Diário de campo é o registro contínuo elaborado pelo pesquisador para documentar, em ordem cronológica, o que foi observado, ouvido, coletado e interpretado durante a investigação.
Ele pode reunir descrições de situações, ações, falas, contexto, evidências e também reflexões, emoções, frustrações, preocupações, hipóteses, conexões analíticas, dificuldades e insights do pesquisador.
Em termos práticos, funciona como o documento central de acompanhamento da pesquisa em campo.
O conteúdo de um diário deve ser dividido em:
- Observações devem ser orientadas pelo objetivo da pesquisa e devem conter somente o que o pesquisador viu ou ouviu. Elas podem conter observações de indivíduos, grupos, comunidades etc., que podem estar relacionadas com uma situação ou ações humanas.
- Impressões são subjetivas e devem ser diferenciadas das observações. As impressões são importantes porque permite que o pesquisador avalie e dê significado para as observações.
O diário de campo é mantido pelo próprio pesquisador para incentivar a reflexividade, permitindo uma consciência crítica do seu impacto no processo de pesquisa. O uso do diário é visto como essencial para capturar a “imediatez e o impacto emocional” que podem ser perdidos se o pesquisador confiar apenas em memórias retrospectivas meses depois.
Estrutura típica de um registro do diário de campo
O diário de campo contém uma coletânea de registros cronológicos das observações realizadas durante a investigação. Cada entrada (registro) pode conter os seguintes itens (que devem ser adaptados de acordo com a situação de investigação):
- identificação da sessão: data, local, horário, observador e contexto;
- objetivo ou foco da observação;
- pessoas, papéis ou áreas envolvidas;
- descrição objetiva do que foi observado;
- falas relevantes ou explicações dadas pelos participantes;
- artefatos, documentos, sistemas ou equipamentos utilizados;
- comportamentos, interações, dificuldades e improvisos;
- impressões e interpretações do pesquisador;
- dúvidas, dúvidas, hipóteses e pontos para aprofundamento.
Comparação com outros tipos de registro em pesquisas de campo.
O diário de campo é produzido pelo pesquisador e serve para registrar observações, evidências, interpretações, reflexões e insights gerados durante a pesquisa.
Sinônimos: diário de bordo, diário da pesquisa, notas da pesquisa
Notas de campo
Punch (2012) faz uma diferenciação entre notas e diário de campo:
- As notas de campo descrevem o que está acontecendo no campo: observações do pesquisador, descrições de lugares, eventos, pessoas e ações. As notas de campo também incluem reflexões e pensamentos analíticos sobre o que as observações podem significar: ideias emergentes, notas sobre temas e conceitos, links para questões de pesquisa e literatura mais ampla.
- O diário de campo registra como o pesquisador se sente sobre o processo de pesquisa: dificuldades, questões relacionadas ao enfrentamento no campo, relacionamentos com os participantes e como eles mudam ao longo do tempo. Um diário de campo é um lugar útil para registrar emoções conflitantes.
| Consideramos que a distinção entre notas e diário de campo são relevantes, mas não achamos que devem ser divididos em dois instrumentos. As notas podem ser inseridas no diário, que pode conter as reflexões. Ou seja, o pesquisador deve ter somente um diário de campo, além dos outros artefatos que ele pode obter durante a investigação. |
Diário de uso
O diário de uso é produzido pelo próprio participante (usuário) e registra, ao longo do tempo, suas atividades, interações, percepções, dificuldades e sentimentos em situação real de uso.
Em termos práticos, o diário de campo documenta o olhar analítico do pesquisador; o segundo documenta a experiência vivida pelo usuário.
| Veja a definição de diário de uso. |
Diário reflexivo
Em algumas áreas, especialmente nas ciências humanas, pode-se utilizar o termo diário reflexivo para enfatizar a interpretação, os significados e as emoções associados à experiência. Nesses contextos, o diário reflexivo pode ser tratado como o principal instrumento de registro.
Já em abordagens aplicadas voltadas ao entendimento de usuários, clientes e contextos de uso, essa dimensão reflexiva pode estar presente tanto no diário de campo quanto no diário de uso, sem constituir necessariamente um instrumento separado.
Flaherty, K. (2024, March 29). Diary studies: Understanding long-term user behavior and experiences. Nielsen Norman Group. https://www.nngroup.com/articles/diary-studies/
Punch, S. (2012). Hidden struggles of fieldwork: Exploring the role and use of field diaries. Emotion, Space and Society, 5(2), 86–93. https://doi.org/10.1016/j.emospa.2010.09.005
Radcliffe, L., & Spencer, L. (2025). An introduction to qualitative diary methods. In Qualitative diary methods [Sample chapter]. SAGE Publications. https://uk.sagepub.com/sites/default/files/upm-assets/145282_book_item_145282.pdf
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