O paradoxo organizacional é um conceito utilizado para descrever demandas conflitantes, perspectivas opostas ou descobertas aparentemente ilógicas no contexto das empresas. É uma característica intrínseca da vida organizacional que se intensifica com a mudança tecnológica, a competição global e a diversidade da força de trabalho, exigindo que gestores lidem com a necessidade de equilibrar forças opostas, como controle e flexibilidade ou eficiência e criatividade. (Lewis, 2000).
Essa definição baseia-se em três pilares fundamentais::
- Elementos Contraditórios e Inter-relacionados: O paradoxo organizacional denota a coexistência de elementos (como mensagens, práticas ou metas) que parecem lógicos quando analisados isoladamente, mas tornam-se absurdos e irracionais quando aparecem de forma simultânea.
- Construção Social e Cognitiva: Esses paradoxos são construídos por indivíduos que, ao tentarem dar sentido a um ambiente de negócios complexo e ambíguo, simplificam a realidade em distinções polarizadas de “ou isto/ou aquilo”, o que acaba por ocultar as inter-relações e a simultaneidade desses opostos.
- Natureza Inerente e Sistêmica: As organizações são descritas como inerentemente paradoxais, possuindo tensões e ciclos de reforço em seu cerne que se manifestam como contradições de sistema incorporadas nos objetivos, sistemas de recompensa e na divisão de trabalho.
Paradoxo é definido como a existência simultânea de dois estados inconsistentes. No contexto organizacional, essa definição possui as seguintes características e implicações (Eisenhardt, 2000):
- O paradoxo se manifesta em tensões resultantes de estados inconsistentes, como as existentes entre inovação e eficiência, colaboração e competição, ou entre o novo e o velho.
- Diferente de um compromisso ou equilíbrio do meio-termo, organizações vibrantes mudam ao sustentar simultaneamente os dois estados inconsistentes.
- A coexistência dessas tensões cria uma “fronteira do caos” (edge of chaos), e não um ponto intermediário insosso entre dois extremos.
- A gestão dessa dualidade depende de explorar a tensão de forma criativa, capturando ambos os extremos para capitalizar o pluralismo inerente à tensão.
- A lógica formal e racional não consegue lidar com o paradoxo, pois temas que são lógicos quando isolados tornam-se absurdos quando ocorrem simultaneamente. Essa é uma limitação da lógica tradicional.
Eisenhardt, K. M. (2000). Paradox, spirals, ambivalence: The new language of change and pluralism. Academy of management Review, 25(4), 703-705.
Lewis, M. W. (2000). Exploring paradox: Toward a more comprehensive guide. Academy of Management review, 25(4), 760-776.
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