ou se o estudo exigir uma revisão por outras pessoas (não planejada como tarefa extra e embutida na tarefa), o prazo estabelecido não será cumprido.
Smith (2010), com base em outros autores citados no seu artigo, destaca que esse comportamento se manifesta mesmo quando os prazos foram planejados com folgas e contingências. Muitas tarefas no ambiente de trabalho só são executadas quando o senso de urgência atinge um nível suficientemente alto; quando isso ocorre, normalmente já não há tempo para reagir a eventos inesperados, pois todo o tempo de contingência foi consumido pelo adiamento da realização da tarefa.
Esse comportamento se conecta diretamente à Lei de Parkinson, citada no mesmo artigo. Na formulação clássica, Parkinson (1957) afirma que o trabalho se expande para preencher todo o tempo disponível, o que explica por que prazos mais longos não geram entregas antecipadas, mas estimulam ritmos de trabalho que consomem a folga sem produzir valor adicional. Smith (2010) utiliza essa formulação para mostrar porque buffers distribuídos em cada tarefa raramente funcionam como previsto.
Parkinson, C. N. (1957). Parkinson’s law: The pursuit of progress. London: John Murray.
Smith, D. C. (2010). The Effects of Student Syndrome , Stress , and Slack on Information Systems Development Projects. In Issues in Informing Science and Information Technology (pp. 489–494).
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